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Goiânia, Goiás, Brazil
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quinta-feira, 2 de julho de 2009

FRANCISCO TAVEIRA, DR. TAVEIRA, VOVÔ CHICO




Esta casa na cidade de Goiás, chamada Solar dos Taveira, era o lar de
Eliseu Taveira e Anna Xavier de Almeida Taveira e seus filhos Francisco, Izabel, Lauro, Joaquim, Dulce, Elísio, Celuta, Alice e César. A casa alta e espaçosa, branca com janelas pintadas da cor de vinho, continua embelezando a Rua Moretti Foggia. No fundo do quintal passa o Rio Vermelho. A casa é linda e continua autêntica, hoje é propriedade de um neto de Francisco, Clenon filho de Suely que viveu nesta casa com seus avós desde seus primeiros dias de vida, pois Suely ficou orfã de mãe ao nascer.
Francisco era carinhosamentee chamado de Chico. Era o filho mais velho, nasceu na cidade de Goiás no dia 03 de setembro de 1903. Sua mãe era filha de uma família de intelectuais e políticos, a festa de seu casamento dos pais em 05 de julho de 1902, foi realizada no Palácio Conde dos Arcos, pois na época o irmão de Anna, José Xavier de Almeida, tio Juca, era o Presidente do Estado. De Anna, Francisco herdou a energia, a perseverança, a determinação em tudo que fazia, dizia sua mãe: " o que é preciso ser feito merece ser bem feito". E a delicadeza, educação e presteza que lhe eram natas, eram características de seu pai Eliseu.
Era um "desbravador", um "explorador" dos matos e cerrado. Curioso e sadio desde menino até os seus oitenta e poucos anos de idade gostava de subir os morros em torno de Goiás para ver a cidade do alto e o por so sol. Nas matas e cerrado ia a procura de frutas do campo cajuzinhos, a gabiroba, ingá, mangaba, murici e outras frutas do cerrado que ele apreciava, especialmente o pequi que trazia para cozinhar com arroz. Dizia, sempre que comia o tal pequi: "Comi uma dúzia", mostrando o prato cheio de caroços. Seus dias mais felizes foram em Ipanema, chácara da família, para onde iam todos para passar as férias. "Era um paraíso" dizia Chico, lá o desbravador se sentia em casa, ajudava muito o pai nas lidas do dia a dia rural, mas nas folgas ia passear nas matas e banhar no rio.
Gostava de comer bem, lembrava com satisfação os deliciosos doces, quitandas que sua mãe preparava, ela era ótima doceira e quitandeira, pois prestativo e cuidadoso com a mãe, era sempre ele quem varria o forno de barro para tirar as brasas onde seriam assadas as quitandas.
A sua mãe, educadora e organizada, mantinha os hábitos da casa do seu avô Francisco Xavier de Almeida, incentivava e cobrava os estudos de todos, filhas e filhos, inclusive o estudo de música, tocar um instrumento musical era necessário. Todos começaram a estudar cedo, com quatro e cinco anos eram matriculados no Colégio Santana, Chico com dezessete anos terminou o Lyceu, curso secundário. Todos lembram da presença firme da mãe e do pai gentil, generoso, trabalhador.
Aprendeu a tocar flauta e com um grupo de amigos formou um conjunto, e passou a tocar durante as sessões de cinema para ganhar uns trocados. Passou a economizar para realizar o sonho de ir para o Rio de Janeiro estudar Medicina. Mas, não era permitido ficar sem estudar, enquanto isso cursava a Faculdade de Direito em Goiás.
Esforçado e incentivado pelo Pai que dizia "vai Chico, você consegue", prestou um concurso público passando em primeiro lugar para os Correios. Nomeado, pediu transferência para a Administração Geral dos Correios no Rio de Janeiro, tudo visando a sua persistência em querer cursar a Faculdade de Medicina da Praia Vermelha.
Em sete de janeiro de 1923 foi para o Rio de Janeiro numa longa e cansativa viagem de seis dias. Seu irmão Lauro e mais dois amigos foram com ele.
Os primeiros meses foram difíceis, vestibular, local para morar, alimentação, e o principal, conseguir que aceitassem a transferrência de seu emprego nos Correios, sem ajuda política, somente a sua determinação. Foi ao Diretor Geral expor a sua situação. Não foi fácil receber a aprovação, mas Chico ficava mais persistente a cada negativa, até ser aceito. Todo ano, retornava ao diretor dizendo "fui aprovado para o próximo ano" e assim foi até o sexto ano. Formou-se me 1928, com excelentes notas, obtendo dos professores e colegas uma grande respeito.
No ano seguinte 1929, defendeu com distinção a sua tese, chamada " Subsídio ao estudo do reflexo médio pubiano", era seus plano voltar a Goiás, ,organizar a sua vida e buscar a sua primeira namorada Maria Dulce Kemp Hygino de Miranda. Ela foi sua incentivadora e com a família minimizaram a saudade que Chico sentia, na família Hygini de Miranda Chico encontrou o carinho e aconchego a que estava acostumado. Foram seis anos de exílio de casa, pois neste período, devido às dificuldades de transporte, só foi a Goiás em duas ocasiões.
Às vésperas de Chico partir para Goiás, sua amada Maria Dulce perdeu a tia que a criara desde que a sua mãe falecera. Já estava triste com a partida de seu amado Chico, desde os quatroze anos estavam namorando, fica desolada com a morte da tia. Chico decide antecipar o casamento e trazê-la para Goiás. Casaram-se no dia da partida, pois esperavam pelo pai de Maria Dulce, Ruben Hygino de Miranda, que morava em São Paulo para dar a sua bênção para a única filha. Infelizmente, não puderam esperar, mas o destino e Deus foram generosos, permitiram àquele pai que visse a filha, em um encontro casual e casualíssimo, pois sem telefone e pouca comunicação, se encontraram nas escadarias da Estação de Trem de São Paulo, quando Chico e Maria Dulce trocavam de trem para seguir viagem para Goiás e Ruben, fazia o mesmo, para pegar o trem para o Rio. Foi a última vez que pai e filha se encontraram, em menos de um ano Maria Dulce faleceu no dia primeiro de maio de 1930, poucos dias depois de dar a luz a Suely, que de tão pequena Chico a colocou bem embrulhada em cueiros e mantas em uma caixa de sapatos, para ficar aquecida. Chico contou com o carinho da mãe neste momento de muita tristeza, jovem, com apenas 26 anos. Estava feliz com a chegada da primeira filha mas, foi surpreendido pela morte prematura de sua amada. Entristecido, mas determinado, pediu à sua mãe que levasse a menina Suely para Goiás, eles moravam em Bela Vista.
Dr. Francisco ficou em Bela Vista por 39 anos, exerceu sua profissão com dedicação além do normal, pois caminhava horas para ir ver um doente em fazendas inacessíves a carros. Era conhecido por Dr. Taveira.
Em Bela Vista conheceu a charmosa Maria Dolores Mereb, que de tão linda era chamada de Rosa. Vovó Rosa, como a chamávamos. Dessa união nasceram: Ana Maria, César, Francisco e Regina. Mais uma vez Chico fica viúvo, em 1978, falece a sua querida Rosa, companheira de tantos anos de vida. Exímia tocadora de bandolim, com Chico executavam lindas músicas. Ótima dona de casa e excelente cozinheira, tudo que fazia era gostoso e tinha sabor especial de casa de vó.
Carismático e educado se tornou político, por causa de seu trabalho médico de extrema dedicação e "medicina gratuíta", porque ele nunca deixou de atender um doente sequer, tivesse ou não meio de pagar a consulta, ainda, dava os remédios, se o doente não tivesse como comprá-los.
Foram quatro mandatos de Prefeito intercalados. O primeiro foi através de nomeação do Interventor Pedro Ludovico, no segundo, terceiro e quarto foi eleito pelo voto direto. Dedicou a sua vida a Bela Vista, o que sempre foi reconhecido por sua gente.
Trabalhou com vontade até os 85 anos de idade, não parou porque estava cansado, mas porque a visão já não lhe permitia enxergar bem, uma infecção hospitalar o deixou cego de um olho. Sua trizteza aumentava a cada dia por não poder ler e fazer as suas atividades habituais: visitar os filhos, sistematicamente, quase todos os dias, servir ao próximo e ser independente como sempre fora.
Encantado com os netos, sabia a data de aniversário de todos. Já com alguns bisnetos, deixou uma grande lacuna quando se foi, pois todos eram encantados com o Vô Chico, o nosso médico, o vôzinho de cabeça branquinha, alva, delicado, atencioso, prestativo e cansado dos anos vividos, já com 93 anos nos deixou.
MARIA DULCE LOYOLA TEIXEIRA


3 comentários:

  1. Parabéns pelo blog prima! O adicionei como um dos links no meu.

    beijo.

    Guilherme Martins de Araújo

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  2. Obrigada, Guilherme, estou tentando consertar alguns erros, tipo o título que fiou grande.

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  3. Afonso Camargo Taveira17 de janeiro de 2011 18:33

    Parabéns pelo estilo claro e vivo.Emocionante!!

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