0 fato de Goiânia ser uma cidade construída com parcos recursos e nada existir de pomposo ou que tenha grande destaque arquitetônico, faz com que digam que a sua arquitetura é “sem muita expressão”. Engano, o conjunto arquitetônico é o da época, tem valor histórico e tem que ser preservado. Hoje, acham que ainda é muito recente toda a historia da cidade, realmente é, mas é o nosso antigo. A cidade teve um projeto, um plano diretor, regulamentações para as construções, enfim, um estudo urbanístico. Tudo foi aprovado por Decretos do Governo e realizado estritamente dentro de um orçamento apertado, mas suficiente para dar continuidade à mudança da Capital. @
Quando Goiânia completou 25 anos de existência, Pedro Ludovico, escreveu: “Nasci na velha Goiás, ali passei minha infância, a minha juventude, ali bebi muitos ensinamentos que tiveram uma influência profunda na formação do meu caráter. Construí Goiânia com muito sacrifício, com muito amor e com muito idealismo. E Goiânia aí está. Bonita, alegre e progressista. Não desejaria que passasse de 500 mil habitantes. Mas, atingirá milhões.” *
Atingiu os milhões temidos por seu fundador, mas não é isso que preocupa e sim as constantes mudanças que ocorrem e já ocorreram em suas edificações, praças, monumentos, que cada Governo, usando de seu poder, “decreta” e faz o que acha necessário, desvirtuando e destruindo o que é histórico, cometendo um erro irrecuperável – caso da Praça Pedro Ludovico e seu obelisco central, da Santa Casa, da Igreja Batista e de outros.
A modéstia de Dr. Pedro o fez avesso a homenagens, repassando para os seus descendentes esta característica raríssima no ser humano. Modéstia a parte, está passando da hora de manifestar desejos guardados com a família, pois "não fica bem a própria pessoa falar de si mesmo, muito menos se elogiar, é pedante".
Por causa desta M0DÉSTIA, a família tem aguardado há anos que seja construído um Memorial digno de seu ato e em conjunto seja instalada a estátua dele montado a cavalo - da artista Neusa Moraes. É necessário a edificação do conjunto, que preserve a Historia.
É inconcebível separar Dr. Pedro do conjunto de sua obra.
A sua estátua deve ser instalada junto ao Centro Histórico de Goiânia, na Praça que leva seu nome, Praça Pedro Ludovico (antiga Praça Cívica)? 0u em outro local?
Quem visita Goiânia, vai à Praça Pedro Ludovico, ao Museu Pedro Ludovico (residência da família de Pedro) na rua Gercina Borges e fica por ali, aonde se centraliza a historia de Goiânia. Porque colocar o autor da historia em outro local?
Textos de Maria Dulce Loyola Teixeira ou outros, previamente, aprovados, sobre histórias goianas importantes para a família da administradora da página que tenha relação com os pioneiros de Goiânia, com genealogia e com a cultura e história do Estado de Goiás. Foto: casa da família de Pedro Ludovico em Goiânia, hoje Museu.
QUEM SOU EU

- Maria Dulce Loyola Teixeira
- Goiânia, Goiás, Brazil
- Escrevemos sobre assuntos ligados à história goiana, genealogia, artes, artesanato e assuntos de interesse de nossa família. Portanto, esse espaço pertence a uma pessoa somente, é público, todos podem ler se quiser, pois aqui publicamos vários tipos de assuntos, a grande maioria dos leitores se manifesta positivamente e com elogios, o que agradecemos muito. Os comentários devem ser acompanhados de identificação, com email, para que sua opinião seja publicada.
terça-feira, 8 de junho de 2010
Clenon de Baros Loyola - Meu Pai - Homenagem da ASMEG0
tantas homenagens meu pai continua a receber, mesmo passados 21 anos de sua morte. A família participa, comparece, emociona, agradece... Uma saudade imensa de sua presença...
Com minha mãe, Suely, visivelmente emocionada, às 19 horas, nos dirigimos para a sede da ASMEG0 para receber a homenagem ao meu Pai.
Em cerimonia dirigida pela juíza da 2a Vara de Família, Maria Luíza Povoa, com a presença da família e de pessoas do judiciário goiano deu-se a solenidade em que se denominou de Presidente Clenon de Barros Loyola, o auditorio da sede da ASMEG0.
Aí se pergunta porque as homenagens a meu Pai continuam constantes? São muitas. Tanto em Goiânia quanto no interior. Cada uma com a sua singularidade, sempre emocionando demais a família.
Meu pai sempre desempenhou com dedicação e muita responsabilidade os cargos que assumiu. Não que seja um privilégio, mas é que seu caráter assim exigia que ele agisse. Para ele era dever ser correto, desempenhar qualquer atividade respeitando os princípios éticos e cristãos. Talvez por isso tenha deixado marcas que não se apagam, mesmo passados tantos anos apos a sua morte.
Logo depois que ele se foi, disseram para mim: "foi grande sem querer sê-lo, no cumprimento de seu dever." Exatamente o que ele fez a sua vida toda, cumpriu o seu dever, sem vislumbrar reconhecimentos e honrarias.
"Simples, como era, ele deve assistir, lá da mansão dos justos, com acanhamento, toda essa consagração postuma a que fez jus". E, certamente, sorri, tímido, achando um exagero. Mas ele merece, trabalhou para isso.
Com muito orgulho reconheço que a sua missão na terra foi brilhante, foi um ser humano ímpar, impossível esquecê-lo, continuará, creio eu, lembrado, citado e reverenciado.
Em meu nome e da família agradeço ao Dr. Átila Naves Amaral, Presidente da ASMEG0, Desembargador Paulo Teles, Presidente do Tribunal de Justiça. Agradecemos, ressaltando nossa amizade, admiração e carinho a nossa querida amiga e "protegida" de meu pai (ela diz que meu pai a inspira), a juíza Dra. Maria Luiza Povoa, pela significante homenagem, registrada em bronze, em lugar de honra à esquerda da entrada da sede, bem diante de todos que ali frequentam. Auditorio Presidente Des. Clenon de Barros Loyola.
Com minha mãe, Suely, visivelmente emocionada, às 19 horas, nos dirigimos para a sede da ASMEG0 para receber a homenagem ao meu Pai.
Em cerimonia dirigida pela juíza da 2a Vara de Família, Maria Luíza Povoa, com a presença da família e de pessoas do judiciário goiano deu-se a solenidade em que se denominou de Presidente Clenon de Barros Loyola, o auditorio da sede da ASMEG0.
Aí se pergunta porque as homenagens a meu Pai continuam constantes? São muitas. Tanto em Goiânia quanto no interior. Cada uma com a sua singularidade, sempre emocionando demais a família.
Meu pai sempre desempenhou com dedicação e muita responsabilidade os cargos que assumiu. Não que seja um privilégio, mas é que seu caráter assim exigia que ele agisse. Para ele era dever ser correto, desempenhar qualquer atividade respeitando os princípios éticos e cristãos. Talvez por isso tenha deixado marcas que não se apagam, mesmo passados tantos anos apos a sua morte.
Logo depois que ele se foi, disseram para mim: "foi grande sem querer sê-lo, no cumprimento de seu dever." Exatamente o que ele fez a sua vida toda, cumpriu o seu dever, sem vislumbrar reconhecimentos e honrarias.
"Simples, como era, ele deve assistir, lá da mansão dos justos, com acanhamento, toda essa consagração postuma a que fez jus". E, certamente, sorri, tímido, achando um exagero. Mas ele merece, trabalhou para isso.
Com muito orgulho reconheço que a sua missão na terra foi brilhante, foi um ser humano ímpar, impossível esquecê-lo, continuará, creio eu, lembrado, citado e reverenciado.
Em meu nome e da família agradeço ao Dr. Átila Naves Amaral, Presidente da ASMEG0, Desembargador Paulo Teles, Presidente do Tribunal de Justiça. Agradecemos, ressaltando nossa amizade, admiração e carinho a nossa querida amiga e "protegida" de meu pai (ela diz que meu pai a inspira), a juíza Dra. Maria Luiza Povoa, pela significante homenagem, registrada em bronze, em lugar de honra à esquerda da entrada da sede, bem diante de todos que ali frequentam. Auditorio Presidente Des. Clenon de Barros Loyola.
sábado, 8 de maio de 2010
Ser Goiano
Ser goiano
Li com emoção a crônica O que é ser goiano, de Bariani Ortencio, publicada quinta-feira neste jornal. Ser goiano é uma novidade, se considerarmos que somente a partir de 1749, há 261 anos atrás, passamos a existir. 0 Estado é muito novo, se compararmos à idade do Brasil, 500 anos, ou a de países da Europa com mais de 2000 anos.
Parabéns, Bariani, orgulho-me em ser goiana, goianiense, nascida na extinta Santa Casa, da Avenida Tocantins. Somente sinto uma grande tristeza e me preocupo ao ver monumentos e patrimônios goianos sendo destruídos, às vezes em nome do progresso. É preciso ficar atento ao descaso à história.
Textos como este trazem à memória coisas e fatos históricos que devem ser resguardados como patrimônio goiano, pois o tempo passa e os dados históricos se perdem com as pessoas que morrem e quando estão em papéis são esquecidos e, portanto, perdidos, também.
Vale aqui um pedido: se sua família tem documentos, fotos ou algo que registre a história goiana doe uma cópia deste registro à uma entidade, como Museu Pedro Ludovico ou se informe para qual doar, já que será preciosa a sua doação. Na família essa informação não será histórica, será apenas mais um papel guardado.
Alguém escreveu pejorativamente que goiano é rústico porque destruiu a obra de Siron no Clube Vila Nova. Negativo. Isso é puro vandalismo, total ignorância, tem todo tipo de ser humano em Goiás, assim como em todo lugar. Generalizar ofende. Goiano é o que descreve Bariani.
Maria Dulce Loyola Teixeira
Goiânia – GO
Prezada Maria Dulce
Como foram doces as suas palavras. O que paga a pena escrever é ser lido e comentado. Não adianta falar que gostou ou não, mas, sim, como você fez. Muitíssimo obrigado!
Bariani Ortencio
Li com emoção a crônica O que é ser goiano, de Bariani Ortencio, publicada quinta-feira neste jornal. Ser goiano é uma novidade, se considerarmos que somente a partir de 1749, há 261 anos atrás, passamos a existir. 0 Estado é muito novo, se compararmos à idade do Brasil, 500 anos, ou a de países da Europa com mais de 2000 anos.
Parabéns, Bariani, orgulho-me em ser goiana, goianiense, nascida na extinta Santa Casa, da Avenida Tocantins. Somente sinto uma grande tristeza e me preocupo ao ver monumentos e patrimônios goianos sendo destruídos, às vezes em nome do progresso. É preciso ficar atento ao descaso à história.
Textos como este trazem à memória coisas e fatos históricos que devem ser resguardados como patrimônio goiano, pois o tempo passa e os dados históricos se perdem com as pessoas que morrem e quando estão em papéis são esquecidos e, portanto, perdidos, também.
Vale aqui um pedido: se sua família tem documentos, fotos ou algo que registre a história goiana doe uma cópia deste registro à uma entidade, como Museu Pedro Ludovico ou se informe para qual doar, já que será preciosa a sua doação. Na família essa informação não será histórica, será apenas mais um papel guardado.
Alguém escreveu pejorativamente que goiano é rústico porque destruiu a obra de Siron no Clube Vila Nova. Negativo. Isso é puro vandalismo, total ignorância, tem todo tipo de ser humano em Goiás, assim como em todo lugar. Generalizar ofende. Goiano é o que descreve Bariani.
Maria Dulce Loyola Teixeira
Goiânia – GO
Prezada Maria Dulce
Como foram doces as suas palavras. O que paga a pena escrever é ser lido e comentado. Não adianta falar que gostou ou não, mas, sim, como você fez. Muitíssimo obrigado!
Bariani Ortencio
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Augusta Sócrates Gomes Pinto, do livro "A Mulher, a História e Goiás" de Célia Coutinho, a avó de Mara Públio de Souza Veiga Jardim
Visitando a Cidade de Goiás, Ida Correa Crispim, Carmen Lucia Gomes Leite e eu, ficamos hospedados na casa de Mara Públio de Souza Veiga Jardim, responsável pela manutenção e preservação da Cidade de Goiás, Mara é Secretária de Cultura e Turismo e Professora da Faculdade. É uma grata satisfação passear pela cidade a pé, acompanhadas por uma excelente, não poderia ser melhor, "guia de turismo", passando pelos locais que fazem parte de nossa existência. Sim, pois ali viveram os nossos antepassados e conversando sobre eles descobri que no livro de D. Célia tinha um texto sobre a avó de Mara, copiei e aqui está. Foram 24 horas de alegria, aprendizado e lazer. Obrigada, amiga.

















sábado, 23 de janeiro de 2010
Tereza de Alencastro Caiado de Godoi - irmã de Mario Caiado - padrinho de meu pai - do livro de Célia Coutinho "A Mulher, a Histótia e Goiás"
D.Thereza mãe de Claro Godoi, avô de amigos, grande auxiliar de Pedro Ludovico, amigo de meu Pai Clenon. Para meus amigos, seus netos e, também, em homenagem a tio Mário Caiado, irmão de Thereza casado com tia Nhá, Maria da Aleluia de Barros, padrinhos de meu pai, pessoas que lutaram para edificar com qualidade o Estado de Goiás, em tempos árduos, em que sobressaiam os que realmente amavam a sua terra ou a terra que escolheram para ser sua.













sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Adelaide Carneiro da Rocha Lima, mãe de Miguel da Rocha Lima, que governou Goiás por cinco vezes. Parente de grandes amigos e primos.
domingo, 17 de janeiro de 2010
JOSÉ XAVIER DE ALMEIDA, EX-PRESIDENTE DO ESTADO DE GOIÁS E SUA ESPOSA AMÉLIA AUGUSTA DE MORAIS ALMEIDA
O Texto copiado, integralmente, é de autoria de Célia Coutinho Seixo de Brito, do seu livro “A Mulher, a História e Goiás”. Autorizada a publicação por seu filho, meu primo, Hélio Seixo de Brito Júnior, a quem agradeço.
Embora o livro fale sobre mulheres de Goiás, quando descreve a vida de Amélia Augusta de Morais Almeida, obrigatoriamente, fala de seu marido José Xavier de Almeida, o tio Juca de minha mãe, tendo sido o governante mais jovem que o Estado de Goiás teve, ele com 30 anos ela com 18. Audacioso, fez um governo moderno e cheio de inovações, acabou com os famosos “favores” comuns entre políticos. Por ser inovador e firme, contrariou os interesse dos políticos já acostumados ao “toma lá, dá cá”, foi, injustamente, cassado o seu mandato de Senador pouco depois de ter sido eleito. A vida deste casal é muito interessante, o casal que viveu intensamente, em uma época em que as dificuldades eram imensas para quem morasse no centro do País.
AMÉLIA AUGUSTA DE MORAIS ALMEIDA
A maioria das antigas cidades do Brasil teve seu início em fazendas, geralmente nas imediações das suas capelas, onde os moradores rurais se aglomeravam para a prática de atos religiosos.
No princípio do século XIX Antônio Correa Bueno e seus irmãos, nascidos em Minas Gerais, formaram em terras goianas uma propriedade rural, com capela, em cujo santuário, mais tarde, foi ele sepultado.
Com o correr do tempo, a aglomeração de família de Minas e São Paulo em torno da Igrejinha deu origem a um povoado, que teve o nome de Nossa Senhora do Monte do Carmo. Depois Vila Bela de Morrinhos, devido aos pequenos morros lá existentes e à beleza e fertilidade da região.
Foi elevada a distrito, e em 29 de agosto de 1889, a categoria de cidade, passando a chamar-se simplesmente Morrinhos.
Nesta cidade é que, a 27 de agosto de 1889, nasceu a menina Amélia Augusta, filha do Cel. Hermenegildo de Morais, natural deste Estado e de sua esposa, D. Francisca Carolina de Nazareth, de Uberaba, Estado de Minas Gerais.
O Cel. Hermenegildo, de ótima situação financeira, considerado um dos homens de maior fortuna de Goiás, procurou dar a todos os filhos boa instrução.
Era o hábito das famílias abastadas sustentarem para os filhos professores particulares, que iam lecionar nas cidades do interior e nas fazendas.
Assim, Amélia teve, por primeiro professor particular, o Mestre Idelfonso, com quem ela aprendeu Português, Francês, Geografia, Aritmética e História. Seu primeiro livro de Francês foi “Uma tradução francesa para a infância, de Robinson Crusoé, trazendo no fim uma antologia de poetas Gauleses”.
Iniciado deste modo seu curso primário em Morrinhos, segui mais tarde para o Colégio Nossa Senhora das Dores, de Uberaba, dirigido por irmãs dominicanas, onde cursou até o segundo ano normal.
O Cel. Hermenegildo era homem de grande prestígio político e reconhecido valor pessoal.
Em sua confortável cassa assobradada, hospedavam-se os políticos que, com destino ao Rio de Janeiro, antiga Capital da República, iam a cavalo de Goiás a Uberaba, ponto final da antiga Estrada de Ferro.
Dr. José Xavier de Almeida tinha sido eleito Deputado Federal para a legislatura de 1899 a 1901. Passando por Morrinhos, teve a oportunidade de conhecer aquela que seria sua esposa, de quem ficou noivo, enquanto deputado.
Eleito sem competidor, para o Governo de Goiás, no período de 1902 a 1905, veio para o Rio para tomar posse do cargo de Presidente ( em alguns estados o título era de governador). Nesta ocasião foram celebradas suas núpcias. Casaram-se em 27 de maio de 1901. Ele com 30 anos de idade e ela com 18.
O Ato Civil realizou-se na hospitaleira residência dos pais da noiva, onde se deram três fatos marcante de sua vida: seu batismo, seu casamento e a sua morte. O casamento religioso efetuou-se na Igreja Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Morrinhos.
Pouco tempo depois o casal viajou para Goiás, antiga Capital do Estado, e, a 12 de agosto daquele mesmo ano, Xavier de Almeida assumia a chefia do Governo goiano. Ele, o mais novo Presidente do nosso Estado, e ela até aquela data, a mais nova Primeira Dama (observação de Maria Dulce em 2010 – ainda continuam sendo o casal de dirigentes mais novo que o Estado já teve).
Com simpatia de todos foram condignamente recebidos.
D. Amélia, de educação esmerada, era extremamente polida em suas atitudes. Perspicaz e afável, tornou-se querida e respeitada. Da família do esposo, principalmente, recebia a mais carinhosa acolhida, ao que ela, compreensivamente, sabia corresponder.
Bastante elegante, normalmente vestia-se com Madame Medeiros, famosa modista do rio de Janeiro que preparou boa parte do guarda-roupa da jovem senhora.
Xavier de Almeida era filho de Francisco Xavier de Almeida, honrado chefe de numerosa família e de sua esposa, D. Luíza Isolina da Silva Almeida.
Sem ódio, sem rancores e sem vinganças, o novo Presidente iniciou uma administração profícua e renovadora. Era um idealista. Queria que República como fora proclamada. Seu programa encheu de entusiasmo, estímulo e confiança a juventude de sua terra.
Convocara os reais valores, instruídos e capazes, evitando sua saída para outros Estados em busca de melhor destino, como muitos já haviam feito e de onde nunca mais retornariam a Goiás. Foi nessa época que o nosso Estado começou a aparecer entre os demais.
De sua esclarecida e nova orientação política e social surgiram outros costumes, que vieram quebrar, pelo menos durante seu tempo governamental, os grilhões de uma oligarquia de 20 anos.
No Palácio Conde dos Arcos, o povo era amavelmente recebido; eram-lhe proporcionados agradáveis momentos de cultura, arte e civismo. Os salões palacianos já não eram freqüentados apenas por parentes dos governantes ou privilegiados; neles agora desfilavam também chefes de famílias, senhoras, moças e rapazes da sociedade.
D.Amélia, embora reservada, prestigiava as reuniões e os saraus governamentais, contribuindo para o bom êxito daquelas horas sociais.
No começo do século, as festas em Palácio consistiam de chás e cordiais palestras. Nessas oportunidades, acertavam-se assuntos sociais, políticos e até administrativos. Com isso, quando um Deputado falava em apresentar alguma inovação na Câmara, seus pares perguntavam logo se ela havia tomado chá em Palácio.
Não raro belezas físicas e intelectuais ali se apresentavam. O Poeta Ricardo Paranhos recitava versos de sua autoria. Ele e Sezídio Gama e Silva eram, no dizer de uma octogenária contemporânea, “extraordinárias belezas masculinas.”Luiz do Couto, Josias e Joaquim Augusto Sant’Anna, Heitor de Morais Fleury, Heitor Abrantes, Nero de Macedo, Oscar Fleury, Renato Lacerda, Luiz Xavier de Almeida, irmão do Presidente, e muitos outros, inteligentes e cultos, também marcavam presença nessas recepções.
Dentre as senhoritas que emprestavam ao ambiente alegria e graça, destacavem-se: Nanhã Macedo, Noemi Lisboa, Rosita Godinho escritora, Lambertina Povoa, sempre ao piano, as irmãs Iracema, Coraci e Inaté da Rocha Lima, Engrácia de Almeida, Evangelina Perillo, Anna Augusta e Rosentina Sant’Anna, Amélia Xavier de Almeida, irmã do Presidente e muitas outras.
Das belas festas em Palácio, consta o casamento de uma irmã do Presidente Xavier de Almeida, noticiado pela imprensa:
“A 5 de junho de 10902, deu-se na Igreja Matriz da Boa Morte o casamento religioso da senhorita Anna Xavier de Almeida e senhor Eliseu José Taveira, oficiado pelo Padre Joaquim Confúcio de Amorim. O Ato Civil deu-se na tarde do mesmo dia, no Palácio Conde dos Arcos, culminando dom esplendido baile.”
Desse consórcio é que nasceu a tradicional família Taveira, da cidade de Goiás, ilustre e numerosa, que muito tem contribuído para o engrandecimento de nossa terra. (Observação de Maria Dulce: são meus bisavós)
Três dos filhos de D. Amélia nasceram em Palácio. O primeiro foi o menino José, menino forte, pele clara, cabelo e olhos castanhos. É hoje brilhante intelectual José Xavier de Almeida Júnior, médico, literato, poeta e membro da Academia Goiana de Letras. É casado com D. Domitila dos Santos Fleury de Almeida e residem em Goiânia.
Em seguida nasceu Helena, cuja existência foi um tênue sopro de vida. Faleceu numa casa do Largo do Rosário, onde temporariamente, a família se encontrava, para uma reforma no Palácio. O corpinho de Helena jaz no cemitério São Miguel, de Goiás.
Por essa ocasião havia chegado à Capital um vendedor de túmulos, trazendo consigo duas estátuas de anjo. Eram de “biscuit” e em suave coloração. O anjo sorridente foi colocado no túmulo de Helena e o outro, chorando no túmulo do irmãozinho do Dr. José Fleury, médico de nomeada e político de projeção no Estado. Ambas continuam desfiando a ação destruidora do tempo, conservando magnificamente até a delicadeza das cores.
O terceiro filho do casal, também nascido em Palácio, chamou-se Hermenegildo, em homenagem do avô materno. Diplomou-se em Química Industrial, em Ouro Preto, Minas Gerais, e já é falecido.
D. Amélia constante incentivadora do esposo, muito contribuiu para o bom governo. Inúmeras vezes, nas altas horas da noite, sentiu a solidão de sua alcova, aguardando, vigilante, o marido, que em seu gabinete se desdobrava em trabalhos num incontido desejo de conseguir melhores dias para sua terra.
Bastante tarde, quando calma, toda a cidade dormia, ele se recolhia a seus aposentos. D. Amélia, atenciosamente, ouvia o relato que o esposo lhe fazia sobre os seus projetos e execuções.
Xavier de Almeida “criou a Academia de Direito de Goiás, saneou o Forum politizado, engrandeceu a educação, construiu pontes e estradas, aumentou as rendas públicas, acabou com o velho sistema de nomear cabos eleitorais para os postos como recompensa aos serviços políticos, terminou com desvios de dinheiro público, liquidou com os criminosos profissionais, restabelecendo a paz e as garantias individuais nos municípios”.
Mas as idéias novas do jovem político constituíam perigo ao coronelismo, ao afilhadismo e à familiocracia. Havia elementos decepcionados, que não compreendiam o valor da evolução moralista e renovadora. O secular Palácio Conde dos Arcos era agora repleto de transformações, de acontecimentos inéditos, sonhados, aspirados sinceramente por uns e maliciosamente observados por outros.
Os contentes estavam sob o impulso patriótico de forças idealistas. Os supostos correligionários, alimentados por tendenciosas e calculistas ambições de poderio, decepcionavam-se com as renovações que viriam prejudicar o sistema político até então adotado.
Ansiavam pelo ressurgimento do antigo sistema administrativo e político em que fossem eles os mandatários. Naqueles tempos não havia promoções de caráter social, que fazem da Primeira Dama auxiliar do governo em trabalhos relevantes, prestando à pobreza e aos necessitados valiosa assistência e amparo. Era em Palácio que D. Amélia distribuía esmolas e víveres aos pedintes de Goiás.
Xavier de Almeida havia conseguido encerrar, com brilhantismo, seu período governamental,
José Leopoldo de Bulhões, por uma demissão justa de um seu parente, havia rompido com Xavier de Almeida. Com isso, tentou, sem resultado, uma intervenção em Goiás, pois o Presidente Rodrigues Alves apoiara a boa administração de Xavier de Almeida.
Miguel da Rocha Lima foi o sucessor de Xavier de Almeida. Como este ainda não contasse trinta e cinco anos de idade, não pode ser candidato ao Senado, pois aquela idade era o mínimo exigido legal para tal candidatura. Candidatou-se, então, a deputado federal, sendo eleito pela segunda vez com bela e expressiva votação.
Com D. Amélia segui para o Rio. Nessa época ela esteve presente a inúmeros acontecimentos na metrópole brasileira. Freqüentou festas oficiais, principalmente as realizadas no Itamaraty e no Catete, promovidas pelo Ministro José Maria da Silva Paranhos, Barão do Rio Branco, grande diplomata e habilidoso político, membro da Academia Brasileira de Letras e presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil.
Numa recepção ao General Roca, Presidente da Argentina, D. Amélia assistiu a um pequeno e pitoresco acidente: no salão amarelo do Palácio, com poltronas e sofás dourados, delicados e frágeis, três das filhas ou irmãs do Presidente visitante, robustas e saudáveis, sentaram-se, ao mesmo tempo num sofá e o móvel não resistiu...
No início do século, quando Xavier de Almeida ocupava o cargo legislativo federal, houve uma fase de reflorescimento do teatro com revistas, óperas e operetas. O Brasil recebeu, inclusive da Europa, atores e cantores famosos: Caruso, Eleonora Duse, Tina de Lorenzo, Palmira Bastos e outros renomados artistas.
O velho Teatro Lírico, famoso pela sua acústica e o Teatro Municipal, deslumbrante pela sua decoração e beleza, tiveram admiráveis e inesquecíveis noitadas. Elegantes e belas damas; cavalheiros da alta linhagem, de fraques e cartolas, misturavam-se entre sedas, luxuosas peles e jóias, flores e perfumes, dando àquela casa o máximo de requinte. D. Amélia e seu esposo estavam entre esses elegantes espectadores.
O Rio estava sendo modernizado pelo Prefeito engenheiro Francisco Pereira Passos,. O imortal sanitarista Oswaldo Cruz fazia seu saneamento. Uma exposição nacional atraía a essa metrópoli gente de vários recantos do mundo. A Capital brasileira vivia brilhante período de projeção.
No verão, pelo receio da febre amarela, as famílias dos parlamentares geralmente ficavam em Petrópolis e eles vinham diariamente ao Rio para as sessões da Câmara.
Em 1906 naquela cidade serrana nasceu Álvaro, o quarto filho de D. Amélia. É médico e fazendeiro, reside no Rio.
Foi nessa legislatura que Xavier de Almeida conseguiu do Governo Federal a construção da Ponte Afonso Pena, sobre o Rio Paranaíba, importantíssima obra de ligação dos Estados de Goiás e Minas Gerais.
1908, D. Amélia acompanhou seu marido a Goiás, onde ele vinha participar da reunião do Diretório de seu partido para a escolha dos candidatos à Câmara e ao Senado Federal.
Numa casa assobradada, que serviu de Tribunal da Relação, e mais tarde, demolida para dar lugar ao Form, nasceu-lhe o quinto filho, Paulo, fazendeiro, odontólogo e inspetor de ensino em Morrinhso, casado com D.Odete Maria da Costa Almeida.
Nessa ocasião, deu-se em Goiás, o casamento do Dr. Luiz Xavier de Almeida, irmão do ex-presidente, com D. Coraci, filha do Presidente Rocha Lima. Foi uma bela e elegante festa em Palácio. Comentavam os presentes durante a recepção, que as três mais belas mulheres daquela cerimônia eram: primeiro, a própria noiva; depois, D. Amélia, em elegantíssima “toillete” creme, vinda do Rio; e D. Domitila, esposa de Oscar Fleury. ( observação de Maria Dulce: tio Luiz, carinhosamente chamado de tio Lulu, foi ’unico padrinho de casamento de Suely e Cenon, meus pai, conforme costume da época era somente um casal de cada lado)
Por coincidência, anos depois, casaram-se os filhos dessas duas últimas belas senhoras, Dr. José Xavier de Almeida Júnior e d. Domitila, filha de Oscar Fleury.
Em Goiás, processaram-se as eleições para os representantes federais. Xavier de Almeida foi eleito Senador, derrotando seu contendor José Leopoldo de Bulhões. O bom governo que fizera sustentava ainda seu prestígio. Suas idéias democráticas e sua popularidade transformaram-no para muitos num perigoso político, principalmente com a vitória de seu cunhado Hermenegildo Lopes de Moraes Filho, irmão de D.Amélia, sobre Urbano de Gouveia, para a presid6encia do Estado.
Urgia, pois, o seu afastamento. Teriam que desgasta-lo e desgosta-lo.
O Presidente Miguel da Rocha Lima, seu sucessor, também já não agradava muito a certos políticos. Entre ele e Rocha Lima havia a máxima cordialidade, reforçada pelo casamento de seu irmão Luiz com a Filha do presidente.
Com a vitória para o Senado, Xavier de Almeida e D.Amélia preparavam-se para retornar a Morrinhos, onde deixariam, com a avó materna, os filhos José e Hermenegildo e, de lá, rumariam para o Rio, levando Álvaro e Paulo.
Marcou-se o dia da partida de Goiás. Tudo ajeitado para a longa viagem a cavalo. O ex-presidente, agora Senador, é sigilosamente, avisado de que lhe preparavam uma demonstração de desafeto, à hora da partida.
Xavier de Almeida não era homem de confusão nem violência, mas também não era covarde. O casal guardou reserva sobre o aviso e com isso, certamente, poupou o sacrifício de muitos amigos e correligionários, que sem dúvida, reagiriam em sua defesa. Poderiam deixar a cidade na caladas da noite.Poderiam percorrer as vias mais afastadas e menos movimentadas para esta viagem de que participavam mulheres e crianças. Mas, não, saíram em plena luz do dia e pelo principal caminho, às 11 horas, após o almoço, que lhes oferecera o presidente Rocha Lima.
No Largo da Matriz, onde esta o Palácio do Governo, havia alguma aglomeração. Grupos formados em vários pontos. Uns com intuito de dizerem adeus e levar votos de boa viagem aos seus benfeitores; muitos simplesmente para assistirem à partida do ex-presidente; enquanto numerosos outros eram adversários mal intencionados.
Gente miúda e gente graúda. Era chegado o momento do desabafo, da demonstração de desagrado.
Cochichos e olhares maliciosos faziam pairar no ar uma atmosfera de apreensão.
Xavier de Almeida trajava-se com esmero: montaria branca e amplo chapéu do Chile. Cavalheirescamente ajudou sua admirável esposa, elegantemente vestida com uma bata de cor clara, a ajeitar-se no seu silhão conduzido por Vesúvio, altaneiro e luzidio cavalo preto.
Uma espanhola, babá das crianças, levava consigo a menor.
Terminadas as despedidas com votos de feliz viagem, deram sinal de partida.
Mal começou o cortejo pelo lado do terraço do Palácio, irromperam-se assobios, estalos de bombinhas, traques baianos e foguetes de vaia. Um manifestante mais ousado atira uma carteira de traques na cabeça do Vesúvio. D. Amélia não se perturba: ao contrário, mantém sua postura nobre e firme como o seu caráter. Ela percebera de onde partira aquele indigno, inconseqüente e desprezível insulto. Mas, sem deter-se, sem indecisão, firmou-se em seu animal, que tão bem sabia cavalgar, e, num gesto altivo e resoluto, levantou o chicotinho preso ao pulso por um correntinha de prata, e num rápido açoite, pôs em marcha seu cavalo, embora pudesse punir o insultante.
Um foguete atinge a garupa do animal montado pelo fiel camarada baiano, alcunhado de Charuteiro, que levava consigo no colo o pequeno Hermenegildo. Assustado o cavalo dispara pela rua do Horto acima, por detrás da igreja da Boa Morte. Só muito distante, o bom cavaleiro consegue sofreá-lo.
Tudo feito à moda do tempo. Eram coisas da época.
E, assim, uma grande Dama e um dos maiores homens público de Goiás deixavam a Metrópole para jamais a ela retornar.
Por esse tempo, José Leopoldo de Bulhões, competidor de Xavier de Almeida ao Senado Federal, vinha articulando uma revolução em Goiás, sob a orientação do militar Eugênio Jardim, ex- chefe do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro.
Esse oficial goiano retornava à sua terra especialmente para isso, trazido por Antônio de Ramos Caiado, político descontente com a situação. Os dissidentes do governo articularam-se com ele para a deposição do Presidente Rocha Lima, cuja orientação governamental não lhes agradava.
O Cel. Eugênio Jardim, em Goiás, casou-se com D. Diva Caiado, mulher de rara beleza e política de pulso forte, irmã de Antônio de Ramos Caiado.
O Estado passava por séria agitação política. Nessa ocasião houve a dualidade de poderes de que falava o ilustre historiador Zoroatro Artiaga: “Foi uma excrecência que o Brasil ainda não conhecia, em razão das leis votadas ao apagar das luzes no Congresso Nacional. Tivemos duas Câmaras Legislativas Estaduais e dois Senados. Dois Senados funcionaram ao mesmo tempo, em ruas diferentes e duas Assembléias Legislativas também..Levou vantagem quem estava em prédio próprio, e com o arquivo, que fora o ponto para a vitória. As eleições tinha sido apuradas por duas Juntas Federais, de vez que o Sanador Bulhões tinha conseguido nomear uma nova Junta Apuradora de sua confiança, quando a Junta Apuradora antiga não tinha terminado o seu mandato. O resultado foi que tivemos também dois Presidentes empossados. Rocha Lima, que recebera o Governo de Xavier de Almeida, levava a melhor, porque estava em palácio e manobrava não só a Polícia como Batalhões Patrióticos, para garantirem o governo constituído legalmente.
“Nessa oportunidade dois jornais de digladiavam: o Goiás e a Imprensa. O primeiro era bulhonista e o outro, xavierista. Surgiu um terceiro: a Tribuna, de propriedade e direção de Benedito Monteiro Guimarães e José Antônio de Jesus, dando apoio a Xavier de Almeida.”.
Os correligionários de Xavier de Almeida reagiram reforçando o pedido de forças federais para defender a situação. A comunicação com o Rio estava sendo feita em Palmeiras, antigo Alemão, onde a linha telegráfica ainda não tinha sido cortada. O 8o B.C. é mandado para garantir o Presidente Rocha Lima e evitar o esbulho de mandatos, abortando a revolução.
Infelizmente, nessa conjuntura, a morte de Afonso Pena e João Pinheiro, que tudo faziam para evitar que os eleitos pelo povo fossem depurados, concorreu para que, no Senado, fosse prejudicado Xavier de Almeida. A bancada mineira cindiu-se dando ganho de causa a Bulhões.
As tropas viam a pé de Uberabinha, hoje Uberlândia, e na passagem por Morrinhos, acamparam em torno de uma igrejinha, no alto da cidade, onde é hoje o Ginásio Senador Hermenegildo de Morais.
Quase toda a população foi ver os soldados, inclusive o menino José Xavier de Almeida Júnior, com sete anos de idade, que ainda se recorda de um militar graduado, dirigindo-se a ele, disse: “Este é filho do chefe”.
Com o falecimento de Afonso Pena, Nilo Peçanha ficou sendo Presidente da República. Seu apoio a Bulhões fez com que o 8o B.C., vindo para sufocar a revolução, passasse a apoiar o movimento rebelde.
Rocha Lima renuncia. Assume o exercício do alto cargo o primeiro Vice-Presidente, Francisco Bertholdo, que também, por sua vez, passa o governo ao segundo Vice, José da Silva Batista. Este, embora, articulado com a Revolução, igualmente não quis ficar na Presidência, sendo, então, empossado no governo revolucionário Urbano cunha de Gouveia, que havia sido derrotado nas eleições por Hermenegildo Lopes de Morais Filho.
Foi nessa época que se iniciou, em Goiás, a fase política que se chamou Caiadismo, de 1909n a 1930, sucedendo ao Bulhonismo, que durara vinte anos.
Com a depuração de Xavier de Almeida do cargo de Senador, D. Amélia e o esposo injustiçado, que apenas passariam em Morrinhos em direção ao Rio, ali permaneceram temporariamente, quando lhes nasce o filho Guilherme, falecido há pouco, e que foi bacharel em direito, escritor, deputado estadual e federal, tabelião, fazendeiro e membro da Academia Goiana de Letras.
Por motivos políticos, o ilustre casal Xavier de Almeida ausentou-se de Goiás por mais de três anos.
Em Juiz de Fora, nasceu-lhe a filha Maria Luiza, normalista, casada com o médico Taciano de Melo.
De 1913 em diante, passaram a viver de novo, e definitivamente em Morrinhos, onde tiveram os últimos filhos: Francisco, professor da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Goiás, casado com Enid Gagliardi de Almeida.
Maria Helena, normalista e religiosa, pertence à Congregação das Irmãs Franciscanas do Sagrado Coração de Jesus, onde tem o nome de irmã Leônia.
Maria Amélia, normalista, casada com Eugênio Sacramento da Silva, ex bancário e fazendeiro, reside em Brasília.
Alberto, o caçula, advogado, morador também em Brasília, casado com Stela Meireles de Almeida.
As filhas de D. Amélia, tanto as casadas como a freira, são formosas e dignas mulheres.
Em 1916, os amigos de Xavier de Almeida, insistiram para que ele aceitasse, mais uma vez, sua candidatura à presidência do Estado. Eles eram maioria no Diretório do Partido situacionista. Por falta de unanimidade, desprendidamente, declinou do convite.
Desse tempo em diante, D. Amélia e seu esposo passaram a dedicar-se com desvelo aos estudos dos filhos e a cuidar mais atentamente dos interesses particulares.
D. Amélia muito havia dado da sua comodidade, do seu descanso, sacrificando-se bondosamente pelo bem estar da gente goiana. Muito piedosa e liberal, prestou grande assistência aos necessitados e à Igreja.
A 23 de agosto de 1943, com sessenta anos de idade, faleceu, em Morrinhos, esta virtuosa senhora, que soubera, em todas as vicissitudes, ser meiga, esposa e incondicional companheira.
Treze anos após melancólica viuvez, morreu o ex presidente de Goiás José Xavier de Almeida.
Seus filhos deram-lhe um túmulo igual ao que ele escolhera para o descanso eterno de sua companheira amada.
No Cemitério São Miguel, de Morrinhos, juntos, como viveram, repousam, lado a lado, D. Amélia e seu esposo na serena e fria quietude da sepultura.
Embora o livro fale sobre mulheres de Goiás, quando descreve a vida de Amélia Augusta de Morais Almeida, obrigatoriamente, fala de seu marido José Xavier de Almeida, o tio Juca de minha mãe, tendo sido o governante mais jovem que o Estado de Goiás teve, ele com 30 anos ela com 18. Audacioso, fez um governo moderno e cheio de inovações, acabou com os famosos “favores” comuns entre políticos. Por ser inovador e firme, contrariou os interesse dos políticos já acostumados ao “toma lá, dá cá”, foi, injustamente, cassado o seu mandato de Senador pouco depois de ter sido eleito. A vida deste casal é muito interessante, o casal que viveu intensamente, em uma época em que as dificuldades eram imensas para quem morasse no centro do País.
AMÉLIA AUGUSTA DE MORAIS ALMEIDA
A maioria das antigas cidades do Brasil teve seu início em fazendas, geralmente nas imediações das suas capelas, onde os moradores rurais se aglomeravam para a prática de atos religiosos.
No princípio do século XIX Antônio Correa Bueno e seus irmãos, nascidos em Minas Gerais, formaram em terras goianas uma propriedade rural, com capela, em cujo santuário, mais tarde, foi ele sepultado.
Com o correr do tempo, a aglomeração de família de Minas e São Paulo em torno da Igrejinha deu origem a um povoado, que teve o nome de Nossa Senhora do Monte do Carmo. Depois Vila Bela de Morrinhos, devido aos pequenos morros lá existentes e à beleza e fertilidade da região.
Foi elevada a distrito, e em 29 de agosto de 1889, a categoria de cidade, passando a chamar-se simplesmente Morrinhos.
Nesta cidade é que, a 27 de agosto de 1889, nasceu a menina Amélia Augusta, filha do Cel. Hermenegildo de Morais, natural deste Estado e de sua esposa, D. Francisca Carolina de Nazareth, de Uberaba, Estado de Minas Gerais.
O Cel. Hermenegildo, de ótima situação financeira, considerado um dos homens de maior fortuna de Goiás, procurou dar a todos os filhos boa instrução.
Era o hábito das famílias abastadas sustentarem para os filhos professores particulares, que iam lecionar nas cidades do interior e nas fazendas.
Assim, Amélia teve, por primeiro professor particular, o Mestre Idelfonso, com quem ela aprendeu Português, Francês, Geografia, Aritmética e História. Seu primeiro livro de Francês foi “Uma tradução francesa para a infância, de Robinson Crusoé, trazendo no fim uma antologia de poetas Gauleses”.
Iniciado deste modo seu curso primário em Morrinhos, segui mais tarde para o Colégio Nossa Senhora das Dores, de Uberaba, dirigido por irmãs dominicanas, onde cursou até o segundo ano normal.
O Cel. Hermenegildo era homem de grande prestígio político e reconhecido valor pessoal.
Em sua confortável cassa assobradada, hospedavam-se os políticos que, com destino ao Rio de Janeiro, antiga Capital da República, iam a cavalo de Goiás a Uberaba, ponto final da antiga Estrada de Ferro.
Dr. José Xavier de Almeida tinha sido eleito Deputado Federal para a legislatura de 1899 a 1901. Passando por Morrinhos, teve a oportunidade de conhecer aquela que seria sua esposa, de quem ficou noivo, enquanto deputado.
Eleito sem competidor, para o Governo de Goiás, no período de 1902 a 1905, veio para o Rio para tomar posse do cargo de Presidente ( em alguns estados o título era de governador). Nesta ocasião foram celebradas suas núpcias. Casaram-se em 27 de maio de 1901. Ele com 30 anos de idade e ela com 18.
O Ato Civil realizou-se na hospitaleira residência dos pais da noiva, onde se deram três fatos marcante de sua vida: seu batismo, seu casamento e a sua morte. O casamento religioso efetuou-se na Igreja Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Morrinhos.
Pouco tempo depois o casal viajou para Goiás, antiga Capital do Estado, e, a 12 de agosto daquele mesmo ano, Xavier de Almeida assumia a chefia do Governo goiano. Ele, o mais novo Presidente do nosso Estado, e ela até aquela data, a mais nova Primeira Dama (observação de Maria Dulce em 2010 – ainda continuam sendo o casal de dirigentes mais novo que o Estado já teve).
Com simpatia de todos foram condignamente recebidos.
D. Amélia, de educação esmerada, era extremamente polida em suas atitudes. Perspicaz e afável, tornou-se querida e respeitada. Da família do esposo, principalmente, recebia a mais carinhosa acolhida, ao que ela, compreensivamente, sabia corresponder.
Bastante elegante, normalmente vestia-se com Madame Medeiros, famosa modista do rio de Janeiro que preparou boa parte do guarda-roupa da jovem senhora.
Xavier de Almeida era filho de Francisco Xavier de Almeida, honrado chefe de numerosa família e de sua esposa, D. Luíza Isolina da Silva Almeida.
Sem ódio, sem rancores e sem vinganças, o novo Presidente iniciou uma administração profícua e renovadora. Era um idealista. Queria que República como fora proclamada. Seu programa encheu de entusiasmo, estímulo e confiança a juventude de sua terra.
Convocara os reais valores, instruídos e capazes, evitando sua saída para outros Estados em busca de melhor destino, como muitos já haviam feito e de onde nunca mais retornariam a Goiás. Foi nessa época que o nosso Estado começou a aparecer entre os demais.
De sua esclarecida e nova orientação política e social surgiram outros costumes, que vieram quebrar, pelo menos durante seu tempo governamental, os grilhões de uma oligarquia de 20 anos.
No Palácio Conde dos Arcos, o povo era amavelmente recebido; eram-lhe proporcionados agradáveis momentos de cultura, arte e civismo. Os salões palacianos já não eram freqüentados apenas por parentes dos governantes ou privilegiados; neles agora desfilavam também chefes de famílias, senhoras, moças e rapazes da sociedade.
D.Amélia, embora reservada, prestigiava as reuniões e os saraus governamentais, contribuindo para o bom êxito daquelas horas sociais.
No começo do século, as festas em Palácio consistiam de chás e cordiais palestras. Nessas oportunidades, acertavam-se assuntos sociais, políticos e até administrativos. Com isso, quando um Deputado falava em apresentar alguma inovação na Câmara, seus pares perguntavam logo se ela havia tomado chá em Palácio.
Não raro belezas físicas e intelectuais ali se apresentavam. O Poeta Ricardo Paranhos recitava versos de sua autoria. Ele e Sezídio Gama e Silva eram, no dizer de uma octogenária contemporânea, “extraordinárias belezas masculinas.”Luiz do Couto, Josias e Joaquim Augusto Sant’Anna, Heitor de Morais Fleury, Heitor Abrantes, Nero de Macedo, Oscar Fleury, Renato Lacerda, Luiz Xavier de Almeida, irmão do Presidente, e muitos outros, inteligentes e cultos, também marcavam presença nessas recepções.
Dentre as senhoritas que emprestavam ao ambiente alegria e graça, destacavem-se: Nanhã Macedo, Noemi Lisboa, Rosita Godinho escritora, Lambertina Povoa, sempre ao piano, as irmãs Iracema, Coraci e Inaté da Rocha Lima, Engrácia de Almeida, Evangelina Perillo, Anna Augusta e Rosentina Sant’Anna, Amélia Xavier de Almeida, irmã do Presidente e muitas outras.
Das belas festas em Palácio, consta o casamento de uma irmã do Presidente Xavier de Almeida, noticiado pela imprensa:
“A 5 de junho de 10902, deu-se na Igreja Matriz da Boa Morte o casamento religioso da senhorita Anna Xavier de Almeida e senhor Eliseu José Taveira, oficiado pelo Padre Joaquim Confúcio de Amorim. O Ato Civil deu-se na tarde do mesmo dia, no Palácio Conde dos Arcos, culminando dom esplendido baile.”
Desse consórcio é que nasceu a tradicional família Taveira, da cidade de Goiás, ilustre e numerosa, que muito tem contribuído para o engrandecimento de nossa terra. (Observação de Maria Dulce: são meus bisavós)
Três dos filhos de D. Amélia nasceram em Palácio. O primeiro foi o menino José, menino forte, pele clara, cabelo e olhos castanhos. É hoje brilhante intelectual José Xavier de Almeida Júnior, médico, literato, poeta e membro da Academia Goiana de Letras. É casado com D. Domitila dos Santos Fleury de Almeida e residem em Goiânia.
Em seguida nasceu Helena, cuja existência foi um tênue sopro de vida. Faleceu numa casa do Largo do Rosário, onde temporariamente, a família se encontrava, para uma reforma no Palácio. O corpinho de Helena jaz no cemitério São Miguel, de Goiás.
Por essa ocasião havia chegado à Capital um vendedor de túmulos, trazendo consigo duas estátuas de anjo. Eram de “biscuit” e em suave coloração. O anjo sorridente foi colocado no túmulo de Helena e o outro, chorando no túmulo do irmãozinho do Dr. José Fleury, médico de nomeada e político de projeção no Estado. Ambas continuam desfiando a ação destruidora do tempo, conservando magnificamente até a delicadeza das cores.
O terceiro filho do casal, também nascido em Palácio, chamou-se Hermenegildo, em homenagem do avô materno. Diplomou-se em Química Industrial, em Ouro Preto, Minas Gerais, e já é falecido.
D. Amélia constante incentivadora do esposo, muito contribuiu para o bom governo. Inúmeras vezes, nas altas horas da noite, sentiu a solidão de sua alcova, aguardando, vigilante, o marido, que em seu gabinete se desdobrava em trabalhos num incontido desejo de conseguir melhores dias para sua terra.
Bastante tarde, quando calma, toda a cidade dormia, ele se recolhia a seus aposentos. D. Amélia, atenciosamente, ouvia o relato que o esposo lhe fazia sobre os seus projetos e execuções.
Xavier de Almeida “criou a Academia de Direito de Goiás, saneou o Forum politizado, engrandeceu a educação, construiu pontes e estradas, aumentou as rendas públicas, acabou com o velho sistema de nomear cabos eleitorais para os postos como recompensa aos serviços políticos, terminou com desvios de dinheiro público, liquidou com os criminosos profissionais, restabelecendo a paz e as garantias individuais nos municípios”.
Mas as idéias novas do jovem político constituíam perigo ao coronelismo, ao afilhadismo e à familiocracia. Havia elementos decepcionados, que não compreendiam o valor da evolução moralista e renovadora. O secular Palácio Conde dos Arcos era agora repleto de transformações, de acontecimentos inéditos, sonhados, aspirados sinceramente por uns e maliciosamente observados por outros.
Os contentes estavam sob o impulso patriótico de forças idealistas. Os supostos correligionários, alimentados por tendenciosas e calculistas ambições de poderio, decepcionavam-se com as renovações que viriam prejudicar o sistema político até então adotado.
Ansiavam pelo ressurgimento do antigo sistema administrativo e político em que fossem eles os mandatários. Naqueles tempos não havia promoções de caráter social, que fazem da Primeira Dama auxiliar do governo em trabalhos relevantes, prestando à pobreza e aos necessitados valiosa assistência e amparo. Era em Palácio que D. Amélia distribuía esmolas e víveres aos pedintes de Goiás.
Xavier de Almeida havia conseguido encerrar, com brilhantismo, seu período governamental,
José Leopoldo de Bulhões, por uma demissão justa de um seu parente, havia rompido com Xavier de Almeida. Com isso, tentou, sem resultado, uma intervenção em Goiás, pois o Presidente Rodrigues Alves apoiara a boa administração de Xavier de Almeida.
Miguel da Rocha Lima foi o sucessor de Xavier de Almeida. Como este ainda não contasse trinta e cinco anos de idade, não pode ser candidato ao Senado, pois aquela idade era o mínimo exigido legal para tal candidatura. Candidatou-se, então, a deputado federal, sendo eleito pela segunda vez com bela e expressiva votação.
Com D. Amélia segui para o Rio. Nessa época ela esteve presente a inúmeros acontecimentos na metrópole brasileira. Freqüentou festas oficiais, principalmente as realizadas no Itamaraty e no Catete, promovidas pelo Ministro José Maria da Silva Paranhos, Barão do Rio Branco, grande diplomata e habilidoso político, membro da Academia Brasileira de Letras e presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil.
Numa recepção ao General Roca, Presidente da Argentina, D. Amélia assistiu a um pequeno e pitoresco acidente: no salão amarelo do Palácio, com poltronas e sofás dourados, delicados e frágeis, três das filhas ou irmãs do Presidente visitante, robustas e saudáveis, sentaram-se, ao mesmo tempo num sofá e o móvel não resistiu...
No início do século, quando Xavier de Almeida ocupava o cargo legislativo federal, houve uma fase de reflorescimento do teatro com revistas, óperas e operetas. O Brasil recebeu, inclusive da Europa, atores e cantores famosos: Caruso, Eleonora Duse, Tina de Lorenzo, Palmira Bastos e outros renomados artistas.
O velho Teatro Lírico, famoso pela sua acústica e o Teatro Municipal, deslumbrante pela sua decoração e beleza, tiveram admiráveis e inesquecíveis noitadas. Elegantes e belas damas; cavalheiros da alta linhagem, de fraques e cartolas, misturavam-se entre sedas, luxuosas peles e jóias, flores e perfumes, dando àquela casa o máximo de requinte. D. Amélia e seu esposo estavam entre esses elegantes espectadores.
O Rio estava sendo modernizado pelo Prefeito engenheiro Francisco Pereira Passos,. O imortal sanitarista Oswaldo Cruz fazia seu saneamento. Uma exposição nacional atraía a essa metrópoli gente de vários recantos do mundo. A Capital brasileira vivia brilhante período de projeção.
No verão, pelo receio da febre amarela, as famílias dos parlamentares geralmente ficavam em Petrópolis e eles vinham diariamente ao Rio para as sessões da Câmara.
Em 1906 naquela cidade serrana nasceu Álvaro, o quarto filho de D. Amélia. É médico e fazendeiro, reside no Rio.
Foi nessa legislatura que Xavier de Almeida conseguiu do Governo Federal a construção da Ponte Afonso Pena, sobre o Rio Paranaíba, importantíssima obra de ligação dos Estados de Goiás e Minas Gerais.
1908, D. Amélia acompanhou seu marido a Goiás, onde ele vinha participar da reunião do Diretório de seu partido para a escolha dos candidatos à Câmara e ao Senado Federal.
Numa casa assobradada, que serviu de Tribunal da Relação, e mais tarde, demolida para dar lugar ao Form, nasceu-lhe o quinto filho, Paulo, fazendeiro, odontólogo e inspetor de ensino em Morrinhso, casado com D.Odete Maria da Costa Almeida.
Nessa ocasião, deu-se em Goiás, o casamento do Dr. Luiz Xavier de Almeida, irmão do ex-presidente, com D. Coraci, filha do Presidente Rocha Lima. Foi uma bela e elegante festa em Palácio. Comentavam os presentes durante a recepção, que as três mais belas mulheres daquela cerimônia eram: primeiro, a própria noiva; depois, D. Amélia, em elegantíssima “toillete” creme, vinda do Rio; e D. Domitila, esposa de Oscar Fleury. ( observação de Maria Dulce: tio Luiz, carinhosamente chamado de tio Lulu, foi ’unico padrinho de casamento de Suely e Cenon, meus pai, conforme costume da época era somente um casal de cada lado)
Por coincidência, anos depois, casaram-se os filhos dessas duas últimas belas senhoras, Dr. José Xavier de Almeida Júnior e d. Domitila, filha de Oscar Fleury.
Em Goiás, processaram-se as eleições para os representantes federais. Xavier de Almeida foi eleito Senador, derrotando seu contendor José Leopoldo de Bulhões. O bom governo que fizera sustentava ainda seu prestígio. Suas idéias democráticas e sua popularidade transformaram-no para muitos num perigoso político, principalmente com a vitória de seu cunhado Hermenegildo Lopes de Moraes Filho, irmão de D.Amélia, sobre Urbano de Gouveia, para a presid6encia do Estado.
Urgia, pois, o seu afastamento. Teriam que desgasta-lo e desgosta-lo.
O Presidente Miguel da Rocha Lima, seu sucessor, também já não agradava muito a certos políticos. Entre ele e Rocha Lima havia a máxima cordialidade, reforçada pelo casamento de seu irmão Luiz com a Filha do presidente.
Com a vitória para o Senado, Xavier de Almeida e D.Amélia preparavam-se para retornar a Morrinhos, onde deixariam, com a avó materna, os filhos José e Hermenegildo e, de lá, rumariam para o Rio, levando Álvaro e Paulo.
Marcou-se o dia da partida de Goiás. Tudo ajeitado para a longa viagem a cavalo. O ex-presidente, agora Senador, é sigilosamente, avisado de que lhe preparavam uma demonstração de desafeto, à hora da partida.
Xavier de Almeida não era homem de confusão nem violência, mas também não era covarde. O casal guardou reserva sobre o aviso e com isso, certamente, poupou o sacrifício de muitos amigos e correligionários, que sem dúvida, reagiriam em sua defesa. Poderiam deixar a cidade na caladas da noite.Poderiam percorrer as vias mais afastadas e menos movimentadas para esta viagem de que participavam mulheres e crianças. Mas, não, saíram em plena luz do dia e pelo principal caminho, às 11 horas, após o almoço, que lhes oferecera o presidente Rocha Lima.
No Largo da Matriz, onde esta o Palácio do Governo, havia alguma aglomeração. Grupos formados em vários pontos. Uns com intuito de dizerem adeus e levar votos de boa viagem aos seus benfeitores; muitos simplesmente para assistirem à partida do ex-presidente; enquanto numerosos outros eram adversários mal intencionados.
Gente miúda e gente graúda. Era chegado o momento do desabafo, da demonstração de desagrado.
Cochichos e olhares maliciosos faziam pairar no ar uma atmosfera de apreensão.
Xavier de Almeida trajava-se com esmero: montaria branca e amplo chapéu do Chile. Cavalheirescamente ajudou sua admirável esposa, elegantemente vestida com uma bata de cor clara, a ajeitar-se no seu silhão conduzido por Vesúvio, altaneiro e luzidio cavalo preto.
Uma espanhola, babá das crianças, levava consigo a menor.
Terminadas as despedidas com votos de feliz viagem, deram sinal de partida.
Mal começou o cortejo pelo lado do terraço do Palácio, irromperam-se assobios, estalos de bombinhas, traques baianos e foguetes de vaia. Um manifestante mais ousado atira uma carteira de traques na cabeça do Vesúvio. D. Amélia não se perturba: ao contrário, mantém sua postura nobre e firme como o seu caráter. Ela percebera de onde partira aquele indigno, inconseqüente e desprezível insulto. Mas, sem deter-se, sem indecisão, firmou-se em seu animal, que tão bem sabia cavalgar, e, num gesto altivo e resoluto, levantou o chicotinho preso ao pulso por um correntinha de prata, e num rápido açoite, pôs em marcha seu cavalo, embora pudesse punir o insultante.
Um foguete atinge a garupa do animal montado pelo fiel camarada baiano, alcunhado de Charuteiro, que levava consigo no colo o pequeno Hermenegildo. Assustado o cavalo dispara pela rua do Horto acima, por detrás da igreja da Boa Morte. Só muito distante, o bom cavaleiro consegue sofreá-lo.
Tudo feito à moda do tempo. Eram coisas da época.
E, assim, uma grande Dama e um dos maiores homens público de Goiás deixavam a Metrópole para jamais a ela retornar.
Por esse tempo, José Leopoldo de Bulhões, competidor de Xavier de Almeida ao Senado Federal, vinha articulando uma revolução em Goiás, sob a orientação do militar Eugênio Jardim, ex- chefe do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro.
Esse oficial goiano retornava à sua terra especialmente para isso, trazido por Antônio de Ramos Caiado, político descontente com a situação. Os dissidentes do governo articularam-se com ele para a deposição do Presidente Rocha Lima, cuja orientação governamental não lhes agradava.
O Cel. Eugênio Jardim, em Goiás, casou-se com D. Diva Caiado, mulher de rara beleza e política de pulso forte, irmã de Antônio de Ramos Caiado.
O Estado passava por séria agitação política. Nessa ocasião houve a dualidade de poderes de que falava o ilustre historiador Zoroatro Artiaga: “Foi uma excrecência que o Brasil ainda não conhecia, em razão das leis votadas ao apagar das luzes no Congresso Nacional. Tivemos duas Câmaras Legislativas Estaduais e dois Senados. Dois Senados funcionaram ao mesmo tempo, em ruas diferentes e duas Assembléias Legislativas também..Levou vantagem quem estava em prédio próprio, e com o arquivo, que fora o ponto para a vitória. As eleições tinha sido apuradas por duas Juntas Federais, de vez que o Sanador Bulhões tinha conseguido nomear uma nova Junta Apuradora de sua confiança, quando a Junta Apuradora antiga não tinha terminado o seu mandato. O resultado foi que tivemos também dois Presidentes empossados. Rocha Lima, que recebera o Governo de Xavier de Almeida, levava a melhor, porque estava em palácio e manobrava não só a Polícia como Batalhões Patrióticos, para garantirem o governo constituído legalmente.
“Nessa oportunidade dois jornais de digladiavam: o Goiás e a Imprensa. O primeiro era bulhonista e o outro, xavierista. Surgiu um terceiro: a Tribuna, de propriedade e direção de Benedito Monteiro Guimarães e José Antônio de Jesus, dando apoio a Xavier de Almeida.”.
Os correligionários de Xavier de Almeida reagiram reforçando o pedido de forças federais para defender a situação. A comunicação com o Rio estava sendo feita em Palmeiras, antigo Alemão, onde a linha telegráfica ainda não tinha sido cortada. O 8o B.C. é mandado para garantir o Presidente Rocha Lima e evitar o esbulho de mandatos, abortando a revolução.
Infelizmente, nessa conjuntura, a morte de Afonso Pena e João Pinheiro, que tudo faziam para evitar que os eleitos pelo povo fossem depurados, concorreu para que, no Senado, fosse prejudicado Xavier de Almeida. A bancada mineira cindiu-se dando ganho de causa a Bulhões.
As tropas viam a pé de Uberabinha, hoje Uberlândia, e na passagem por Morrinhos, acamparam em torno de uma igrejinha, no alto da cidade, onde é hoje o Ginásio Senador Hermenegildo de Morais.
Quase toda a população foi ver os soldados, inclusive o menino José Xavier de Almeida Júnior, com sete anos de idade, que ainda se recorda de um militar graduado, dirigindo-se a ele, disse: “Este é filho do chefe”.
Com o falecimento de Afonso Pena, Nilo Peçanha ficou sendo Presidente da República. Seu apoio a Bulhões fez com que o 8o B.C., vindo para sufocar a revolução, passasse a apoiar o movimento rebelde.
Rocha Lima renuncia. Assume o exercício do alto cargo o primeiro Vice-Presidente, Francisco Bertholdo, que também, por sua vez, passa o governo ao segundo Vice, José da Silva Batista. Este, embora, articulado com a Revolução, igualmente não quis ficar na Presidência, sendo, então, empossado no governo revolucionário Urbano cunha de Gouveia, que havia sido derrotado nas eleições por Hermenegildo Lopes de Morais Filho.
Foi nessa época que se iniciou, em Goiás, a fase política que se chamou Caiadismo, de 1909n a 1930, sucedendo ao Bulhonismo, que durara vinte anos.
Com a depuração de Xavier de Almeida do cargo de Senador, D. Amélia e o esposo injustiçado, que apenas passariam em Morrinhos em direção ao Rio, ali permaneceram temporariamente, quando lhes nasce o filho Guilherme, falecido há pouco, e que foi bacharel em direito, escritor, deputado estadual e federal, tabelião, fazendeiro e membro da Academia Goiana de Letras.
Por motivos políticos, o ilustre casal Xavier de Almeida ausentou-se de Goiás por mais de três anos.
Em Juiz de Fora, nasceu-lhe a filha Maria Luiza, normalista, casada com o médico Taciano de Melo.
De 1913 em diante, passaram a viver de novo, e definitivamente em Morrinhos, onde tiveram os últimos filhos: Francisco, professor da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Goiás, casado com Enid Gagliardi de Almeida.
Maria Helena, normalista e religiosa, pertence à Congregação das Irmãs Franciscanas do Sagrado Coração de Jesus, onde tem o nome de irmã Leônia.
Maria Amélia, normalista, casada com Eugênio Sacramento da Silva, ex bancário e fazendeiro, reside em Brasília.
Alberto, o caçula, advogado, morador também em Brasília, casado com Stela Meireles de Almeida.
As filhas de D. Amélia, tanto as casadas como a freira, são formosas e dignas mulheres.
Em 1916, os amigos de Xavier de Almeida, insistiram para que ele aceitasse, mais uma vez, sua candidatura à presidência do Estado. Eles eram maioria no Diretório do Partido situacionista. Por falta de unanimidade, desprendidamente, declinou do convite.
Desse tempo em diante, D. Amélia e seu esposo passaram a dedicar-se com desvelo aos estudos dos filhos e a cuidar mais atentamente dos interesses particulares.
D. Amélia muito havia dado da sua comodidade, do seu descanso, sacrificando-se bondosamente pelo bem estar da gente goiana. Muito piedosa e liberal, prestou grande assistência aos necessitados e à Igreja.
A 23 de agosto de 1943, com sessenta anos de idade, faleceu, em Morrinhos, esta virtuosa senhora, que soubera, em todas as vicissitudes, ser meiga, esposa e incondicional companheira.
Treze anos após melancólica viuvez, morreu o ex presidente de Goiás José Xavier de Almeida.
Seus filhos deram-lhe um túmulo igual ao que ele escolhera para o descanso eterno de sua companheira amada.
No Cemitério São Miguel, de Morrinhos, juntos, como viveram, repousam, lado a lado, D. Amélia e seu esposo na serena e fria quietude da sepultura.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Antes de sermos avós, somos netos
ANTES DE SERMOS AVÓS, TIVEMOS A SATISFAÇÃO DE SERMOS NETOS...
Quando éramos crianças nada era melhor do que ir à casa dos avós. Na casa dos avós tinha rosca com jujuba, tinha biscoito de queijo guardado para você, tinha carinho, encantamento e principalmente, em meu caso e de Bira, uma magia encantadora com os casos que nossos avós contavam.
Nós, pequenas criaturas iniciando as nossas vidas, pensávamos: quanta sabedoria. Como é fantástico que os avós acumulem tantas informações e com que facilidade transmitem suas estórias.
Assim é a lembrança que a criança tem dos avós. Tenho certeza de que meus três filhos, também, foram privilegiados com seus avós.
Os meus avós maternos Chico e Rosa, moravam em Bela Vista. Meu avó médico querido, prestativo e generoso, nunca deixou de atender um paciente sequer por nenhum motivo. Até de graça atendia. Vovó Rosa – quitandeira de primeira – fazia questão de nos agradar pela barriga. É. Em sua casa sempre tinha mesa pronta com bolo, biscoito, ou mesmo a sua pizza, que parecia um “calzonni”. Para nos alegrar tocava o seu bandolim acompanhado pelo meu avô. A alegria, a cordialidade a paz reinava no lar de meus avós maternos. Tinham a virtude de decorar longas e difíceis poesias e declamar de maneira teatral, pena que criança não sabe valorizar o bem que tem perto de si. Mas o tempo nos permite dizer: “tenho saudades daquele tempo”.
Meus avós paternos moravam perto de minha casa em Goiânia. Meu avô Ignácio era sério, segundo os seus filhos, mas com os netos se desmanchava, especialmente quando todos se reuniam em sua fazenda a Vargem Grande – era um cavalo para cada neto com sela e direito de passear aonde quisesse. Vovó Geny, era mansa, calada, por causa da sua surdez, quase não escutava, mas era alegre, tinha uma risada franca, inesquecível.
De meus avós nunca levei uma bronca ou um olhar reprovador, havia um encantamento recíproco e, depois de adulta, já mais ciente do valor da sabedoria das pessoas mais velhas, tive a satisfação de escutar os casos de meu avô Chico, que memória invejável, culto, seu português era perfeito e sua alegria de viver foi sumindo à medida que foi perdendo a sua capacidade de enxergar, pois uma de suas distrações era a leitura, resolver palavras cruzadas das mais difíceis e ver futebol na TV. “Saudades da simplicidade e sabedoria de meus avós”.
Por outro lado, tive a grata satisfação de conviver por pouco tempo com três avós do Bira, meu marido: Vô Pedro, Vó Gercina e Vó Lídia, do Rio Grande do Sul.
Com respeito imenso, iniciei minhas idas à casa dos avós goianos, Pedro e Gercina. Uma casa modesta, sem requintes, para um casal que esteve longo tempo governando o Estado. Encantava presenciar tanta generosidade naquele lar. Acolhidos eram todos que necessitavam de ajuda, mesmo depois de saírem da vida pública.
Em uma de nossos encontros, grávida de meu segundo filho, falando em sobrenomes de família, perguntamos porque não tinha o Álvares de seu pai. Nos respondeu que seu encantamento era com sua mãe Josephina Ludovico de Almeida, que o criou sem ajuda do pai, se pudesse, disse: “gostaria que meus descendentes agora assinassem o nome de minha mãe, em homenagem a grande mulher que foi”. Eu, que já tinha um filho, acrescentei Ludovico em seu nome e, registramos o segundo com o sobrenome da bisavó goiana.
A avó gaúcha, Lídia, era o exemplo de fortaleza. Viúva aos 19 anos, tinha uma filha de um ano e meio e estava grávida da segunda. Viveu só, cuidando do patrimônio que suas filhas e ela herdaram. Avançada em sua época, tinha uma Rural Willis que ela mesmo dirigia por todo o Rio Grande do Sul, e às vezes, para Goiânia, visitar a família. Seus netos eram os cinco filhos de sua filha mais velha. Ela vivia para agradá-los e a quem estivesse com eles, sobrando uma generosa atenção para mim.
Ser neto ou neta é maravilhoso, já passei por esta experiência com muita felicidade. Agora serei AVÓ, seremos avós. Pela qualidade e quantidade de carinho que recebemos tentaremos ser avós completos, amar nosso neto profundamente, contar a ele todas as estórias e histórias alegres que só lhe tragam sabedoria. Brincaremos igual criança, mas com responsabilidade. Daremos a ele todo este imenso amor que recebemos de nossos pais e avós, e com Deus mais um pouquinho.
A nossa felicidade não pode ser medida, tamanha é. Esperamos muito tempo, muito mais que os nove meses que Tatiana ficou com ele na barriga. Desde que eles se casaram estamos na expectativa. A hora é esta, João Caetano chega em um dia especial, em um mês especial, Novembro fazem aniversário – seu padrinho Bruno, seu avô Bira e sua Avó Maria Dulce.
Seja bem vindo, recebemos você, neste momento, como o nosso maior presente de Deus. Recompensa divina. Dádiva que Deus permitiu Tatiana e Rafael compartilhar conosco.
No tempo certo, na hora certa, no mês maravilhoso.
Venha que nosso amor é imenso!
Quando éramos crianças nada era melhor do que ir à casa dos avós. Na casa dos avós tinha rosca com jujuba, tinha biscoito de queijo guardado para você, tinha carinho, encantamento e principalmente, em meu caso e de Bira, uma magia encantadora com os casos que nossos avós contavam.
Nós, pequenas criaturas iniciando as nossas vidas, pensávamos: quanta sabedoria. Como é fantástico que os avós acumulem tantas informações e com que facilidade transmitem suas estórias.
Assim é a lembrança que a criança tem dos avós. Tenho certeza de que meus três filhos, também, foram privilegiados com seus avós.
Os meus avós maternos Chico e Rosa, moravam em Bela Vista. Meu avó médico querido, prestativo e generoso, nunca deixou de atender um paciente sequer por nenhum motivo. Até de graça atendia. Vovó Rosa – quitandeira de primeira – fazia questão de nos agradar pela barriga. É. Em sua casa sempre tinha mesa pronta com bolo, biscoito, ou mesmo a sua pizza, que parecia um “calzonni”. Para nos alegrar tocava o seu bandolim acompanhado pelo meu avô. A alegria, a cordialidade a paz reinava no lar de meus avós maternos. Tinham a virtude de decorar longas e difíceis poesias e declamar de maneira teatral, pena que criança não sabe valorizar o bem que tem perto de si. Mas o tempo nos permite dizer: “tenho saudades daquele tempo”.
Meus avós paternos moravam perto de minha casa em Goiânia. Meu avô Ignácio era sério, segundo os seus filhos, mas com os netos se desmanchava, especialmente quando todos se reuniam em sua fazenda a Vargem Grande – era um cavalo para cada neto com sela e direito de passear aonde quisesse. Vovó Geny, era mansa, calada, por causa da sua surdez, quase não escutava, mas era alegre, tinha uma risada franca, inesquecível.
De meus avós nunca levei uma bronca ou um olhar reprovador, havia um encantamento recíproco e, depois de adulta, já mais ciente do valor da sabedoria das pessoas mais velhas, tive a satisfação de escutar os casos de meu avô Chico, que memória invejável, culto, seu português era perfeito e sua alegria de viver foi sumindo à medida que foi perdendo a sua capacidade de enxergar, pois uma de suas distrações era a leitura, resolver palavras cruzadas das mais difíceis e ver futebol na TV. “Saudades da simplicidade e sabedoria de meus avós”.
Por outro lado, tive a grata satisfação de conviver por pouco tempo com três avós do Bira, meu marido: Vô Pedro, Vó Gercina e Vó Lídia, do Rio Grande do Sul.
Com respeito imenso, iniciei minhas idas à casa dos avós goianos, Pedro e Gercina. Uma casa modesta, sem requintes, para um casal que esteve longo tempo governando o Estado. Encantava presenciar tanta generosidade naquele lar. Acolhidos eram todos que necessitavam de ajuda, mesmo depois de saírem da vida pública.
Em uma de nossos encontros, grávida de meu segundo filho, falando em sobrenomes de família, perguntamos porque não tinha o Álvares de seu pai. Nos respondeu que seu encantamento era com sua mãe Josephina Ludovico de Almeida, que o criou sem ajuda do pai, se pudesse, disse: “gostaria que meus descendentes agora assinassem o nome de minha mãe, em homenagem a grande mulher que foi”. Eu, que já tinha um filho, acrescentei Ludovico em seu nome e, registramos o segundo com o sobrenome da bisavó goiana.
A avó gaúcha, Lídia, era o exemplo de fortaleza. Viúva aos 19 anos, tinha uma filha de um ano e meio e estava grávida da segunda. Viveu só, cuidando do patrimônio que suas filhas e ela herdaram. Avançada em sua época, tinha uma Rural Willis que ela mesmo dirigia por todo o Rio Grande do Sul, e às vezes, para Goiânia, visitar a família. Seus netos eram os cinco filhos de sua filha mais velha. Ela vivia para agradá-los e a quem estivesse com eles, sobrando uma generosa atenção para mim.
Ser neto ou neta é maravilhoso, já passei por esta experiência com muita felicidade. Agora serei AVÓ, seremos avós. Pela qualidade e quantidade de carinho que recebemos tentaremos ser avós completos, amar nosso neto profundamente, contar a ele todas as estórias e histórias alegres que só lhe tragam sabedoria. Brincaremos igual criança, mas com responsabilidade. Daremos a ele todo este imenso amor que recebemos de nossos pais e avós, e com Deus mais um pouquinho.
A nossa felicidade não pode ser medida, tamanha é. Esperamos muito tempo, muito mais que os nove meses que Tatiana ficou com ele na barriga. Desde que eles se casaram estamos na expectativa. A hora é esta, João Caetano chega em um dia especial, em um mês especial, Novembro fazem aniversário – seu padrinho Bruno, seu avô Bira e sua Avó Maria Dulce.
Seja bem vindo, recebemos você, neste momento, como o nosso maior presente de Deus. Recompensa divina. Dádiva que Deus permitiu Tatiana e Rafael compartilhar conosco.
No tempo certo, na hora certa, no mês maravilhoso.
Venha que nosso amor é imenso!
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