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Escrevemos sobre assuntos ligados à história goiana, genealogia, artes, artesanato e assuntos de interesse de nossa família. Portanto, esse espaço pertence a uma pessoa somente, é público, todos podem ler se quiser, pois aqui publicamos vários tipos de assuntos, a grande maioria dos leitores se manifesta positivamente e com elogios, o que agradecemos muito. Os comentários devem ser acompanhados de identificação, com email, para que sua opinião seja publicada.
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sábado, 15 de dezembro de 2012

PEDRO E A PRAÇA CÍVICA


Minha mãe morou em Goiás até 1949, quando se casou com meu pai e, assim, passaram a morar em Goiânia, uma cidade pequena, com menos de cinquenta mil habitantes, por isso, aos 82 anos, ela vê Goiânia com outros olhos, como quem participou desse crescimento e com entusiasmo ela repete sempre: “Dr. Pedro foi mesmo um homem corajoso e sábio, como ele se sentiria orgulhoso em ver Goiânia assim.”
Embora, seja recente a história de Goiânia e o seu fundador Pedro Ludovico tenha falecido há apenas 33 anos não é justo afastá-lo de sua grande obra, nem deixar que façam pouco caso do que resta de autêntico da construção de Goiânia descuidando da sua história. Não se sabe por que a resistência de alguns em reconhecer seu mérito, não só seu, mas, também, daqueles corajosos companheiros que o apoiaram desde os primeiros momentos, quando ele decidiu pela mudança da Capital. Inacreditável é constatar que algumas pessoas que eram contra a mudança tiveram homenagens muito mais significativas do que as pessoas que realmente lutaram para edificar essa cidade. Hoje, Goiânia contradiz a todas as previsões negativas lançadas sobre ela. Muitos não enxergaram no destemor de Pedro Ludovico o seu desejo de romper as correntes que atavam Goiás ao atraso e lançar o Estado em uma fase progressista, dando um salto no ranque de desenvolvimento nacional. Goiânia é hoje uma das mais belas e boas cidades para se viver e investir do Brasil.
Dr. Pedro desde menino se preocupava com os problemas de sua terra natal, por isso, quando foi estudar Medicina no Rio de Janeiro, ele procurou conhecer e se informar do que havia de novo e assim enriquecer a sua formação.  Além de ser uma pessoa muito bem informada era um homem destemido, quando decidia por algo, dificilmente voltava atrás, porém, não era truculento nem se prevalecia de sua condição, era simples, educado, não se vangloriava de seus feitos, mas, era com orgulho que falava de “sua filha mais nova, Goiânia”. Ele cuidou de cada detalhe da sua construção e, mais tarde, mostrava grande preocupação quanto à preservação dos documentos referentes à transferência da Capital. Sabiamente ele colocou a Praça Cívica sob os cuidados do Governo do Estado, para que o governador cuidasse dela, parece que alguns descuidaram e a esqueceram, a Praça está destruída. Agora, graças à iniciativa do Governador Marconi Perillo a revitalização da Praça Pedro Ludovico Teixeira será realizada. O Governador Marconi tem procurado fazer o que permitem os órgãos que regulamentam esses tombamentos, porém, não se pode aceitar que uma ação equivocada prevaleça. Por que deve prevalecer o tombamento de um monumento que se assentou inadequadamente em lugar de honra na Praça. Afinal, onde está o bom senso? Esses tombamentos deveriam respeitar os projetos originais de Goiânia, uma cidade que teve um traçado simples com a mesma simplicidade do caráter do seu fundador que jamais revindicou qualquer homenagem, contudo, seria uma justa e respeitosa homenagem se voltassem a Praça Cívica ao seu traçado original colocando o obelisco central em seu lugar, revitalizando as fontes luminosas e colocando de volta os pequenos postes de iluminação. A permanência do monumento central, por causa de um tombamento equivocado, mácula o traçado da Praça e mostra que falta bom senso. Claro, é uma obra importante que merece destaque em outra praça, jamais deveriam ter permitido que ali se instalasse, não faz parte do conjunto histórico da Praça, não é harmoniosa com o restante das construções e se há algo a permanecer ali é o obelisco original, que jamais deveriam ter permitido ser retirado.
Nem Pedro, nem Três Raças no centro da Praça, mas sim o original obelisco.
E para não ficar destoando da revitalização que está em andamento pelo Governo do Estado, com o projeto do arquiteto Luiz Fernando Cruvinel Teixeira condecorado inúmeras vezes por seus trabalhos, portanto uma excelente escolha, a Prefeitura deveria se unir ao a essa realização e permitir a construção do Memorial dos Pioneiros, de forma harmoniosa com o que já existe. Seria oportuno e mais condizente com a personalidade de Pedro Ludovico se colocassem junto ao Memorial uma estátua retratando o momento histórico da assinatura do decreto de transferência da capital, como disseram, porém, está ponta a estátua equestre, foram mais de vinte anos para que fosse concluída, não por falha de Neusa Morais, a sua escultora, por falta de repeito à artista e negligência do órgão que a encomendou, por isso, não dá para correr o risco e esperar mais vinte anos por outra obra de arte para homenagear os pioneiros e o fundador de Goiânia.

terça-feira, 24 de julho de 2012

COPIAR O QUE É BOM

Uma das coisas que me encanta em São Paulo é a preservação da sua história que é, por sua antiguidade, a história dos brasileiros, também. Tem sido hábito em São Paulo revitalizar edifícios antigos, adaptando-os para abrigar centros de cultura excelentes. Visitar o Mercado que tem muito mais de 100 anos e foi preservado, a Estação Ferroviária, a Pinacoteca e tantos outros lugares mais que centenários e muito bem preservados faz com que se conclua que copiar quem faz certo é uma boa maneira de acertar, também.
Goiânia, apesar de ser uma Capital aonde a riqueza é visível pelo consumo de bens e serviços, lamentavelmente, os governantes não conseguem sensibilizar aos que são geradores dessa imensa riqueza para que invistam, como incentivo, na área cultural, na preservação de nossa história.
O que se vê é a seguida repetição de atos como foi a destruição do Mercado Central para ali edificar uma garagem, de vários andares, sem, que até hoje tenha alcançado algum objetivo, se é que tenha sido planejado.  A destruição da Santa Casa, marco da caridade e do início de Goiânia, para edificar um Centro de Convenções é uma das aberrações das administrações passadas, rapidamente se tornou um elefante branco pelo fato de ter sido extremamente inadequado o local escolhido, todos sabem que os centros de convenções são colocados estrategicamente em locais que permitem o acesso de um enorme público, com estacionamento gigantesco para receber um grande número de carros e ônibus, ali, na Rua 4, eles só podem parar ocupando as laterais das ruas em volta do Centro de Convenções na Rua 4, alguns têm placas de proibido parar, tudo isso causa transtorno para quem passa por ali e para os próprios motoristas desses veículos, total falta de planejamento ou fizeram assim  para justificar a injustificável destruição da Santa Casa?
A descaracterização da Praça Pedro Ludovico Teixeira, abandonada há décadas, mostra o descaso com o bem público. Deixaram construir ali um barracão para abrigar parte da Prefeitura e assim permanece até hoje, mas, felizmente, já está aprovada pelo Governador Marconi Perillo parte da restauração da praça. Essa praça era o encantamento dos goianienses antigos que faziam dali seu local de passeio com a família no final da tarde e nos fins de semana. Porém, hoje em dia, é usada para shows, exposições e celebrações requerendo que ali se monte enormes estruturas que danificam tudo que há em volta (se é que ainda tenha sobrado algo). Essa prática tem que ser eliminada. Nada existe ali que lembre o jardim do Palácio das Esmeraldas de antes, com suas fontes luminosas e seus arbustos podados e bem cuidados. Hoje é o jardim mais descuidado e abandonado de Goiânia, não salva nem o que está no pátio da frente do Palácio, parece até que não existem paisagistas em Goiânia capazes de fazer um jardim adequado à casa do Governador.
Visitar um centro de cultura como São Paulo no faz voltar para casa pensando quando será que deixarão de fazer obras faraônicas, deixando o que temos acabar, sem valorizar o pouco que restou. Revitalizar e restaurar o que já existe, preservando o que se dá o nome de patrimônio e a exemplo de São Paulo não destruir, mas adaptar o local para ser um novo espaço cultural, usando melhor os edifícios antigos como a Estação Ferroviária, o Grande Hotel e outros. Assim como, o Teatro Goiânia que já foi palco de tantos excelentes espetáculos. Porém, não se cuidou de seus bens, que fazem parte do patrimônio. Dizem que o piano de caldas que era do Teatro Goiânia caiu do palco e quebrou de tal maneira que não teve recuperação, depois desse "acidente" nunca mais se teve um piano com a qualidade desse.
É preciso, não só vontade para realizar tudo isso, mas é preciso entender que a nossa cultura, a preservação de nossos bens é mais importante que valorizar a cultura de fora, essa já é valorizada em seus Estados. Não tenho nada contra cinema, mas, não é o que Goiás produz, quantos filmes de sucesso saíram de Goiás nos últimos anos? No entanto se gasta uma fortuna para valorizar empreendimentos que não são nossos, no intuito de alcançar projeção nacional repetindo, importando hábitos de outros lugares, onde o evento é um grande sucesso devido ao tempo em que ali é realizado e se tornou uma realização tradicional dali. Importar eventos, manias, tradições de terceiros significa que não amamos o que temos.
Estação Ferroviária de São Paulo revitalizada atende a seu propósito e tem a  Casa São Paulo de espetáculos musicais e o Museu da Língua Portuguesa na outra ala, tudo devidamente aproveitado.



Mercado de São Paulo, com restaurantes excelentes e com sua s bancas de alimentos, tudo usado com cuidado e zelo.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

UM ALMOÇO AGRADÁVEL COM O GOVERNADOR

http://www.flickr.com/photos/marconiperillo/5936349275/
http://www.flickr.com/photos/marconiperillo/5936351077/
Agradável e é um prazer encontrar o Governador Marconi Perillo. Nessa quarta-feira, dia 13, convidados por ele, filhos e netos de Pedro Ludovico retornaram ao Palácio das Esmeraldas para um almoço com o amigo da família. Ele fala com respeito e carinho da família de Pedro e, em especial quando se refere ao amigo Mauro Borges, como ele disse: "sinto falta das visitas do Ex Governador, sempre me dizia o que achava das ações de meu governo."
Dentre as conversas contou que o avião em que se acidentou e faleceu Antônio Borges Teixeira, filho de Pedro e Gercina, caiu nas terras da fazenda de seu avô em Palmeiras - Goiás e que a família dele, montada a cavalo, foi ao local ver o avião. Esse desastre aconteceu em 1952.  
Falou sobre as dificuldades que encontrou ao assumir o governo, mas tem chamado para si todos os problemas obtendo sucesso nas soluções e destacou sobre as medidas urgentes que seriam tomadas para que o Vapt Vupt volte a ser um órgão ágil, exemplo para o País.
O Governador teve a gentileza de se referir à questão da estátua de Dr. Pedro. Citou, inclusive, um projeto já existente que é do conhecimento de todos de que seria instalada no morro da Serrinha, mas com a observação da família de que sugere a Praça Pedro Ludovico Teixeira ele esclareceu que, também, é a preferência dele. De pronto ele anotou em um papel um lembrete para cobrar dos órgãos envolvidos uma reunião com a participação de um membro da família que definisse o que e como deveria ser feito. Adiantando que já estava nos planos dele a recuperação e revitalização de toda a praça.
Todos ficaram agradecidos e emocionados com a sua aquiescência ao desejo e sugestão da família para o local da estátua e para a construção de um Memorial aos pioneiros, como consta em vários documentos assinados pela família desde a entrega da casa aonde hoje está o Museu Pedro Ludovico Teixeira.
O almoço foi servido no salão D. Gercina, muito bem decorado, no estilo clássico e com belos quadros do Frei Confaloni e DJ Oliveira, prestigiando os artistas goianos. Foi servido: bacalhau à portuguesa, filé a gongonzola e deliciosa salada. Como sobremesa: torta de maracujá, frutas e a famosa ambrosia.
Bira lhe perguntou sobre as jabuticabeiras plantadas por sua avó Gercina, ele, então, convidou a todos para visitar o local e tirar uma fotos. Lá estão as jabuticabeira muito bem cuidadas, a área toda está calçada com pedras portuguesas brancas de muito bom gosto.  
Ao se despedir tornou a ressaltar a sua amizade com  família e Rodrigo, em nome de todos, agradeceu as providências para a homenagem.

terça-feira, 8 de março de 2011

Carta a um amigo sobre a estátua de Pedro Ludovico

Caro Amigo,
sobre a proposta que está sendo discutida sobre a mudança da estátua equestre de Pedro Ludovico. Como falamos anteriormente, muitos pegarão carona no que começamos. Uma coisa podemos nos regozijar: surtiu efeito positivo a insistência dos artigos, textos e cartas que foram escritos.
0 que deve e precisa ser corrigido e é necessário que entendam é:
1. Já que existe uma estátua pronta, mesmo que não represente ou melhor não mostre um Pedro Ludovico como realmente ele era, um homem moderno, atento ao futuro, ela está aí e se formos esperar de novo mais 32 anos para se fazer uma homenagem como merece o fundador da capital Goiana que representa todo o avanço de Goiás - Deus nos livre - já se esperou muito. 0 que me choca é que não se dão conta da diferença que é fazer uma homenagem a Pedro Ludovico, a pessoa número um ligada à mudança da Capital colocando-o ao lado dos pioneiros, sem misturar com outras homenagens que se fazem necessárias. 0 importante é destacar que hoje não precisamos mais de homenagens separadas, mas sim de um MEM0RIAL G0IAN0, aonde serão
destacadas todas as pessoas importantes que contribuiram para a construção de Goiânia e, também, para o desenvolvimento do Estado. Sem que seja um espaço para que somente abrigue "destaques culturais" mas, que seja um verdadeiro espaço para que destaque a histo'ria de Goiânia claro que Dr. Pedro é a peça central, mas que sejam destacados T0D0S que o ajudaram e participaram ao longo do tempo. Não é interesse da família e sim do povo de Goiás ter um espaço digno da Capital pioneira para que o Centro 0este prosperasse. A atenção deve ser voltada para este objetivo.
2. É importantíssimo revitalizar a Praça Pedro Ludovico - não concordo e me irrito quando leio textos escritos por quem tem o privilégio de ter um espaço que milhares de pessoas têm acesso, dizendo que a Praça serve para lavar carros, que a estátua das "três raças" serve de varal e outras besteiras mais... So pode ser insensatez, porque, para mim o mais importante é deixar a frente do Palácio do Governo impecável, ela atesta o que é o Governo que ocupa aquela residência, seu jardim pode ser um lixo? Revitalizar a Praça, tirando TUD0 o que ali foi colocado e que altera seu desenho original. Ainda é fácil fazer esta reforma, mas é urgente, antes que acabem com tudo.

3. A estátua, que seja colocada em destaque ao lado do Memorial, no espaço, já mencionado antes, aonde existe o prédio da Prefeitura, que deveria ser demolido. A estátua das "três raças" por ter um volume semelhante ao da estátua de Dr. Pedro, seria retirada do centro e colocada no lado oposto da Praça fazendo um triângulo harmonioso: Pedro, Três Raças e o coreto. No centro voltaria a ser construído um obelisco, reproduzindo o antigo obelisco ali existente.

4. Qual é o problema dos dirigentes políticos de Goiás, que não valorizam sua historia? Querem esconder a historia da mudança da Capital? Não existe nenhum interesse político da família nessa correção da homenagem que estava sendo feita, nem sequer a família tem interesse em aparecer, mas não se pode permitir que se cometa mais um erro. É importante destacar que a homenagem que a família quiz e quer é que seja feita, em conjunto com a instalação da estátua de Pedro, o Memorial a todos os pioneiros, uma homenagem concreta, que seja acessível a quem quer pesquisar, estudar e/ou simplesmente, visitar um espaço em que se encontre a historia goianiense.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Um planejamento para a estátua de Pedro

Carta a um Cavalo de bronze?
Na verdade, melhor seria ler ao som de La Comparsita, um tango alegre que traria uma grande satisfação ao cavaleiro (impetuoso como Dom Quixote), que melancólico aguarda uma explicação sobre o tratamento que lhe deram...
Teve poucos momentos como cavaleiro, Pedro Ludovico era um médico modernista que assumiu a direção do Estado preocupado com o progresso, com o desenvolvimento, com a saúde do povo de Goiás. Ao pensar na mudança da Capital goiana, não a concebeu simplesmente, contratou especialistas e delegou tarefas. Tinha arquitetos urbanistas e engenheiros, qualificados para traçar a planta da cidade e seu plano diretor. E vários auxiliares que o ajudaram a construir Goiânia.
Esta preocupação zelosa que ele teve, deveria ser respeitada e continuada dia a dia. Em nome do “progresso”, porém, desvirtuam o traçado da cidade, destroem praças, permitem a construção de enormes edifícios sem pensar nas conseqüências que causam ao trânsito e ao saneamento público. Modificaram, para pior, as ruas e calçadas. As dos bairros antigos são mais humanas do que as dos setores mais novos, como o Setor Bueno congestionado pela alta densidade construtiva. Goiânia cresceu sem o olhar cauteloso para o seu desenho urbanístico original.
Não é correto utilizar o dinheiro público sem um planejamento adequado e sem uma aprovação democrática. Para se construir um Memorial, ou seja um espaço cultural dessa importância, é necessário qualificar esta ação consultando especialistas da área, tais como: museológos, arqueólogos, historiadores, arquivistas, biblioteconomistas, antropólogos, e, também, um arquiteto urbanista capaz de integrar o que será construído ao conjunto de edifícios que ainda resta em sua querida Praça Pedro Ludovico. Um Memorial deve ser útil à comunidade, não apenas um local a mais para abrigar livros, documentos, fotografias para que fiquem empoeirados em estantes...
A Praça pede socorro, está abandonada, sim, suas fontes de água estão destruídas, seus jardins desfigurados, é claro que assim não ficará (está assim por herança), voltará a ser um jardim bem cuidado, é preciso um tempinho, para ser restaurada.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Aguardando...

Mais uma vez escreveram sobre a instalação da estátua eqüestre de Pedro Ludovico e o Memorial sem o cuidado de dizer que é necessário um estudo detalhado para que não tenha somente a finalidade de armazenar documentos. O Memorial Pedro Ludovico, ou dos Pioneiros ou de Goiânia, não é assunto pertinente somente aos intelectuais goianos, muito menos cabe ao povo. Um espaço cultural dessa importância é uma ação de quem tem autoridade para executar - o Governo, que certamente e corretamente deve estar consultando especialistas da área, tais como: museológos, arqueólogos, historiadores, arquivistas, biblioteconomistas, antropólogos, e, também, um arquiteto urbanista capaz de integrar o que será construído ao conjunto de edifícios que ainda resta na Praça Pedro Ludovico. Um Memorial deve ser útil à comunidade, não apenas um local a mais para abrigar livros, documentos, fotografias para que fiquem empoeirados em estantes. E que tenham o cuidado de contratar e/ou consultar técnicos da área para sanar problemas existentes com preservação, arquivamento e outras falhas que estão sendo já trabalhadas com o vasto acervo e material que o Estado e Município possuem.
Existe uma Lei determinando a construção de um Memorial e 0 Ministério Público estabeleceu até uma data para mudança da estátua, mas sem dizer como, fica evidente que é necessário um estudo minucioso. Seria melhor e agiriam definitivamente com um planejamento adequado.
Pedro Ludovico era um médico modernista que assumiu a direção do Estado preocupado com o progresso, com o desenvolvimento, com a saúde do povo de Goiás. Ao pensar na mudança da Capital goiana, não a concebeu simplesmente, contratou especialistas e delegou tarefas. Tinha arquitetos urbanistas e engenheiros qualificados para traçar a planta da cidade e seu plano diretor. Vários auxiliares o ajudaram a construir Goiânia.
Esta preocupação zelosa, deveria ser continuada. Dia a dia, em nome do “progresso”, desvirtuam o traçado da cidade, destroem praças, permitem a construção de enormes edifícios sem pensar nas conseqüências que causam ao trânsito e ao saneamento público. Modificaram, para pior as ruas e calçadas, as dos bairros antigos são mais humanas do que as dos setores mais novos, como o Setor Bueno congestionado pela alta densidade construtiva. Goiânia cresceu sem o olhar cauteloso para o seu desenho urbanístico original.
Até a Praça - em frente ao Palácio das Esmeraldas - pede socorro, está abandonada, suas fontes de água estão destruídas, seus jardins desfigurados, é claro que assim não ficará (está assim por herança), voltará a ser um belo jardim, bem cuidado, é preciso só um tempinho, para ser restaurada pelo Governo atual.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

De onde vem o rincho?

Luiz de Aquino
Membro da Academia Goiana de Letras.

Se o meu amigo Sinésio Dioliveira tivesse realmente lido o DM OnLine durante suas ferias em Boston todos os dias, como disse, não se referiria tão-somente ao excelente artigo do também amigo João Neder, também amigo. Evidentemente, ele não leu... Ou teria visto muitos outros artigos de igual peso e importância, entre eles os da minha lavra, solenemente ignorados pelo poeta e professor Sinésio. Refiro-me ao seu artigo de hoje, “Risos e rinchos (e coices)”, publicado no “Opinião Pública”.

É provável que ele tenha se cansado do meu estilo. Ou dos meus argumentos. Mas poderia ter se interessado pelas informações que passei, e uma deles diz respeito, claramente, à vontade expressada pela família Ludovico, que quer a estátua no seio da Praça Cívica Dr. Pedro Ludovico Teixeira, e não nos ombros, olhando para a casa do “presidente” da Comissão Viúva Porcina (lembra? “A que era sem nunca ter sido”).

A ideia da estátua na Serrinha partiu de José Mendonça Teles ao propor a escultura e a homenagem, em 1991; em 2000, em carta a Mauro Borges Teixeira (ex-deputado, ex-senador, ex-governador e filho de Pedro, Sinésio, caso você não saiba), concordava com a localização na Praça Cívica, sugerindo a instalação no antigo Palácio das Campinas o Memorial Pedro Ludovico.

Atribuir à família a escolha da Serrinha é confessar que não sabia de nada. Gostaria muito de recebê-lo de carona nessa campanha, da qual me sinto um dos pioneiros, com o incontestável testemunho das publicações nestas páginas e no DMRevista. Mas, por favor, informe-se melhor. Ou corre o risco de nivelar-se com o vereador que, sem sequer saber o nome todo do homenageado (eu sei), posa de autor de providências já existentes.

De resto, é aguardar que o Governo de Goiás seja reativado e a Agência de Cultura Pedro Ludovico recupere-se dos estragos cometidos nos últimos anos, voltando a respeitar o povo de Goiás e a personalidade que lhe empresta o nome.

Se tudo o que escrevi não lhe serve de base de informação, aqui vai trecho de carta que recebi de pessoa da família de Pedro:

“… disseram que a família não se manifestou, mas o DM mesmo publicou a carta da família e citou o abaixo-assinado (promovido pela nora de Mauro Borges, Maria Dulce, exigindo a estátua no coração da Praça Cívica). Como dizer que a família não lutou? Lutou sozinha para tirar da Serrinha a estátua. Depois, sozinha, contestou o local definido pela “comissão”, a Rua 82. No dia seguinte, escrevemos “Colocando os pingos nos is”, dizendo que a família não concordava com o local”. A família percebeu “A resistência deste governo e partiu para garantir que a estátua fosse para a Praça de Pedro. Enviei (continua o missivista) e-mail ao candidato Marconi Perillo pedindo ajuda. Ele,em campanha e muito ocupado, pediu que aguardasse o término da campanha. Imediatamente após a confirmação de sua vitória, no Dia de Finados, na visita ao túmulo de Pedro Ludovico, a família perguntou se podia contra com a ajuda dele para colocar Pedro em sua Praça. Em frente aos repórteres ele garantiu à família que mudaria a estátua para a praça,nesse momento a família ficou tranquila, uniu-se a quem sempre prestigiou Mauro Borges e Família; ali acabava a ansiedade, havia um compromisso real e como desejava, Pedro iria para a sua Praça assim que Marconi assumisse. Pronto!

Finalizando: Essa luta começou quando a família percebeu que estavam “cassando” Pedro de sua História, colocando-o lá no Serrinha.

E de resto, voltemos ao tema apenas quando se fizer necessário, ou seja, quando o novo governo assumir e as providências se fizerem necessárias, com nova postura e nova linguagem. Essa gente que causou todo esse alvoroço não merece mais espaço.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

SAIU NO DIARIO DA MANHA EM 17.11.2010

Inconformado com a insistência da presidente da Agepel, Linda Monteiro de promover a inauguração da estátua de Pedro Ludovico Teixeira em um canto da Praça Cívica, o vereador Rusembergue Barbosa (PRB) e Pedro Ludovico Teixeira Neto protocolam hoje, às 15 horas, na 1ª Vara da Fazenda Pública Estadual, uma medida cautelar. A inauguração do monumento está prevista para amanhã, às 19:30 h e a família não concorda com o local reservado à ela, mas deseja sua instalação no centro da praça.
A intenção da medida cautelar é barrar a inauguração da obra no local “vergonhoso” em que se encontra, conforme Rusembergue, adiando a solenidade para depois da investidura do governador eleito, Marconi Perillo. “Ele já nos assegurou que vai ouvir a família e se mostrou bastante sensível à nossa contrariedade diante daquilo que estão chamando de homenagem, mas que é puro desrespeito à memória do meu avô” – afirmou o neto do fundador, que acompanhou Marconi, durante visita ao túmulo de Pedro Ludovico, no último dia 2 (dia de finados). Ele reiterou que a família não vai comparecer à inauguração. “Por uma questão de bom senso e de respeito à memória do fundador, não custa nada aguardar mais alguns dias, para uma solução que entrará definitivamente para a história” – pondera Rusembergue.
O vereador diz que não vê outra saída, que a via judicial. “Existe hoje uma comoção na sociedade, que se mostra indignada, porém, a presidente da Agepel se mostra insensível e disposta a causar esse constrangimento à família e desprezo aos pioneiros de Goiânia” – explica o vereador. Autor da Lei municipal n° 8.942, por ele batizada de “Lei Batista Custódio” – reconhecimento ao apoio do jornalista e do jornal Diário da Manhã à luta pela conclusão da obra –, que determina a instalação da obra na Praça Cívica, após liderar o movimento contra a escolha do Morro Serrinha, Rusembergue defende a demolição do “barracão improvisado”, antiga sede da prefeitura. “Ali é o local mais decente e digno para a instalação do monumento que homenageia o maior estadista de Goiás em todos os tempos.”

Abaixo-assinado
A nora do ex-governador Mauro Borges, filho de Pedro Ludovico, Maria Dulce Ludovico Teixeira lançou no site Petição Pública Brasil, um abaixo-assinado, via on-line, reivindicando que a estátua equestre de Pedro Ludovico seja colocada em um local de destaque na praça que tem seu nome, e não no canteiro da rua 82, em frente ao Instituto Histórico e Geográfico de Goiás.
Segundo ela, “se existe uma praça com seu nome, faz sentido que se concentre lá estátuas, monumentos, memórias, para que fique fácil para a população encontrar a história da cidade”. Maria Dulce afirma que a família foi pressionada a aceitar o local imposto pela presidente da Agepel. “Jamais irão nos convencer de que aquele é o ponto correto.” Ela acusa “constrangimento ilegal e autoritário”. “É como dizer a qualquer cidadão deste País, que ele não tem direito de ser livre, é cassar a família de opinar somente porque é descendente de Pedro Ludovico. Não vamos calar jamais. Somos livres. Aliás, o povo deve opinar se está correto” – assinala ela, justificando o lançamento do abaixo-assinado.

RESPOSTA A LUIZ DE AQUINO SOBRE A INDIGNAÇÃO DA FAMÍLIA DE PEDRO LUDOVICO

Luiz,
ainda agora, 6:00, acabo de ler todo o texto do Batista. Agradeço ser ele o portador de tudo que este pessoal deve escutar e respeitar. Eles sairam do limite. Como o falar da família, perante o público e sociedade em geral, pode ter uma conotação de usar o "poder" para ainda ditar o que se deve fazer, assim ficou muito melhor. Inquestionavelmente, a família tem este direito pois é a imagem de um familiar que está sendo usada de maneira inadequada. Tentamos corrigir o erro como família e como cidadãos brasileiros com direitos garantidos por Lei para preservar, digamos, um bem público e a história, visando, também, não usar indevidamente o recurso público.
A família vem se manifestando desde 16 de junho de 2010, quando soubemos que a estátua seria instalada no Serrinha.
Uma série de mentiras comanda essa perigrinação sobre a homenagem a Dr. Pedro. Acompanhando o que foi escrito, verificaria que a história de não colocar no Serrinha por isso e aquilo - é lorota - estavam todos calados e o Vereador lutava para manter o espaço como reserva ecológica.
Questionamos "porque lá?" - no livro de Dr. Pedro ele diz que esta colina era indicada para reservatório da água que iria abastecer Goiânia, como ficava mais distante do que o "Paineiras", o engenheiro encarregado da obra demonstrou a Dr. Pedro que no segundo morro se gastaria menos por estar mais próximo da cidade, o Serrinha permaneceria com a mesma função para uma futura utilização, como foi utilizado, tem reservatório da Saneago lá. Inventam histórias e as transformam em verdades. Várias vezes espanta-nos as mentiras de que se apoderam os "historiadores", mostrando uma intimidade que nunca tiveram - leram em algum lugar? Assim, como mudou-se o reservatório d'água eles mudaram a estátua, mas sem o cuidado que teve Dr. Pedro de minimizar os custos de seu projeto de abastecimento de água para Goiânia.
Estavam cassando Dr. Pedro de sua história e continuam fazendo a pior cassação de sua vida - pior do que a que a Ditadura fez.
Fizemos, nestes meses, com o apoio da família, uma perigrinação de porta a porta. A primeira visita foi ao Instituto do Professor José Mendonça Teles - porque em 2000 ele enviou a Mauro Borges, uma cópia de sua nova posição com relação à estátua, onde dizia que o local certo era a Praça Pedro Ludovico Teixeira. Claro, fomos lá pedir que apoiasse a família, até o próximo Governo do Marconi, pois, o atual insistia em colocar a estátua "em qualquer lugar" e de "qualquer jeito". Ele perguntou o que fazer. Sugerimos que aguardassem e que fosse feito um novo projeto para construir um Memorial aos Pioneiros, como era desejo de Mauro e sua família estabelecido em carta na ocasião em que foi entregue a casa da Rua 26 ao Estado. (tenho a cópia desta carta e cedi uma cópia para a Agepel). Contamos da emoção de Mauro Borges ao lamentar com os olhos cheios d' água que talvez não colocassem Dr. Pedro em sua praça. Aguardamos muito, dissemos, Dr. Pedro faleceu em 16 de agosto de 1979 e somete em 1993, portanto, 14 anos após a sua morte, iniciaram um monumento em sua homenagem e, parece praga, somente agora está pronto, levou 17 anos para ser concluído. Já esperamos por tanto tempo, esperar mais um ano e fazer certo, é o correto.
Escrevemos, também, ao Bariane Ortêncio pedindo a mesma ajuda - esperar. Ele se aproveitou da nossa carta e assumiu de dono do pedido da família indicando o local.
Contestamos em nome da família dizendo que ali não era a Praça Pedro Ludovico Teixeira e nem aprovavamos aquele local.
Fui ao IPHAN duas vezes - fui muito bem recebida. Ao Ministério Público fui quatro vezes pedir para intervir, pois estavam utilizando recurso público, achamos que o dinheiro público não pode ser usado desta maneira. Na Câmara de Vereadores fui duas vezes, em nenhuma o Vereador, que marcou hora conosco estava lá para nos receber, falamos então por telefone. Falei com jornalistas, articulistas, escritores pedimos muito socorro. Mas, a decisão errada já estava tomada e nada faria a Agepel retroceder.
Foi uma peregrinação de junho até agora em outubro quando recebemos, aos meus cuidados, mas endereçado à família de Pedro Ludovico Teixeira - o relatório que foi citado pelo Sr. Batista. Foi quando vimos um outro Ludovico, beirando os noventa anos, encher os olhos de lágrimas e dizer: "tem que ser na Praça", ele é Pedro Ludovico Teixeira Júnior. Encaminhamos, ou melhor, mostramos à família, pois ficaria muito caro copiar o relatório e mandar a cada um, sendo assim, levamos o original a cada um para ler os absurdos contidos do começo ao fim. Notamos que não foi anexada a carta de 8 de janeiro de 2008, onde assinam Mauro, Pedro e Goiânio, reteirando o pedido para que fosse instalada a estátua na Praça Pedro Ludovico Teixeira.
Partimos para um abaixo assinado eletrônico, as pessoas da comunidade se indignavam, mas pouco podiam fazer. Resolvemos esperar a vitória de Marconi, pois enviamos a ele um correio eletrônico pedido orientação sobre o que fazer mediante tanta imprudência. Respondeu pedindo que aguardassemos o término da campanha. Ele foi insuperavelmente pontual, visitando o túmulo de Dr. Pedro no dia seguinte de ser proclamado vitorioso, confirmou o que a família esperava. Daí saiu no jornal e iniciaram as cartas do DM, para nossa felicidade, pois o jornal tem uma abrangência infinitamente maior do que minhas cartas, meu blog e facebook. E até do abaixo assinado que fizemos: http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2010N3448
Utilizando estes meios pouco abrangiámos. Poucos se manifestaram. Alguns, até concordaram a princípio com a Rua 82. O DM deu a divulgação que precisávamos.
Se nos calamos agora, é porque este Governo não deu à família nenhum sinal de apreço e muito menos a respeitou. Porque dar a eles a satisfação de ter qualquer tipo de relação com a família de Pedro Ludovico Teixeira. Estamos indignados como tratamento dado, não à família mas à memória de Pedro Ludovico, porque desde o início a família sempre se posicionou com argumentos em que solicitava uma ação que perpetuasse a história goiana, carente de um espaço que dignifique os pioneiros, aonde se coloque ao público a história completa da cidade.
Sabemos que mesmo se houver esta inauguração, todos os segmentos que querem ver preservada a memória da cidade estarão com Marconi para viabilizar um Memorial dos Pioneiros e instalar a estátua na Praça de Pedro. A família, assim como nosso amado Pedro, sabe se indignar sem que seus algozes se sintam privilegiados de ter causado algum transtorno, este fato da inauguração equivocada é um ato irresponsável, deveriam prestar contas do recurso que estão utilizando.
Eles jamais conseguiriam mudar o lugar de Pedro nos assentos históricos de Goiás, ele já ultrapassou esse mundo pequeno das mesquinharias, se sua estátua ficou ao nível do chão, Goiânia o projetou no mundo inteiro.
Grande abraço e obrigada pelo apoio constante. Teremos cuidado com quem chega tarde.
Maria Dulce

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

RESPOSTA A BARIANI ORTENCIO SOBRE A ESTÁTUA DE PEDRO LUDOVICO

por Pedro Ludovico Teixeira Neto

Com relação à coluna “Crônicas & Outras Histórias” do Sr. Bariani Ortêncio, de 14 de novembro de 2010, onde o mesmo tece considerações sobre o monumento à Pedro Ludovico Teixeira, gostaria de dizer que a memória histórica de Pedro Ludovico não deve e não pode ser tratada como propriedade privada de ninguém e muito menos usada para lustrar egos inflados. A menção que o colunista faz da decisão anterior da AGEPEL de se colocar o monumento na Serrinha no meio do nada e de lugar nenhum merece reparos. Esta decisão, que de fato já estava tomada pela AGEPEL, felizmente, só não foi implementada em razão de existir uma lei municipal nº 8.942 de autoria do vereador Rusembergue Barbosa que determina a instalação da estátua na Praça Cívica. Nós da família entendemos e concordamos com isso, assim como as mais distintas personalidades que já se manifestaram sobre o assunto, que a intenção do legislador ao elaborar referida lei, foi garantir ao monumento de Pedro Ludovico um lugar de destaque na praça que leva o seu nome e de onde por várias décadas comandou com honestidade e determinação os destinos do Estado de Goiás. Entendemos também que a maior personalidade política da história de Goiás não pode ser tratada de qualquer maneira e muito menos o seu monumento ser colocado em “qualquer lugar” como sugere o Sr. Bariani Ortencio. Apesar disso, nossos gestores públicos resolveram colocar o monumento num canteiro de jardim na extremidade da praça de frente para Avenida 82, servindo apenas como vista privilegiada para os ilustres membros do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, que como diz o colunista contribuíram para a escolha do local. A memória de Pedro Ludovico pertence acima de tudo ao povo goiano e por mais que tentem relegá-la a um plano secundário, esse mesmo povo a quem Pedro serviu com paixão por quase toda a sua vida saberá resgatá-la e lhe dar o valor que merece.

Equívocos ou má intenção?

Luiz de Aquino
Escritor, membro da Academia Goiana de Letras

Senhor Editor, volto a pleitear espaço e não trago tema novo. É, sim, para continuar a catilinária sobre o descaso que o maior órgão oficial de cultura do Estado, a Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico, dispensa ao homem que, além de idealizar e construir esta cidade, empresta seu nome ao próprio órgão (já disse isso, em carta anterior). E por conta da carta de ontem que volto: acordei um tanto tarde, embalado pela chuva benfazeja, por conta do telefonema do escritor José Mendonça Teles.
“Vocês estão cometendo uma injustiça com o José Mendonça Teles”, disse-me ele, emocionado (costuma referir-se a si mesmo na terceira pessoa); lembrei-me que a injustiça não partiu de mim, pois até transcrevi o texto da crônica de Bariani Ortêncio em O Popular de domingo, 14.
“Pois é”, continuou ele, “eu dei a ideia e agora todo mundo é pai do cavalo”, metaforizou ele, com a cabida ironia. “Convidaram-me para ir lá ver o local, tiraram uma foto em que eu apareço e então vieram com essa história de comissão; essa comissão não existe”, definiu ele. Resumindo a pantomima: não existe, então, essa “comissão” formada por ele, José, e mais Ubirajara Galli e Bariani Ortêncio. Mas foi Bariani quem a citou e Galli silenciou-se, pelo menos até ontem, sobre o assunto.
Historiando: partiu de José Mendonça, no comecinho da década de 1990, a sugestão da estátua equestre de Pedro Ludovico, a ser colocada na Serrinha, evocando o momento em que, a cavalo e ostentando roupa própria de montaria e um solene chapéu de feltro, Pedro vislumbrou a campina. “A Serrinha, quando eu apresentei a proposta, suportaria bem um parque e a estátua, mas instalaram lá tantas antenas que o local se tornou inviável”, disse-me ele. E continuou: “Lutei por todos estes anos para ver a estátua finalizada; Neusinha (Neusa Morais) não merecia passar por tudo o que passou e morreu sem ver seu trabalho finalizado”.
José Mendonça é enfático ao isolar-se do entrevero sobre o local. Ele diz que quer ver essa estátua em lugar de distinção, em ponto digno da grandeza do homenageado, e não “num canto de praça”.
Das entrelinhas, mais me convenço de que a localização é, realmente, um capricho pessoal de Bariani, que quer mostrar, de sua sacada, poder de influência ao estabelecer aquele inaceitável ponto de sua própria paisagem.
Existem, em Goiânia, uma leva de arquitetos e urbanistas que não foram consultados – e isso indica que houve um capricho da parte do profissional que detalhou a instalação: ou ele aquiesceu às exigências do escritor ou cumpriu cegamente ordens de sua chefe; esta, com tal atitude, passou a pá de cal no conceito de que desfruta da classe intelectual local (é intelectual quem trabalha com o intelecto, o que falta até mesmo em solenes personalidades que ostentam títulos afins).
Entre os arquitetos, Renato Rocha define bem o espaço histórico de Goiânia. E ao ouvi-lo, repercute na memória a frase costumeira da imprensa, por suas várias mídias, que a todo 24 de Outubro lembra que a cidade foi projetada para cinquenta mil habitantes. Rocha destaca que um monumento histórico, aqui, há de enquadrar nos limites do centro histórico, ou seja, a urbe projetada por Atílio Correia Lima. Fora dele, perde-se o sentido, pois a área expandida para além desses limites é o que temos, entendo eu, como “cidade nova” – no nosso caso, equivale à adição de vários anexos mal planejados, com desencontros de vias e seu conseqüente estrangulamento, exigindo complicados arranjos, por exemplo, da engenharia de tráfego.
Acho pertinente José Mendonça Teles reagir, demonstrar seu estranhamento e até mesmo mágoa, se for o caso, por usarem indevidamente seu nome e sua pessoa.
Passa da hora de se dar nomes aos bois. A goianidade agradece.

domingo, 14 de novembro de 2010

Goela abaixo nunca mais!

Luiz de Aquino

Escritor, membro da Academia Goiana de Letras.


Por que razão a Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico Teixeira teima em plantar a estátua do fundador de Goiânia no quintal do Palácio? Pelo que se sabe, a concepção da homenagem obedece a um plano que previu que a mesma ficaria na Praça Cívica, com a evidência que merece o maior de todos os nomes da história de Goiás.

Já escrevi, em várias crônicas e outras matérias jornalísticas, que existe um espírito-de-porco que tem por meta denegrir ou reduzir a importância de Pedro Ludovico Teixeira Álvares na vida política, administrativa, econômica e social de Goiás. Como não encontram manchas na vida do homem, tentam agora diminuir sua importância.

Transformem o esdrúxulo barracão que serviu de sede para a Prefeitura de Goiânia, demolindo-o e instalando-se ali um Memorial da Cidade, com a estátua em lugar de honra, como merece a memória de Pedro.

Fala-se de uma comissão, constituída de escritores, que participou da escolha do malfadado local, na Rua Oitenta e Dois, em frente à esquina com a Rua Oitenta e Cinco, no quintal do Palácio, lugar onde, como disse o deputado Carlos Leréia, os “coronéis” de antes amarravam as montarias. Diz-se que o local foi imposto pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que não permite uma estátua eqüestre no conjunto “art déco” da Praça – mas o IPHAN permitiu ou permite a desfiguração do prédio do Correio? E permitiu ou permite o “Três Raças”?

De tanto que se tem falado nisso, veio à tona uma ponta que parece verdadeira: o que há mesmo, envolvendo o IPHAN (não consegui saber da diretora Salma Saddi se é verdadeira a informação), é que a presidente da AGEPEL (a agência que leva o nome de Pedro Ludovico) impôs a localização e a atribui ao órgão federal.

O que se comenta ainda – não posso confirmar a veracidade – é que os escritores membros da tal comissão disseram amém à presidente da AGEPEL, acatando sem contra-argumentar, a escolha feita. E comenta-se mais. Aliás, questiona-se: o que levou a atual presidente da AGEPEL a impor-se no cargo? Tinha-se por certo que Nasr Chaul continuaria presidente por todo o governo Alcides Rodrigues, mas de repente o noticiário deu conta de que a secretária da Cidadania entregou o cargo, a chave do carro funcional e o telefone celular oficial, mas exigiu, na condição de presidente de partido da base, a cadeira da Cultura.

Para o meio, e me refiro à maioria dos militantes culturais do Estado, a troca não foi agradável. Goiás tem dois nomes fortíssimos na gestão cultural, nomes que se firmam por suas ações – Nasr Chaul e Kleber Adorno. Um “estranho no ninho” não foi de bom aceite.

Por outro lado, questiona-se, há anos, a simpatia de que desfruta a sra. presidente: ela consegue, ao contrário de inúmeros (e muito competentes) colaboradores, estar bem com todos os governos. Continuará com o próximo? Ou já se ajeitou na esfera federal, ou mesmo na municipal?

Não preciso enumerar segmentos dentro do meio cultural de Goiás para demonstrar o valor dos nossos artistas; ainda que o Estado seja apenas 3,5% do concerto nacional, nossas ações culturais nada devem aos demais pólos de cultura do país. E a atual presidente da AGEPEL não contribuiu com nada para essa valorização.

No turbulento ano de 1968, na Universidade Católica de Goiás, aprendi, de tanto ouvir e constatar, que autoridade é conhecimento. Acho que essa frase não ecoava na mente de alguns alunos, pois, sabendo que os professores da UCG eram os mesmos da Universidade Federal, os alunos “de lá” deviam, também, ter ouvido a prédica.

Pela imprensa, lemos que autoridade é quem obteve votos, ou se fez investir do poder de mando e (ou) decisão pelo legítimo caminho do concurso; ou ainda pela caneta poderosa dos que, temporariamente, ocupam tronos; por serem os anos da ditadura, aqueles desde 1964, vimos acontecer arbítrios que atentaram contra a liberdade, a dignidade e até mesmo contra a vida.

Daqueles tempos, algumas vítimas (ou a gente imaginava vítimas algumas pessoas) trocaram de lado e começaram a se sentir tão ou mais poderosas que os de fardas e estrelas. Sim: há pessoas, entre os perseguidos daqueles tempos, que não poderiam mesmo, em regime de exceção, exercer cargos públicos, pois, mesmo em tempos de liberdade - esta liberdade que nos permite até xingar o Presidente da República – cometem arbítrios como se tudo pudessem. E querem nos forçar a engolir suas decisões arbitrárias, truculentas e inoportunas.

A gente nao quer mais, sra. presidente! Nossas goelas já engoliram o que não era de bom gosto; agora, podemos dizer não.