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Goiânia, Goiás, Brazil
Escrevemos sobre assuntos ligados à história goiana, genealogia, artes, artesanato e assuntos de interesse de nossa família. Portanto, esse espaço pertence a uma pessoa somente, é público, todos podem ler se quiser, pois aqui publicamos vários tipos de assuntos, a grande maioria dos leitores se manifesta positivamente e com elogios, o que agradecemos muito. Os comentários devem ser acompanhados de identificação, com email, para que sua opinião seja publicada.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

COMO EXPLICAR O DESTINO II

Foto da Junta Provisória: número 2 - Pedro Ludovico (sentado),
em pé - n. 7: Ignácio Bento de Loyola e
Sentado n.4: Mário de Alencastro Caiado


Era o ano de 1966, férias de verão, eu passava férias no Rio de Janeiro. Copacabana era ainda, uma praia normal, sem o aterro. Os goianos se reuniam ali, em frente ao Luxor Hotel. Foi assim que meu marido Ubiratan notou que eu existia e começou a me paquerar. Fora de Goiânia, embora nós morássemos a uma quadra um do outro, nunca nos encontramos em Goiânia.

Não vou contar o meu romance, é só a introdução, para mostrar com Deus nos encaminha. Pois, como disse o Professor Licínio Barbosa, no texto deste blog que fala em Clenon, nos continuamos a amizade antiga de Pedro e Inácio.

Na foto acima, de 1930, estão os homens de primeira linha que derrubaram o governo goiano da época e foram nomeados para governar o Estado de Goiás. Na primeira fila, sentado, está Pedro Ludovico Teixeira, avô do Ubiratan, pai de Mauro Borges Teixeira, atrás dele em pé esta Ignácio Bento de Loyola, avô de Maria Dulce e pai de Clenon de Barros Loyola.

Era 1930, o momento era de tensão política em Goiás, queriam derrubar o Governo. Sendo partidário da Revolução de 30 Virgílio José de Barros (meu bisavô), os genros Mário de Alencastro Caiado e Ignácio Bento de Loyola (meu avô) e os seus filhos, apoiaram Pedro Ludovico imediatamente quando ele chegou em Goiás, pouco depois de ser libertado pelos liderados de Totó Caiado.

Foi enviado para Goiás um Interventor Federal provisório, Carlos Pinheiro Chagas. Ele nomeia para seu secretariado José Honorato da Silva e Souza, Domingos Netto Vellasco, Ignácio Bento de Loyola, Nero Macedo de Carvalho e Claro Augusto de Godoy. Dois dias depois foi constituída a Junta Governativa com Mário de Alencastro Caiado, Pedro Ludovico Teixeira e o Desembargador Emílio Francisco Póvoa, com curta duração pois logo foi definido e nomeado Interventor Federal Pedro Ludovico Teixeira, que tomou posse e manteve o mesmo secretariado.

A foto foi tirada após a nomeação de Pedro e seus secretários, dentre eles os genros de Virgílio. Meu avó e tio Mário.

No início de meu namoro em 1967, em uma manifestação contra a Ditadura na Faculdade de Direito, em frente à casa de meu avô Ignácio, Bira e eu estávamos sentados no alpendre, vendo a confusão de militares cercando o prédio, quando meu avô se aproximou de nós e carinhosmente colocou a mão sobre nosso ombro e disse: "faço muito gosto no namoro de vocês", somente isso. Pensei ser porque ele conhecia a família do Ubiratan, mas era mais do que isso, era uma amizade que vinha desde os tempos da bisavó Josephina com a minha bisavó Marianna, que foram vizinhas de casa em Goiás. Dona Marianinha gostava muito de Dona Josephina, diziam.

Seguimos o destino, nos unimos, temos três filhos homens que assinam, a pedido do Vô Pedro para homenagear a garra de sua mãe Josephina, que criou os três filhos, sem ajuda do ex marido, Ludovico Loyola Teixeira, assim todos os bisnetos de Pedro Ludovico assinam o Ludovico de sua amada mãe.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

CARTA DE JUSCELINO A PEDRO - 1969

PARA LER DÊ DOIS CLICS E FICARÁ LEGÍVEL EM OUTRA PASTA.


1961 - EM GOIÂNIA
MAURO BORGES BORGES, JUSCELINO KUBITSCHEK DE OLIVEIRA E PEDRO LUDOVICO

PORQUE BRASÍLIA ESTÁ AQUI?

Estão na foto, Juscelino Kubitschek de Oliveira e Pedro Ludovico Teixeira na Barragem da Cachoeira Dourada - 1960


Durante a minha vida de jovem tive a grande felicidade de conhecer vultos históricos do Brasil, que naquele tempo, para mim, eram pessoas comuns, importantes pelo trabalho realizado, mas eram tão simples e simpáticas que nada me levava a supor a grandeza deles, no meu pouco entendimento de jovem. Eram pessoas que detinham a admiração de meus avós e pais, tanto do lado paterno quanto materno, eram do antigo PSD, depois MDB, PMDB. O que eu sei é que eram extremamente honestos e apesar de terem ficado 3, 4 mandatos no governo não eram milionários ou possuiam bens incalculáveis. Tinham a casa de morar, uma fazenda (quase todos herdaram) e um carro para toda a família. Viviam modestamente.

Nós morávamos em Brasília. Estava começando a abertura política, os exilados estavam voltando para o Brasil. A família de Mauro Borges recebeu um convite de Juscelino KubItschek de Oliveira para almoçar com a família dele na fazenda próxima a Luziânia. Fomos todos. A casa grande, sem luxo, poucos enfeites e uma imensa biblioteca, que hoje está no Memorial JK em Brasília. Nas paredes fotos. O almoço foi servido na sala de jantar, em tijelas de barro de minas. Tudo muito "normal" para quem foi presidente, nada como o que hoje é. Fomos nos servir de um "baião de dois" (arroz e feijão cozidos juntos) seu prato predileto, carne moída, frango ao molho e carne em pedaços, quiabo refogado, couve, o mais sofisticado foi um creme de milho verde. Doces mineiros de sobremesa e queijo. Êta povo honesto e bom.
Foi o almoço mais significativo em minha vida, mais importante em termos de conhecer homens honrados e honestos que ali estavam, entretanto o mais simples e singular pois não havia nada sofisticado, mas bom gosto e boa comida.
Este texto curto e simples, é em homenagem a estes dois vultos importantíssimos na história de Goiás, ambos foram Senadores por Goiás - Juscelino e Pedro. O primeiro construiu Goiânia, trouxe com a nova capital o progresso para Goiás. O segundo construiu Brasília viabilizou o desenvolvimento do Brasil, pois tirou do litoral a Capital e a colocou no coração do Brasil, em Goiás. Dois vultos que a história goiana jamais deverá esquecer, pois se hoje estamos equiparados às grandes metrópolis do País é por causa da capacidade e tenacidade destes dois políticos que enfrentaram todo o tipo de oposição, ameaças, chantagem, chacotas, piadas, mas não retrocederam, realizaram o maior projeto de suas vidas. Pena que já se foram, veriam a beleza de Goiânia e a grandeza, embora fugindo do projeto original, de Brasília.
A amizade de Juscelino e Pedro foi discreta como os dois eram. Quando decidiu se canditar a Senador por Goiás, foi como se homenageasse o povo do Estado por ter em seu solo a Capital do Brasil. Em conversas familiares, muitas vezes o Presidente disse que Goiânia viabilizou logisticamente a construção de Brasília. Em carta à Pedro Ludovico em 14 de outubro de 1969, ele escreve e deixa para a história seu depoimento declarando ser Pedro um dos maiores vultos do Brasil.
MARIA DULCE LOYOLA TEIXEIRA

HISTÓRIAS DE PIONEIROS EM GOIÂNIA

Neste blog queremos homenagear as pessoas que de alguma forma contribuiram para a construção de Goiânia: pedreiro, marcineiro, padeiro, farmacêutico, cozinheiro, fretista, carroceiros, comerciantes, industriais, religiosos, professores, militares, policiais, todos profissionais e, também, funcionários públicos. Envie a estória destes que trabalharam discretamente acreditando na nova cidade. Se você tem um pioneiro ou conhece um conte a sua estória ela será incluída em um blog de pesquisa e os textos serão doados ao Museu Pedro Ludovico. Muitos, merecidamente, já estão na história, mas existem aqueles "trabalhadores desconhecidos" que acreditando na coragem de Pedro Ludovico e na nova Capital, se mudaram para Goiânia e se esforçaram para edificá-la.

sábado, 4 de julho de 2009

COMO EXPLICAR O DESTINO

Livro: Jerônimo Martiniano Figueira de Melo - Autos da Revoluçãp Praieira - intr. Vamireh Chacon - Senado Federal - Brasília - 1979 - originais dos autos: Biblioteca Nacional Arquivo Nacional
Todas as páginas destacadas mostram que Ignácio Bento de Loyola e José Hygino de Miranda se conheciam bem, lideraram juntos a Revolução Praieira. O decreto de prisão dos dois É UM SÓ. Vejam as páginas. O Ignácio é meu trisavô pelo lado do meu Pai e o José Hygino é meu quarto avô pelo lado da minha mãe. Os dois viveram em Pernambuco. É incrível esta ligação. Reparem que este fato ocorreu em 1849, em Recife e em 1949, em Goiânia, meu pai e minha mãe se casaram, 100 anos depois.

Pag 5 - foto acima - Na relação de prisões decretadas estão os nomes de José Hygino e abaixo está o nome de Ignácio Bento.

Os presos foram distribuídos em embarcações ancoradas perto de Recife e Fernando de Noronha
pag. 142 - Ignácio ficou preso na Fragata Constituição















Pag. 391 na pronuncia retro os dois são citados juntos, em 24 de maio de 1849.















pag. 143 - José Hygino de Miranda ficou preso na embarcação Corveta Euterpe















No Pronunciamento da sentença, ( pag 388 e 389) o Desembargador responsável destaca o nome de Ignácio e José, dizendo: *À margem: Risquei os nomes de José Hygino de Miranda e de Ignácio Bento de Loyola, (assina) Figueira de Mello
















pag 389 Este é o texto que o Fábio me enviou:

















Em 2007, por força do destino, fomos morar no Rio de Janeiro. Como gosto de pesquisar os nomes de família, logo procurei o Centro Brasileiro de Genealogia, que tinha como membro o Carlos Barata, super simpático, contava com a ajuda valiosa de Regina Cascão, que é grande colaboadora de um grupo de genealogia no Yahoo. Procurando pela família de mínha mãe, os Hygino de Miranda, certa de que eram do Rio de Janeiro, disse o nome de meu bisavô Ruben Hygino de Miranda, o Barata foi logo dizendo, esse sobrenome é de Pernambuco, tem um político famoso, vou olhar quem é e lhe digo. Três dias depois recebi um email me informando que José Hygino de Miranda era o nome do político e a data que foi vereador era casado com Maria Câmara Machado. ambos do Nordeste. Acertara em cheio. Mudei o foco de minhas pesquisas. De novo por email fui informada, pelo Fábio Arruda de Lima, que tinha uma novidade:

Maria Dulce, vejamos se isso te interessa:
"Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor,Tendo sido pronunciados pelo crime de rebelião JOSÉ HYGINO DE MIRANDA, IGNACIO BENTO DE LOYOLA e Antônio José Ribeiro de Moraes: tidos por officiaes das antigas Melícias, passarão a minha ordem e meti-os em Conselho de Guerra, com os outros córreos militares; sucedeu porém que Antônio José Ribeiro de Moraes sendo despronunciado pelo Chefe de Polícia, foi solto, e que pedindo eu a Pagadoria m.as as féz de offícios dos outros dous, só apparece a de JOSÉ HYGINO DE MIRANDA, p.r isso que IGNACIO BENTO DE LOYOLA, tem a nomeação do Governo da Província mas nunca teve confirmação; rogo pois a V. Exa. de digno ordenar-me o que cumpre fazer a tal respeito, pois estou convencido que o fôro militar he incompetente para o referido Loyola, que a volta do expendido, não pode ser considerado como Official de Melícias.
Deos Guarde a V. Exa. Quartel General do Comando das Armas de Pernambuco na Cidade do Recife, 13 de julho de 1849
Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Conselheiro, Honorio Hermeto Carneiro Leão Presidente da Província
José Joaquim Coelho"



A pontuação e a grafia seguem no original. Traduzi apenas as abreviaturas de "Ilustríssimo" e "Excelentíssimo" para perfeito entendimento da leitura.
Fonte: Revista do Arquivo Público - Ano III - Número V - pág. 506 - Recife/1948
AbçsFábio


Fiquei tão emocionada, que comprei em um sebo do centro da cidade um livro chamado "Autos do Inquérito da Revolução Praieira" de Jerônimo Martiniano Figueira de Melo, onde eu poderia encontrar os decretos de prisões, os depoimentos, os interrogatórios e os julgamentos dos revoltosos.
A cada página do livro me espantava com a tamanha familiaridade que eu tinha com as pessoas ali citadas, eram pessoas da minha árvore genealógica feita por meu bisavô Ruben Hygino de Miranda, neto de José Hygino de Miranda. Com os dois líderes, mais familiares ainda. Pensava a cada página lida, pena que meu pai não esteja mais aqui para ler isto. Rapidinho li o livro. Terminado, eu fiz um texto e enviei por email para meu tio Cleomar - que gostava muito de história, para meu irmão Clenon, que como eu aprecia genealogia mas, não dispõe de tempo para pesquisar, e a para a pessoa mais importante minha mãe Suely, pedi para minha irmã Selma copiar e levar para ela ler, todos ficariam escantados com a descoberta:
_ Ignácio Bento de Loyola - era pernambucano, bisavô de meu pai, Clenon

_ José Hygino de Miranda - era pernambucano, trisavô de minha mãe Suely
Neste livro revela o que para muitos tem explicação no espiritismo e eu, particularmente, acho que foi Deus mesmo, inclusive a maneira como eu tive acesso às informações, num momento triste em que me ocupei das pesquisas para me distrair.
A família de Ignácio Bento de Loyola era grande , 11 filhos, os filhos mais velhos foram mandados para o Sul, para evitar maiores desentendimentos com a família de Pernambuco, dizem que o primeiro Ignácio retirou o nome de família por causa de rixas poíticas familiares. Assim o descendente de Ignácio, Coriolano veio para Goiás e aqui se estabeleceu, casou-se com uma prima e tiveram o filho que deram o nome do avô, Ignácio, o pai de Clenon.
A filho Augusto de José Hygino de Miranda mudou-se para o Rio de Janeiro, criou os filhos no Rio e seu filho Ruben teve uma bela filha chamada Maria Dulce que se encantou com o GOIANO Francisco Taveira que fora estudar Medicina no Rio, e quando voltou para Goiás, trouxe a sua esposa Maria Dulce que em 1930 deu a luz a Suely. Suely conheceu Clenon em Goiás em 1947 e se casaram em 1949, em Goiânia.
  • Ignácio Bento de Loyola (primeiro) era casado com Hermelinda - BISAVÔ DE CLENON - e pai de Coriolano Augusto de Loyola - AVÔ DE CLENON -, veio para Goiás e, casou com Marianna e tiveram Ignácio Bento de Loyola - PAI DE CLENON - que se casou com Geny, e tiveram Clenon de Barros Loyola que se casou com Suely - MINHA MÃE
  • José Hygino de Miranda era casado com Maria Câmara Machado - TRISAVÔ DE SUELY - e pai de Augusto que se casou com Amélia, BISAVÔ DE SUELY - tiveram Ruben Hygino de Miranda, que se mudou para o Riode Janeiro e se casou com Olga - AVÔ DE SUELY - e tiveram Maria Dulce Kemp Hygino de Miranda (MÃE DE SUELY) que se casou com o GOIANO Francisco Taveira, tiveram Suely Taveira que se casou com Clenon - MEU PAI

sexta-feira, 3 de julho de 2009

EDUARDO TAVEIRA LOYOLA FILHO - ESTRANHA ABSOLVIÇÃO - SOLIDARIEDADE

Mais uma carta de solidariedade, domingo, 5 de julho - Resultado de julgamento.
Manifesto meu apoio às palavras da leitora Maria dulce Loyola Teixeira, publicada terça-feira, e, ao mesmo tempo faço uma indagação : que justiça é essa que absolve uma pessoa que confessa ter cometido crime bárbaro sob alegação de legítima defesa (seis tiros!!)? Atenção julgadores.
LINDA BITTENCOURT
Centro - Goiânia
No dia 30 de junho, o jornal O Popular publicou parte do meu texto sobre a absolvição do réu que assassinou com seis tiros o Eduardo Filho. Hoje dia 3 de julho leio com tristeza a carta de uma mãe, Sonia Regina Freitas, solidária ao que eu disse no texto, confirmando que a sociedade anda indignada com a "justiça" praticada hoje em dia:
"Em referência à carta de Maria Dulce Loyola Teixeira, publicada terça-feira, venho externar a minha solidariedade em relação às suas palavras quanto a essa estranha e repugnante absolvição de um réu que executou, impiedosamente com seis tiros, a vítima desarmada e sua conhecida. Solidária porque eu, na qualidade de mãe de um rapaz de 26 anos, professor de inglês, inicialmente ferido com um tiro na perna e depois assassinado pelas costasem um posto de gasolina na Praça Cívica, conheço a dor de perder covardemente um ente querido, que gozava de saúde e juventude, por motivo fútil e assistir pasma a absolvição do réu.
Meu filho foi morto após uma discussão banal, estava desarmado e o réu foi absolvido por "legítima defesa", em um processo classificado como homicídio simples. Como se vê, os casos são semelhantes e os resultados são idênticos. Talvez fossem condenados se houvessem sido flagrados com ave em gaiola ou cortando uma árvore.
Não que eu seja a favor de crimes contra a natureza, mas como classificar crimes contra a vida humana? Banais? Passíveis de punição? Condena-se o morto e sua família, afinal, ofender com palavras ou "se defender de umas porradas" (sic) justificam o covarde assassinato de alguém e o sofrimento de uma família inteira que passará o resto de seus dias inconformada com a morte e com a injustiça sofridas? Lamentável. Até quando?
SONIA REGINA DE FREITAS
Setor Sul - Goiânia

quinta-feira, 2 de julho de 2009

FRANCISCO TAVEIRA, DR. TAVEIRA, VOVÔ CHICO




Esta casa na cidade de Goiás, chamada Solar dos Taveira, era o lar de
Eliseu Taveira e Anna Xavier de Almeida Taveira e seus filhos Francisco, Izabel, Lauro, Joaquim, Dulce, Elísio, Celuta, Alice e César. A casa alta e espaçosa, branca com janelas pintadas da cor de vinho, continua embelezando a Rua Moretti Foggia. No fundo do quintal passa o Rio Vermelho. A casa é linda e continua autêntica, hoje é propriedade de um neto de Francisco, Clenon filho de Suely que viveu nesta casa com seus avós desde seus primeiros dias de vida, pois Suely ficou orfã de mãe ao nascer.
Francisco era carinhosamentee chamado de Chico. Era o filho mais velho, nasceu na cidade de Goiás no dia 03 de setembro de 1903. Sua mãe era filha de uma família de intelectuais e políticos, a festa de seu casamento dos pais em 05 de julho de 1902, foi realizada no Palácio Conde dos Arcos, pois na época o irmão de Anna, José Xavier de Almeida, tio Juca, era o Presidente do Estado. De Anna, Francisco herdou a energia, a perseverança, a determinação em tudo que fazia, dizia sua mãe: " o que é preciso ser feito merece ser bem feito". E a delicadeza, educação e presteza que lhe eram natas, eram características de seu pai Eliseu.
Era um "desbravador", um "explorador" dos matos e cerrado. Curioso e sadio desde menino até os seus oitenta e poucos anos de idade gostava de subir os morros em torno de Goiás para ver a cidade do alto e o por so sol. Nas matas e cerrado ia a procura de frutas do campo cajuzinhos, a gabiroba, ingá, mangaba, murici e outras frutas do cerrado que ele apreciava, especialmente o pequi que trazia para cozinhar com arroz. Dizia, sempre que comia o tal pequi: "Comi uma dúzia", mostrando o prato cheio de caroços. Seus dias mais felizes foram em Ipanema, chácara da família, para onde iam todos para passar as férias. "Era um paraíso" dizia Chico, lá o desbravador se sentia em casa, ajudava muito o pai nas lidas do dia a dia rural, mas nas folgas ia passear nas matas e banhar no rio.
Gostava de comer bem, lembrava com satisfação os deliciosos doces, quitandas que sua mãe preparava, ela era ótima doceira e quitandeira, pois prestativo e cuidadoso com a mãe, era sempre ele quem varria o forno de barro para tirar as brasas onde seriam assadas as quitandas.
A sua mãe, educadora e organizada, mantinha os hábitos da casa do seu avô Francisco Xavier de Almeida, incentivava e cobrava os estudos de todos, filhas e filhos, inclusive o estudo de música, tocar um instrumento musical era necessário. Todos começaram a estudar cedo, com quatro e cinco anos eram matriculados no Colégio Santana, Chico com dezessete anos terminou o Lyceu, curso secundário. Todos lembram da presença firme da mãe e do pai gentil, generoso, trabalhador.
Aprendeu a tocar flauta e com um grupo de amigos formou um conjunto, e passou a tocar durante as sessões de cinema para ganhar uns trocados. Passou a economizar para realizar o sonho de ir para o Rio de Janeiro estudar Medicina. Mas, não era permitido ficar sem estudar, enquanto isso cursava a Faculdade de Direito em Goiás.
Esforçado e incentivado pelo Pai que dizia "vai Chico, você consegue", prestou um concurso público passando em primeiro lugar para os Correios. Nomeado, pediu transferência para a Administração Geral dos Correios no Rio de Janeiro, tudo visando a sua persistência em querer cursar a Faculdade de Medicina da Praia Vermelha.
Em sete de janeiro de 1923 foi para o Rio de Janeiro numa longa e cansativa viagem de seis dias. Seu irmão Lauro e mais dois amigos foram com ele.
Os primeiros meses foram difíceis, vestibular, local para morar, alimentação, e o principal, conseguir que aceitassem a transferrência de seu emprego nos Correios, sem ajuda política, somente a sua determinação. Foi ao Diretor Geral expor a sua situação. Não foi fácil receber a aprovação, mas Chico ficava mais persistente a cada negativa, até ser aceito. Todo ano, retornava ao diretor dizendo "fui aprovado para o próximo ano" e assim foi até o sexto ano. Formou-se me 1928, com excelentes notas, obtendo dos professores e colegas uma grande respeito.
No ano seguinte 1929, defendeu com distinção a sua tese, chamada " Subsídio ao estudo do reflexo médio pubiano", era seus plano voltar a Goiás, ,organizar a sua vida e buscar a sua primeira namorada Maria Dulce Kemp Hygino de Miranda. Ela foi sua incentivadora e com a família minimizaram a saudade que Chico sentia, na família Hygini de Miranda Chico encontrou o carinho e aconchego a que estava acostumado. Foram seis anos de exílio de casa, pois neste período, devido às dificuldades de transporte, só foi a Goiás em duas ocasiões.
Às vésperas de Chico partir para Goiás, sua amada Maria Dulce perdeu a tia que a criara desde que a sua mãe falecera. Já estava triste com a partida de seu amado Chico, desde os quatroze anos estavam namorando, fica desolada com a morte da tia. Chico decide antecipar o casamento e trazê-la para Goiás. Casaram-se no dia da partida, pois esperavam pelo pai de Maria Dulce, Ruben Hygino de Miranda, que morava em São Paulo para dar a sua bênção para a única filha. Infelizmente, não puderam esperar, mas o destino e Deus foram generosos, permitiram àquele pai que visse a filha, em um encontro casual e casualíssimo, pois sem telefone e pouca comunicação, se encontraram nas escadarias da Estação de Trem de São Paulo, quando Chico e Maria Dulce trocavam de trem para seguir viagem para Goiás e Ruben, fazia o mesmo, para pegar o trem para o Rio. Foi a última vez que pai e filha se encontraram, em menos de um ano Maria Dulce faleceu no dia primeiro de maio de 1930, poucos dias depois de dar a luz a Suely, que de tão pequena Chico a colocou bem embrulhada em cueiros e mantas em uma caixa de sapatos, para ficar aquecida. Chico contou com o carinho da mãe neste momento de muita tristeza, jovem, com apenas 26 anos. Estava feliz com a chegada da primeira filha mas, foi surpreendido pela morte prematura de sua amada. Entristecido, mas determinado, pediu à sua mãe que levasse a menina Suely para Goiás, eles moravam em Bela Vista.
Dr. Francisco ficou em Bela Vista por 39 anos, exerceu sua profissão com dedicação além do normal, pois caminhava horas para ir ver um doente em fazendas inacessíves a carros. Era conhecido por Dr. Taveira.
Em Bela Vista conheceu a charmosa Maria Dolores Mereb, que de tão linda era chamada de Rosa. Vovó Rosa, como a chamávamos. Dessa união nasceram: Ana Maria, César, Francisco e Regina. Mais uma vez Chico fica viúvo, em 1978, falece a sua querida Rosa, companheira de tantos anos de vida. Exímia tocadora de bandolim, com Chico executavam lindas músicas. Ótima dona de casa e excelente cozinheira, tudo que fazia era gostoso e tinha sabor especial de casa de vó.
Carismático e educado se tornou político, por causa de seu trabalho médico de extrema dedicação e "medicina gratuíta", porque ele nunca deixou de atender um doente sequer, tivesse ou não meio de pagar a consulta, ainda, dava os remédios, se o doente não tivesse como comprá-los.
Foram quatro mandatos de Prefeito intercalados. O primeiro foi através de nomeação do Interventor Pedro Ludovico, no segundo, terceiro e quarto foi eleito pelo voto direto. Dedicou a sua vida a Bela Vista, o que sempre foi reconhecido por sua gente.
Trabalhou com vontade até os 85 anos de idade, não parou porque estava cansado, mas porque a visão já não lhe permitia enxergar bem, uma infecção hospitalar o deixou cego de um olho. Sua trizteza aumentava a cada dia por não poder ler e fazer as suas atividades habituais: visitar os filhos, sistematicamente, quase todos os dias, servir ao próximo e ser independente como sempre fora.
Encantado com os netos, sabia a data de aniversário de todos. Já com alguns bisnetos, deixou uma grande lacuna quando se foi, pois todos eram encantados com o Vô Chico, o nosso médico, o vôzinho de cabeça branquinha, alva, delicado, atencioso, prestativo e cansado dos anos vividos, já com 93 anos nos deixou.
MARIA DULCE LOYOLA TEIXEIRA


CLENON DE BARROS LOYOLA - O PONTO DE EQUILÍBRIO



Parte do texto do discurso de Lícinio Barbosa em homenagem a Clenon de Barros Loyola:

"No seu suscinto depoimento para a posteridade a que chamou Memórias Pedro Ludovico Teixeira, com a objetividade que lhe era peculiar, assim se manifesta nas páginas 44 e 45 de sua obra: " O Dr. Ignácio Bento de Loyola foi um dos meus melhores auxiliares, quer como Secretário-Geral, quer em outras funções. Aliás, foi um dos esforçados combatentes para a queda do governo deposto pela Revolução de 1930, sempre intransigente nos seus pontos de vista. Na parte intelectual e material do meu governno, colaboraram demasiadamente, infatigavelmente, os jovens Celso Hermínio Teixeira, José Ludovico de Almeida, Venerando de Freitas Borges, Vasco dos Reis Gonçalves, Ignácio Bento de Loyola e mais umas poucas dezenas de talentosos juristas, entre eles Colemar Natal e Silva que tinham em "A Voz do Povo" uma tribuna jornalística de ressonância espetacular."
Continua Licínio: Ignácio Bento de Loyola formou ao lado dos desembargadores, que se insurgiram contra a deslavada corrupção que campeava nas hotes de Totó Caiado, o legendário senador Antônio Caiado, que do Rio de Janeiro comandava a política em terra dos goiases.
A insurreição dos bravos desembargadores passou à história como a questão judiciária...
Eis porque, vitoriosa a Revolução de 1930, a junta governativa constituída, por decisão do governo provisório federal, a 29 de outubro de 1930, dentre seus 11 membros se destacava Ignácio Bento de Loyola, sob a égide de Pedro Ludovico Teixeira, este três semanas depois nomeado Interventor.

É dessa estirpe de homens que descende Clenon de Barros Loyola.

Clenon nasceu em 25 de agosto de 1920, faleceu em 1 de setembro dee 1988. formou-se em Direito em 1947.
Continuando sua homenagem o Professor Licínio conclui assim o seu discurso: " Patriarca de melhor estirpe, Clenon deixa do feliz consórcio com Da. Suely Taveira Loyola, uma descendência notável: Clenon Filho, que teve com Flávia os filhos Bárbara, Clenon Neto e Camila; Maria Dulce que com Ubiratan (filho de Mauro e neto de Pedro Ludovico) teve, igualmente, três rebentos: Rafael, Bruno e Hugo; Celso teve com Marilene as filhas Mariana, Carolina e Fernanda (* Nota de Maria Dulce: teve com Leidiane, uma filha Ana Luiza) ; Eduardo que teve com Télvia os filhos Juliana, Felipe e Eduardo Filho ((* Nota de Maria Dulce: teve Paula com Simone), e o jovem Ronaldo, ainda solteiro (* Nota de Maria Dulce: teve com Maria Aparecida duas filhas Larissa e Gabriela, hoje é casado com Ana Karla).
Diz, ainda, Professor Licínio:
"Pelos mistérios do destino, a descendência de Ignácio e Clenon continua visceralmente ligada à de Pedro Ludovico. Gigantes da mesma estatura!"
(* Nota de Maria Dulce: a descendência a que se refere são os filhos de Maria Dulce com Ubiratan que são bisnetos tanto de Ignácio Bento Loyola e de Pedro Ludovico Teixeira.,)
Referência: cópia de parte do discurso do Professor Licínio Barbosa em Homenagem a Clenon de Barros Loyola - Revista da Faculdade de Ddireito da UFG - Goiânia 1991

Nota posterior ao escrito, atualizando os dados:
Alguns netos se casaram e nasceram os bisnetos:
Bárbara casou com Cristiano Dayrell, tem: Caio, Laís e Thomas
Camila casou com Hugo Frota Neto, tem: Caetano

Rafael casou com Tatiana Gomes Carvalho, tem: João Caetano
Hugo casou com Uga Marques da Silva, tem: Theo

Mariana casou com Gustavo Borges, tem: Felipe e Mariah
Carolina casou com Joster Lobo, tem: João Vitor
Fernanda casou com Leonardo Oliveira, tem: Gabriel

Felipe tem uma filha: Luna
Eduardo Filho com Ariane Guimarães, tem: Aaron


MARIA DULCE LOYOLA TEIXEIRA

Desembargador Clenon discursando no Centenário do Tribunal de Justiça de Goiás



Desembargador Clenon de Barros Loyola discursando no Centenário do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás. Clenon de Barros Loyola, era filho do Desembargador Ignácio Bento de Loyola (foto à esquerda) e Geny de Barros Loyola, e neto do Desembargador Coriolano Augusto de Loyola, (foto à direita) Primeiro Presidente do Tribunal de Justiça de Goiás e bisneto de Ignácio Bento de Loyola, jornalista pernambucano que teve destacada posição na Revolução Praieira, 1845.

MARIA DULCE LOYOLA TEIXEIRA

NOVENTA ANOS DE TIA MENA


Marília, Dilma, Maria Dulce, Mena, Maria Antonieta,Cleusa, Suely, Cleony

Os irmãos: Cley, Cleony, Cleusa,Clymene,Cleomar,Clonge
Na Chácara Santa Clara em Dezembro de 2002

No dia primeiro de julho tia Mena fez noventa anos! Viva! Deus a abençoe!
Sua vida foi e é dedicada a todos. Mesmo não sendo casada arranjou um tanto bom de sobrinhos a quem se dedicou com carinho.
Filha mais velha do casal Ignácio e Geny, teve ainda os irmãos Clenon, Cleomar, Cleony, Clonge, Cleusa, Cley e Cleuler, e Virgílio, que faleceu pouco tempo após o nascimento. Desde criança foi pequenininha e magrinha, parecia frágil, mas enganava, era esperta e dinâmica.
O tempo foi passando, Mena foi crescendo cheia de responsabilidades, pois sua mãe Geny, perdeu a audição e seu pai Ignácio a elegeu o braço direito para assuntos domésticos. E QUE BRAÇO DIREITO, tudo era olhado nos mínimos detalhes. Nada faltava no dia a dia e muito menos em dias festivos, quando se reunia toda a família os filhos e netos, sobrinhos, tios e tias. A família era muito grande e todos adoravam festas e se reuniam sempre, principalmente do lado dos Fleury de Barros.
A casa em Goiás era pura alegria, os passeios eram feitos para a fazenda das Lajes do Vô Vigico - Virgílio José de Barros e da vó Marianinha - Mariana Augusta Moraes Fleury de Barros. E, também, para a “chácara de Abrão”, na Cachoeira Grande, por onde passavam os rios Vermelho e Bacalhau. Uma infância lembrada com muita saudade por todos da família e contada aos seus filhos.
Quando os irmãos se casaram, prestativa demais, iniciou uma nova etapa de sua vida: ajudar as cunhadas quando nasciam os bebês e em outras ocasiões, também. Ela se desdobrava para que tudo corresse com perfeição. E assim era. As cunhadas só têm boas recordações da carinhosa Mena.
Suely, a primeira nora, e Clenon foram os primeiros a dar um netinho para a família. Suely diz que encontrou uma segunda família, foi amada e amou como filha os pais e irmãos de Clenon. E com carinho lembra a sua meia irmã Mena: “Quando eu ia dar à luz , morando no interior de Goiás, para onde Clenon e eu estivéssemos ido, lá ia Mena ficar comigo”. Suely diz com gratidão: "Mena foi mais que uma cunhada e irmã, ela foi uma mãezona, me ajudou demais, ficava até um mês comigo quando os meninos nasciam".
Maria Antonieta e Cleomar, sempre conviveram com alegria com Mena. Maria só tem elogios para a família e com emoção diz: “Precisamos muito agradecer à Mena a sua imensa dedicação, não só para mim, mas para toda a família, ela sempre foi muito dedicada a todos. Sempre está e esteve presente em tudo na vida de todos nós”.
Marília, veio de Lavras para Goiânia logo que ela e Clonge se casaram. Na família de Ignácio e Geny, encontrou o aconchego, contava com o zelo de seus sogros e especialmente, de sua cunhada Mena: “Mena foi uma mãe, uma irmã, uma amiga, que me acolheu com muito amor.”
Com, Cleusa, sua irmã mais nova, tinha e tem um carinho especial de irmã mais velha, era decicada mas não fazia diferença entre o tratamento dado às cunhadas. Cleusa sempre morou perto da casa dos pais, até quando mudaram para Brasília.
Dilma e Cley, os dois penúltimos casais, tiveram a mesma assistência, Dilma com respeito e carinho diz: “Ai meu Deus do Céu, do jeito que eu gosto dela...Ela foi e é o esteio, é uma fortaleza, enfrenta tudo com serenidade.”
Celeste e Cleuler, embora morassem no Rio, sempre que podia ela lá ia nos momentos que dela precisaram.
Quando Ignácio e Geny se mudaram para Brasília foram, também, os filhos solteiros, e as famílias de Cleomar e Maria, e de Cleusa e Gil. Cada família se estabeleceu em uma casa, pertinho uma da outra. A casa de Ignácio e Geny, na W3 passou a ser o ponto de encontro da família e das festas.
Tudo era muito difícil na cidade que estava começando, faltava muita coisa, tia Mena tinha que andar muito para manutenção da casa. Compras para abastecer a casa só no Núcleo Bandeirantes, longe da casa e com muita poeira pelo caminho. Em volta da casa, também, tinha muita poeira. Tudo corria dentro da mais tranqüila normalidade, para nós, que não víamos o trabalho árduo que tia Mena enfrentava, pois foi uma época muito difícil, tudo era complicado.
Quando a família se reunia para o Natal, a casa da W3 parecia que ficava maior, pois acolhia a todos. Filhos, noras, genro e netos ficavam reunidos em um clima de congraçamento de tamanha harmonia que a alegria contagiava a todos. Para os netos não existe recordação mais feliz, que os tempos das festas e das férias na casa do vovô Ignácio e vovó Geny, aos cuidados da tia Mena, todos nós desde cedo, sabíamos que tia Mena é quem comandava.
A Vargem Grande era uma FELICIDADE à parte. Tia Mena cuidava de tudo, Vovó Geny inspecionava e ajudava, mas era ela que trazia o conforto, a normalidade e tranqüilidade que se tinha nestes encontros da família. Todos os filhos, netos, alguns sobrinhos dos nossos avós, todos iam para a fazenda para passar de 10 a 20 dias de férias. Comida, lanche, tudo na hora certa, com muita fartura e com uma limpeza inacreditável, pois nada era calçado ou gramado, o quintal era pura terra e o jardim, uma pequena área na frente da casa, era coberta com pedras de rios, como as ruas de Goiás. O chão da casa era de cimento rústico e não era lisinho, cimento queimado como se diz, mas era limpissimo, apesar das botas sujas de “bosta” de vaca, pois o curral era ao lado da casa e as vacas faziam tudo ali mesmo e a criançada e os adultos num trança trança, dia e noite pela sala de visita sujava tudo, mas a limpeza era imediata. A varanda, atrás da casa, era de tábuas largas, alta do chão, pois a frente da casa era mais alta que o quintal. Embaixo da varanda era aberto e algumas galinhas mal educadas, que não gostavam do galinheiro e fugiam, e faziam embaixo da varanda o seu poleiro para ficar mais "quentinhas". As crianças que faziam as refeições sentadas ali na varanda, enojados, sentiam, de vez em quando, um cheirinho esquisito de titica de galinha... mas só de vez em quando, pois o rastelo era passado todos os dias de manhã e às vezes à tarde por causa do cheiro e dos mosquitos. Todo o quintal era varrido diariamente. As panelas, vasilhas e copos de alumínio brilhavam, serviam até de “espelho”, refletia tudo. As roupas de cama cheirosas eram lavadas no córrego depois do quintal. O banho era na bica, longe de casa e em dias de chuva era em bacias, dentro do quarto, não existia banheiro ainda, banheiro foi depois de 1969, só chuveiro, privada era a casinha perto das bananeiras, ai meu Deus, que medo e nojo do cheiro. Dentro da casa era usado o pinico durante a noite e de manhã tudo era rapidamente limpado, pois às dez e trinta era servido o almoço, na imensa mesa da sala de visita.
Era um hotel fazenda de altíssima qualidade, tudo era perfeito. Tia Mena, sem curso de hotelaria ou de administração hoteleira, tocava brilhantemente aquele bando de hóspedes mal acostumados com a mordomia oferecida gratuitamente a todos. Para ter uma noção do que era vamos enumerar os hóspedes: Clenon, Suely e seus cinco filhos (ainda não tinha o sexto), Cleomar, Maria e seus quatro filhos, Clonge e Marília e suas duas filhas ( Simone não tinha nascido), Cleusa e Gil com os quatro filhos, tia Cleony, Vovó e Vovô, Marizete e Ney e suas cinco filhas, e outros visitantes que ali passavam para dormir ou só para o almoço. Normalmente, umas trinta e cinco pessoas diariamente, sem contar os empregados e os visitantes diários.
Era preciso muita sabedoria e conhecer muito de administração e logística, em termos modernos, para gerir uma verdadeira pousada, ainda com um agravante muito grande, tudo era mais difícil de se conseguir, pois as estradas e o acesso às cidades perto eram precários, não tinha banheiro nem água encanada.
Brilhante tia Mena, brilhante em todos os sentidos. A senhora foi e continua sendo o ELO que une esta imensa família, nem meu avô, minha avó, ou qualquer um de seus irmãos teve ou tem a sua sabedoria, a sua generosidade, a sua perspicácia, para manter a todos unidos. Austera, exigente, mas doce, vigiava os sobrinhos encapetados, com olhos atentos, sem perder qualquer deslize ou artimanha, dava suas broncas, mas ninguém se magoava, pois eram broncas enérgicas, mas ternas e merecidas.
Ternura, tenacidade, afabilidade, ninguém consegue deixar de pensar na senhora como uma fortaleza que erigiu um muro em torno de nós, pois se existe convivência até hoje devemos à Senhora e à tia Cleony, destacando aqui o papel de "sombra da tia Mena" a Valéria, prima amada, prestativa, que merece nossa gratidão e homenagens também. Se nos reunimos é por causa de vocês. Graças a vocês nós nos conhecemos da segunda geração - tios e tias - terceira - primos primeiro grau - seus filhos - filhos de seus filhos - já na geração de trinetos do casal Ignácio e Geny.
Nosso louvor a Deus pela sua longa vida tia Mena, sabemos que a Senhora tem passado por tristezas imensas com a perda de seus queridos irmãos, Jandira, Benedita, Vovô, Vovó, e tantos outros. Mas Deus a fez viver muito para poder fazer de nós esta família unida em torno da Senhora, por isso, todos nós tentamos fazer um pouquinho para lhe dar alegria e conforto. Nossa gratidão por tudo que a senhora fez e faz por nós, nossa admiração valente mulher que é, nosso imenso amor por nossa amada tia/avózona.
Não existe como demonstrar este imenso amor que sentimos pela Senhora, somente queremos que a Senhora saiba que todos nós compartilhamos deste imenso afeto, sinta-se, em meu nome, homenageada por todos, sem pedir autorização faço esta homenagem, mas tenho certeza de que é de todos.
Beijos carinhosos de todos nós.
Deus a abençoe.

MARIA DULCE LOYOLA TEIXEIRA