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Goiânia, Goiás, Brazil
Escrevemos sobre assuntos ligados à história goiana, genealogia, artes, artesanato e assuntos de interesse de nossa família. Portanto, esse espaço pertence a uma pessoa somente, é público, todos podem ler se quiser, pois aqui publicamos vários tipos de assuntos, a grande maioria dos leitores se manifesta positivamente e com elogios, o que agradecemos muito. Os comentários devem ser acompanhados de identificação, com email, para que sua opinião seja publicada.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

25 de agosto de 1920

Se meu pai estivesse aqui, hoje estaria completando oitenta e nove anos de vida. Teriam sido bem vividos e bem aproveitados. Estaria lendo muito, fazendo palavras cruzadas, assistindo novelas porque gostava muito e o melhor, estaria acompanhando sua amada Suely em todas as ocasiões festivas da família, pois era festeiro...
Como era calmo, pensativo e sereno em todas as conversas, não importava o assunto, ele tinha a mesma postura, quando se fazia uma pergunta ou queria a sua opinião sobre algo, ele calmamente escutava, pensava por alguns instantes e quando a gente iria fazer a pergunta de novo, achando que ele não tinha escutado direito ou não teria entendido, ele lhe respondia, esclarecendo com palavras precisas todas as dúvidas e emitindo a sua opinião sobre o assunto.
Como gostava de crianças... todos os sobrinhos, filhos e netos tinham por ele um grande carinho, respeito e admiração. Ele se sentava com as crianças e conversava, brincava, fazia sapinho com as mãos, fazia desenhos com sombras nas mãos refletindo na paredes e era capaz de caminhar com as crianças na fazenda só para lhes mostrar os animais, os bichinhos e as plantas, explicando tudo detalhadamente.
Não deixava de ir aos aniversário dos netos. Participativo, embora fosse calado, sabia opinar quando achava conveniente. Nunca exagerou em punições, aliás pouco usou de punições para educar os filhos. Talvez, por sua profissão, tenha participado aquém da expectativa de seus filhos sobre a vida deles. Mesmo assim era e continua sendo referência para nossas atitudes, a admiração dos filhos é compartilhada pelos genros e noras.
Não se intrometia na vida de ninguém, aconselhava quando perguntado ou quando percebia que alguma coisa não estava correta, com cuidado tocava no assunto sutilmente. Faz muita falta sua presença entre nós.
As homenagens que lhe foram prestadas durante a vida foram recebidas por ele sem alarde, nem aos filhos contava. Embora continue recebendo homenagens, a lembrança dele é marcada por sua figura bondosa, calma e prestativa, inesquecível.
Deus o levou cedo, porque era bom demais, Deus precisava dele lá no céu, e de lá ele nos olha, vigia, mas não intervém no destino de ninguém, o que se há de viver e passar, tem que viver e viveremos, lembrando de seu exemplo de homem simples e capaz de lidar com qualquer tipo de adversidade.
Grande honra ser filha de uma pessoa como ele: "simples, jamais pretendeu ser o que representa hoje" como já disseram: "foi grande sem pretender sê-lo, no cumprimento do dever".
Saudades...

1 - Luiza Barreto 25 de agosto às 11:41
Tia, me emocionei com o texto sobre seu pai.
Aproveito para deixar registrado o quanto é bom tê-la aqui no facebook, está sempre nos presenteando com histórias e fotos lindas.
Beijos
LUIZA

2 - Maria Dulce,

Como sempre você teve o capacidade e sutileza de abordar com fidelidade fatos e lembranças de uma vida.
Clenon, o nosso estimado e inesquecível "Non", realmente era o ponto de apoio da família.
Para as minhas filhas foi por muito tempo o tio "doutor" da injeção.
Atualmente ando me emocionando atoa, daí, talvez, tenha sentido as lágrimas pedindo passagem.
Não deixe de escrever.
Muito obrigado, Tio Clonge.

3 - Parabénis Comadre! Tive o prazer de conviver com ele,e saber que realmente ele era especial.
Me lembro muito dele na mesa de almoço "CALMO",foi um grande exemplo,hora de almoço tem que ter familia e ser paçiente,que não é facil.
Um beijão!!!!

4 - Regina Taveira: Fiquei emocionada lendo sua matéria;seu pai era exatamente como descreveu.Vou te contar sobre meu exame da OAB:naquela época nossa prova da Ordem era oral, imagina só.Então pedi que seu pai me orientasse sobre uma Contestaçao que teria que apresentar junto a banca examinadora. Ele me colocou junto dele e foi direcionando a matéria da forma q. quando terminamos eu já sabia de cor devido a clareza e a simplicidade com q. ele explanou o problema de locação.Foram 3 páginas de papel almaço que estudei e disse perante a banca composta de desembargadores, presidente da Ordem ,juizes e colegas. Foi o maior sucesso que até hoje o Dr. Licínio Leal Barbosa lembra. Graças a seu pai tirei nota máxima nesta prova. Grandes saudades minhas e enorme admiração pelo cunhado,pai, professor e pessoa de uma integridade ímpar. Beijos com muito orgulho

5 - Happy birthday Dr. Clenon
Happy memories darling, que ele continue brilhando nas memorias da familia, realmente era 1 pessoa respeitada, GRANDE heranca o nome dele.
Carmen Lucia

6 - Bruno LL Teixeira : Lindo mamãe! Parabéns pro vovô Clenon!

7- Cunhada,
Vou dizer para você o que digo para o Ronaldo: foi um grande homem, gostaria de tê-lo conhecido. E fico impressionada com seu texto, pois tudo que já li a respeito dele, escrito por outras pessoas, geralmente colegas de profissão, as qualidades, sobretudo a sensatez, serenidade, eram virtudes espontâneas. Tenho orgulho de ter hoje, laços e vínculos com a sua família.

Beijo grande!
Ana Karla

8 - Oi tia maria dulce, nao se preocupe, foi ótimo o lançamento graças a deus....
Parabéns pelo texto que fez do meu avô, conheci um pouquinho mais.... muito lindo o texto.
bjão
Camila Loyola

9 - Não pude conter as lágrimas ao ler sua mensagem. Em várias partes ao descrever seu pai era como se estivesse falando do meu. Os seus sentimentos de admiração e saudades são os mesmos que sinto. Fomos abençoadas com pais maravilhosos.
beijos Cláudia Loyola.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

FAMILIA BARROS CACHAPUZ E CHAVES















BANCO DA IGREJA DO ROSÁRIO

Anos atrás, Bira, meu marido, Suely, minha mãe e eu fomos a Goiás visitar pontos históricos, pois minha mãe havia muitos anos não ia a Goiás.

Saimos no sábado bem cedinho. Para nossa surpresa, a maioria dos pontos históricos, fechavam às 12 horas. Tristes, iniciamos a nossa corrida para ver o máximo que daria tempo.

Iniciamos pelo Palácio Conde dos Arcos. Estava limpinho, cheiroso, bem diferente do Palácio que minha sogra, Lourdes encontrou em 1961, quando meu sogro Mauro Borges, transferira a Capital do Estado para a cidade de Goiás, uma forma de resgatar o valor da cidade como capital. Como gosto de fotos, fotografei tudo que visitei e que me lembrava fatos ligados à família.

Na Igreja do Rosário, fiquei atenta à riquesa dos desenhos internos, raridade em Goiás, Estado tão novo, em relação ao resto do mundo. Quando entrarem na Igreja vejam os detalhes dos desenhos nas paredes.

Andando e fotografando, comecei a olhar as placas dos bancos e lá estava a placa com o nome da bisavó Mariana, cliquei e aí está.

Neste mesmo passeio, visitamos o Palácio, o cemitério e outros lugares importantes da cidade, alguns estavam abandonados, mas contarei esta estória em outro artigo.

No Palácio Conde dos Arcos, Bira e eu, ficamos emocionados ao entrar na Galeria de fotos de ex governadores de Goiás e encontrar na parede, em forma de cruz, as fotos do avô do Bira, Pedro Ludovico Teixeira, no ponto mais alto da cruz, e abaixo dele a foto do meu avô Ignácio Bento de Loyola, do lado outros dois parentes afins, Mario de Alencastro Caiado e Albatênio Godoy.

Naquele momento, lembrei-me da frase curta e simples, que meu avô Ignácio disse ao me ver com o Ubiratan: "Minha filha, faço muito gosto nesse namoro." Aos 15 anos de idade, significou que ele gostava da família do Bira, mas não sabia dos elos políticos e quão grande eram.

A amizade e o companheirismo de ideal político em benefício do Estado de Goiás, unia há muito tempo as famílias Barros, Loyola, Ludovico de Almeida e Teixeira.

Minha tia Clymene de Barros Loyola conta que meus avós Ignácio e Geny, eram vizinhos da bisavó de Ubiratan, Josephina Ludovico de Almeida Teixeira, mãe de Pedro Ludovico Teixeira.

Por falar neste fato, em 1975, passando por Goiás, fomos visitar meus tios Eridan e Joaquim Taveira, culto e braço direito de Dr. Pedro na área financeira. Sabedor de histórias e estórias de Goiás, fez questão de nos levar para ver a casa em que o vô Pedro Ludovico tinha nascido, ao lado do Forum, na casa da esquina do beco, casa dos avós maternos Pedro Ludovico de Almeida e Maria Inocência Ribeiro da Maia Almeida, com quem a bisavó Josephina Ludovico de Almeida morava, pois havia se separado do pai de Pedro, João Teixeira Álvares, antes do seu nascimento.

Fotografamos e filmamos com a máquina super 8, que tínhamos.

Voltamos à casa dos tios, pois tia Eridan nos esperava com deliciosas quitandas, o seu saborossíssimo bolo de arroz, era algo do céu... A visita foi proveitosa, pois estavam lá meus tios Desembargador Elísio Taveira, Lauro Taveira, médico em Jataí, tio Joaquim e Eridan, nós, Bira e eu e o primo e compadre nosso Luiz Fernando Cruvinel Teixeira, que fez com que os tios se lembrassem do dia em que Dr. Pedro chegou preso em Goiás, e foi libertado pois a Revolução de 1930 estava vitoriosa. Neste dia, o Pai de Luiz Fernando, João Teixeira Álvares Neto, sobrinho de Pedro, jovem ainda, foi quem providenciou uma arma para o tio, logo que este chegou à cidade de Goiás e foi para a casa de sua mãe Josephina.

Histórias e mais histórias foram contadas por meus tios Taveira, protagonistas daquele momento histórico de Goiás, e eu decobria de novo, que os meus parentes próximos do lado materno, estavam, também, ligados à família de Ubiratan. Nós, jovens ainda, só registramos na memória, devíamos ter escrito imediatamente, mas erámos jovens demais...

O assunto não terminava, mas já era muito tarde e tínhamos uma longa estrada para seguir até às margens do Araguaia, ao Hotel das Cangas. Partimos encantados com a conversa, seguimos conversando sobre o fato, que foi e continua ser lembrado até hoje.

Este viagem, ficou marcada, também, por ter sido a primeira vez que eu fui ao Rio Araguaia, lindo, lindo, lindo, mas os mosquitos, demais para mim, não me deixam gostar tanto, como deveria, pois é a paixão de Ubiratan, que continua indo ao Araguaia, sempre que pode.

Até a proxima estória...

FAMILIA FLEURY /GUADIE LEY

No livro de Jarbas Jayme, " Do passado ao presente", de 1952, pagina 103 a 111, descreve os ancestrais da família Gaudie Ley que dá origem aos dois ramos da família Fleury, da vovó Geny Fleury de Barros ( Geny de Barros Loyola, cc Ignácio Bento de Loyola.

Lá pela metade do sec XVIII, emigra para Goiás Inácio Dias Pais, casado com Joana de Gusmão, filha do Capitão-Mor Bartolomeu Bueno da Silva, o moço, com outra Joana de Gusmão, portanto neta do famoso Anhanguera, Bartolomeu Bueno da Silva, o velho.

Dentre os dez filhos do casal Inácio e Joana está Ana de Gusmão, que se casou em Goiás com João Guadie Ley, filho do escocês Andre Gaudie e de Ana Ley.

O registro de seu falecimento André Gaudie se encontra em um dos livros mais antigos da Igreja da Sé, em São Paulo. Ele se casou no Rio de Janeiro e está sepultado na Igreja da Misericórdia.

De seu filho João Gaudie Ley, nascido em Paraty - Rio de Janeiro, e casado com Ana de Gusmão, em Goiás, promana uma das mais numerosas famílias radicadas no Centro e Sul do Brasil.

Dentre os filhos destaca-se o Capitão-Mor André Guadie Ley, mesmo nome do avô, ele governou o Estado de Mato Grosso de primeiro de janeiro de 1830 a 21 de julho de 1831, mesmo não sendo o governador tinha enorme influência no governo do Estado, especialmente, no período agitado e sombrio, na época da Independência do Brasil. Voltou a governar em 1833, mas ficou desiludido com os rumos da política, estava a população fazendo um levante, chamado "rusga" para mandar os portuguese embora do Brasil, nesta fase os dirigentes tinham que ter qualidades excepcionais de energia, discreção para antepor à onda de anarquia que se instalava. O Capitão André Gaudie Ley, representava o espírito conciliador, de tolerância, com voz mansa ponderava a prudência em meio a um torvelinho de paixões desencadeadas, procurando evitar maiores calamidades. Mas, não pode evitar o final de um grande massacre aos portugueses da cidade de Cuiabá, com 28 mortos e 14 lojas saqueada.

Sobrou para André Gaudie Ley, pois a população o chamara de Caramuru, ou seja amigo dos Portuguese. Indignado refugiou-se na casa de um amigo, Joaquim da Silva Prado, fora da cidade e de lá seguiu para Goiás, aonde ficou por dois anos, voltando a Cuiabá, após ter se acalmado a revolta.

Foi em Cuiabá que se casou com Mariana de Alvim Poupino, sobrinha do coronel João Poupino Caldas, político. André faleceu em Cuiabá em 17 de setembro de 1852, está enterrado na Sé da Catedral.

De seu casamento com Mariana de Alvim Poupino , destacamos as filhas:

Mariana Joaquina Gaudie Ley, chamada de "mãezinha" que se casou com João de Fleury Camargo, ela nasceu em Cuiabá em 16 de agosto de 1823. Faleceu em Goiás em 30 de agosto de 1910. Seu marido faleceu em 9 de abril de 1858. -(está na foto da primeira página)

O filho do casal acima João Fleury de Camargo, o Fleurizinho, casou-se em Goiás com a sua prima Augusta Luiza de Moraes, nascida em Cuiabá em 12 de março de 1845,

filha de Rosa Augusta de Pádua Fleury, cuiabana, nascida em 30 de julho de 1824, e de Teodoro Rodrigues de Moraes, de Jaraguá, nascido em 9 de novembro de 1816, filho de Jerônimo Rodrigues de Moraes e Luiza de França, Teodoro foi o primeiro goiano, filho de pais goianos, diplomado em Medicina. Primeiro médico goiano. São os pais da vovó Mariana de Moraes Fleury.

E Augusta Rosa Guadie Ley, nascida em Cuiabá, em 30 de agosto de 1809 e faleceu em Goiás, em 27 de setembro de 1869, casou-se com Antonio de Pádua Fleury, nascido em Santa Cruz de Goiás em 8 de dezembro de 1795. Eles se casaram em Cuiabá. São pais de Rosa Augusta de Pádua Fleury, que é mãe da nossa Mariana Augusta de Moraes Fleury.

Mariana Augusta de Moraes Fleury, nasceu em 27 de março de 1873, casou-se com Virgilio José de Barros, filho de Torquato José de Barros e de Arzelina Laura de Barros.

Vejam na árvore genealógica de maneira mais fácil.

FAMÍLIA FLEURY
 FOTO DA ÉPOCA DO IMPÉRIO 
   1805
Sentados da esquerda para a direita: João Fleury de Camargo, Mariana Augusta Gaudie Fleury, Mariana Joaquina Gaudie-Lei (Mãezinha), Maria da Glória Gaudie Fleury, André Avelino Gaudie Fleury.

Em Pé: Pedro Arlindo Gaudie Fleury, César Augusto Gaudie Fleury, Virgílio Gaudie Fleury, Luiz Gaudie Fleury



FAMILIA TEIXEIRA ÁLVARES

Há uns poucos anos atrás, estava navegando na Internet, coloquei no site de pesquisa o nome Teixeira Álvares, que é o sobrenome do pai do Pedro Ludovico Teixeira, avô do Ubiratan, meu marido.
Como é dinâmica a comunicação na Internet, em seguida achei dados colocados na rede por Juliana Areias, que reside na Austrália, e hoje sabemos é prima, descende de uma irmã do bisavô Teixeira Álvares, como o Bira.
Assim, é o caso: Ela e o primo Eduardo Antunes Paiva, também, Teixeira Álvares, estavam parados na pesquisa nos assentamentos paroquiais de Araxá, que diziam que o pai dos Teixeira Álvares havia nascido ali. Algumas informaçõe que tinham foram deixadas pelo avô da Ju, Ascelino Teixeira Mendes.
Li tudo e passei um email a Juliana que encaminhou ao Eduardo. Eu contei a eles o que sabia, pois como moro em Goiás e fazia um tempo grande estava e estou atrás da família do Padre João Teixeira Álvares, da antiga cidade de Santa Luzia, hoje Luziânia, já tinha artigos de revistas, jornais, e mesmo alguns assentamentos sobre o assunto. Esclareci a eles, que segundo o Livro de Genealogia Lusiana, não constava o nome do pai do Benedito, mas constavam seu casamento com Clara de Araújo Rocha e seus filhos. Que em Luziânia, estavam os registros da família.
Eduardo, redigiu assim o começo do email: "sua mensagem me encheu de alegria e surpresas>". E foi pesquisar em Luziânia, pois ele morava pertinho, em Brasília, lá achou alguns assentamentos de nascimentos, batizados, etc, sobre a família e sobre Benedito Roriz Teixeira Álvares que se casou em Luziania com Clara de Araújo Rocha. Este foi um encontro memorável, juntamos três descendentes de Benedito e Clara, em prol da Genealogia.
Até hoje estamos atrás do registro de nascimento do Padre João Teixeira Álvares. Não temos data para terminar, pois genealogia não é a nossa prioridade, cada tem seus compromissos. Conto este "causo" para mostrar que a Genalogia faz com pessoas se conheçam, se tornam amigas e mesmo distantes, estão entrelaçadas num mesmo objetivo FAMILIAR, graças ao nosso antepassado Padre João Teixeira Álvares, dito pai do Bendito.

sábado, 15 de agosto de 2009

IR AO RIO DE JANEIRO PARA OS GOIANOS
































A primeira foto: Tibel na praça da Praia Vermelha - eu no alpendre da casa dos tios com uma prima em 1957. Em 2005, voltamos lá para ver como estava: Bira sentou, como fazíamos, na mureta para apreciar a bela vista: atrás - o Iate Clube e o Corcovado e minha irmã e eu posamos em frente à casa número 72 da Rua Ramon Franco, Urca, aonde por diversas vezes me hospedei, dos cinco anos até me casar. A casa continua sendo de um primo. Saudosismo...
Pode ser saudosismo, quem não sente saudades do que foi bom? Desde menina tenho fascinação com a cidade do Rio de Janeiro. Minha mãe dizia: "só pode ser por causa do nome da avó - Maria Dulce - carioca, mãe de minha mãe, que faleceu 15 dias após o parto, com apenas 20 anos. Quando eu nasci, em homenagem a ela, recebi este nome que inicia com Mar - termina com ia, fazendo um trocadilho - "para o MAR ela IA", brinco com ela. E Dulce, doce, em espanhol, o contrário de salgado que é o mar.
Brincando assim, sempre consegui que meu pai me deixasse passar o verão no Rio de Janeiro, contra a vontade de minha mãe que era muito severa e achava que "moça de família boa" não deveria ter e/ou fazer algumas coisas ditadas pelos costumes passados, o que lhe foi ensinado pelas freiras do colégio em Goiás, porque minha bisavó, com quem ela foi criada, frequentava a igreja uma vez ao ano na festa de Nossa Senhora do Rosário, embora fosse católica e tinha uma mente aberta para o moderno, moderno até demais segundo minha própria mãe. Ela, na decada de 20 dizia a suas filhas: "mulher tem que ter uma profissão e ganhar o seu dinheiro, portanto vocês tem que estudar, antes de casar". Assim, as quatro se formaram, duas em contabilidade e duas eram normalistas, todas trabalhavam. Seus quatro filhos se formaram também, dois eram médicos formados no Rio de Janeiro; os dois outros um se tornou Desembargador e o outro Conselheiro do Tribunal de Contas. Minha mãe, antes de casar, terminou seu curso Normal - a habilitava para ser professora.

A primeira vez que fui ao Rio de Janeiro estava com cinco anos, fui para fazer uma pequena cirurgia plástica para retirada de um quisto sebáceo em minha pálpebra esquerda. A viagem em si foi uma epopéia. O vestido era de festa, meias bordadas, luvas e bolsa bordadas com perólas pequeninas, tudo isso, para tomar o avião, a hélices - não tinha jato ainda. O aeroporto no Rio era o Santos Dumont. Meu pai se hospedou no Hotel Glória, lindo, o pouco que me lembro são os corredores largos e os quartos espaçosos. Eu fiquei com meus tios, por causa da cirurgia.

Já em 1963, eu com 11 anos de idade, iniciei minhas idas de verão ao Rio. Primeiro tive a minha fase de "dama de companhia" para uma tia solteira, muito querida por todos, a tia Izabel. Como eu tinha verdadeira paixão pelo Rio de Janeiro, ia com ela todas as férias de verão visitar a sua irmã, foram quatro anos seguidos. Tibel, carinhosamente assim chamada, estava com 51 anos de idade, bonitinha, era bem feita de rosto, tinha um nariz de boneca de tão pequeno, fino e arrebitado. Media 1,45 de altura e a maior glória dos sobrinhos era quando o pé ultrapassava o número que Tibel calçava, já que para nós ela era um adulto, mas só que o pésinho era número 32. Era a tiazinha, por causa do seu tamanho e porque ela bajulava bastante os sobrinhos.
A viagem para o Rio era longa demais e muito cansativa, o transporte era o ônibus - poderia ser avião, mas ela dizia "é caríssimo", mas na verdade, faltava era coragem, ela era do tempo que se viajava em carro de boi, a cavalo e depois em jardineiras - tipo de ônibus.
O ônibus saía de Goiânia às seis da tarde, era proposital, assim os passageiros poderiam dormir até a chegada, de manhãzinha, em São Paulo. Muitas vezes era assim, direto, sem atropelos, mas, quando chegava nos trechos da estrada sem asfalto, era triste, até atolar já atolamos, ficamos umas cinco horas esperando socorro chegar e tirar o ônibus da lama.

Na Rodoviária de São Paulo havia uma multidão, pois era também terminal rodoviário e além disso, eram as férias de verão. Tibel, acostumada a fazer esta viagem me disse: "tome o dinheiro, você sobe as escadas, dois lances"... explicava todo o caminho para chegar até ao guichê da Viação Cometa, a melhor empresa que fazia o trecho São Paulo/Rio. Lá ia eu, sozinha, uma menina do interior de apenas 11 anos, mas como sempre fui determinada, segui sem avaliar o momento, até porque era muito diferente de hoje. Enquanto eu fui comprar as passagens Tibel ficou na plataforma de embarque cuidando das nossas duas malas e mais uma mala de presentes, doces e coisas da terra para a tia (irmã de Tibel) que nos hopedaria. Eu me senti uma figura importantíssima, andando no meio de uma multidão, em um lugar desconhecido, até me distraí olhando tudo a minha volta até chegar ao guichê. Tinha uma fila pequena, logo foi a minha vez, pedi as duas passagens para o próximo ônibus, era de hora em hora, paguei e voltei para a plataforma número cinco aonde Tibel me esperava para seguir para o embarque da Viação Cometa. Tudo tranquilo, as pessoas eram educadas, apesar da rodoviária ser cheia de diferentes tipos de pessoas, não havia tumulto e nada de anormal acontecia.

Atravessavamos as raias e logo enxerguei alguns ônibus da Viação Cometa, embarcamos no nosso para o Rio. Não me lembro bem, mas acho que eram 8 horas de viagem, pois a Rodovia Dutra (estrada) ainda não era toda de duas pistas, tinha um movimento imenso de caminhões. Quando chegava na Serra das Araras, perto do Rio, minha nossa, o ônibus andava a vinte por hora, em fila, atrás de caminhões que soltavam (para mim) um cheiro insuportável de óleo diesel queimado. Eu enjoava muito, abria a janela, mas nada, tinha que ter paciência até começar de novo a desenvolver velocidade e ventilar um pouquinho. Era terrível. Tibel dizia: "pensa que estamos chegando". A proximidade do Rio de Janeiro me sarava.
Chegando ao Rio tinha que passar pela avenida Brasil sentindo aquele cheiro do mangue - "catinguento" a esgosto, é assim até hoje. A Rodoviária era mais perto do elevado Paulo de Frontin, pegávamos um taxi e pedia: "Ramon Franco, 72, na Urca", era a rua de acesso ao bairro da Urca, os ônibus passavam por ela e quem morasse na Urca, também. A Urca era super tranquila. A casa de meus tios ficava aos pés de um morro, tinha dois andares e a escada principal era uma obra de arte - linda.
Os tios e os filhos nos esperavam, nesta época não tinha nenhum casado. Eram nove filhos três homens e seis mulheres. Era uma alegria a casa. Tinhámos que conversar e contar os casos sobre a família em Goiás. A tia saudosa queria saber notícias de todos. Logo Tibel e eu íamos passear, ali mesmo na Urca, andando pela calçada que margeava o mar. Coisa linda. Lá pertinho está o Iate Clube, cheio de barcos ancorados. O cheiro gostoso da maresia e a vista maravilhosa de um lado o Corcovado e do outro o Pão de Açucar...
No outro dia cedo, fomos à Praia Vermelha, a areia da praia da Urca era grossa e a água gelada demais, ruim para banhistas. A pé, andávamos dois quarteirões até chegar à Praça que fica em frente a Praia, aonde tem o prédio que é a entrada para pegar o bondinho para o Pão de Açucar, neste tempo era o bondinho antigo. Ficávamos até as doze e meia na Praia, pois à tarde tinha outros passeios.
Eram os últimos anos do bondinho que subia a ladeira que separava Copacabana de Botafogo, Urca e Praia Vermelha. Tibel adorava andar de bondinho que ia até certo ponto de Copacabana. Andávamos até o nosso destino, a Confeitaria Colombo. Era um impacto total entrar naquele majestoso lugar. As escadas com corrimão dourado, se destacavam. As vitrines cheias de doces e salgados; em demonstração nas estantes estavam caixas, latas com a imagem da Confeitaria Colombo, tudo exposto elegantemente. As mesas arrumadas para o chá, eram encantadoras. Ficavámos ali um tempo bom, por fim Tibel comprava uma lata de "Marrom Glacê", ela gostava, para mim era quase um doce de batata doce, que meu pai brincava dizendo: "qual é o doce mais doce? É o doce de batata doce." Hoje eu sei a origem do Marrom Glacê, um quilo das castanhas portuguesas só dá para fazer cem gramas do doce, por isso é caro.
Mais um dia no Rio e outro passeio, "hoje nada de praia, só a Cidade". Tibel tinha todos os endereços dos produtos importados - perfumes, cremes, azeite de oliva, e o mais importante para ela, o Sapateiro que fazia seus pequeníssimos sapatos com salto oito, só por encomenda, pois 32 é tamanho de criança. Sempre encomendava três pares. Os perfumes eram os de sempre e ela comprava muito, pois acreditem, antes de deitar, para espantar os pernilongos, ela passava perfume francês, pode? Comprava: Fleurs de Rocaille - Caron, Chantilly - Houbigant, Heurs Intime e outros, fazendo um pequeno estoque para um ano e também para presentear afilhadas e especialmente para minha mãe. Tudo isso era encontrado nas lojas da Rua da Alfandega, que tinha um cheiro de perfume no ar, as mulheres elegantes passeavam ali, cheirosas demais.
Cinema em Copacabana, era outro programa. Primeiro passear andando pela Avenida Nossa Senhora de Copacabana. As senhoras de idade passavam um produto em seus cabelos brancos que os tornavam violeta clarinho, elegantes e cheirosas, eram até demais, meio enjoativo, o acentuado cheiro de flor.
Passear pelos departamentos da loja Sears, pela Galeria Menescal, Centro Comercial Nossa Senhora de Copacabana e tomar chá na Confeitaria Colombo. O Cinema Metro, era o "must". Copacabana era limpa, movimentada, tranquila e cheirosa, a rua era cheirosa porque as pessoas eram muito limpas e se arrumavam para sair às ruas, mulheres e homens eram elegantes. Dentro do cinema era gostoso o cheirinho de perfume no ar...
Nada é mais o mesmo, parecido talvez, e se passaram 48 anos...

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O que é genealogia

o culto da tradição não significa estagnação nem retrocesso, esta na índole das academias, porque o tradicionalismo forma a trama desse complexo de sentimentos, evocações, recordações dos nossos antepassados, costumes, lendas e glórias comuns, que constitui uma das vibrações espirituais da pátria. Impelidos por essa fôrça da tradição, que nos leva a olhar sempre o passado, como se presente fosse, é que rendemos homenagens aos homens e às obras que deram lustre ao pensamento".
de Carlos Igarguren, - da Academia Argentina de Letras.
Livro de Jarbas Jayme - Do Passado ao Presente - Ensaios Genalógicos - 1952


Lendo este texto parece que são frases elaboradas para justificar o interesse das pessoas pelo o estudo da genealogia. Sim, pretende explicar, resumidamente, que genealogia, não se limita em saber de onde vieram os sobrenomes das famílias, mas de onde vieram seus antepassados, como vieram, em que parte da história do mundo está inserida a sua família, em que se destacaram as pessoas daquela época, como se alimentavam, qual era o costume da época, como se locomoviam de um lugar para o outr; a maioria das pessoas dos novos continentes constituiram famílias se misturando com nativos, escravos ou pessoas de outros países. Em genealogia descobrem-se como viveram as pessoas que nos antecederam e de onde vieram. Este é o objetivo principal, pode parecer uma perda de tempo e até poderia ser, se focassemos somente nos nomes, mas enquanto se pesquisa para chegar ao objetivo, vamos passeando através dos livros por lugares históricos, por batalhas, guerras e tantos acontecimentos que constituem matéria de estudo nas grades das escolas. A pesquisa genealógica focaliza, primeiramente, as buscas na história do país, nas descobertas científicas, nos estudos geográficos do país aonde os antecedentes viveram. A partir daí direciona para outro país indicado, de onde vieram os antepassados, que certamente, vieram para desbravar ou simplesmente habitar o mundo novo, morar nas terras "descobertas" pelos navegantes do velho mundo. Então, o pesquisador atravessa o oceano para procurar nos arquivos históricos de países mais antigos, o início de sua estória de família, muito ou quase tudo através da rede de informações hoje à disposição na Internet.
Talvez, por ser tão minucioso, com tantos detalhes históricos importantes e complicados, poucas pessoas têm paciência e se interessam por genealogia. Reverenciar e cultivar a memória de seus antepassados é render homenagens aos homens e mulheres de coragem, os reais desbravadores do nosso Brasil, aqui ficaram e constituiram famílias.

sábado, 11 de julho de 2009

CARTAS MINHAS EM "O POPULAR" - CARTAS DOS LEITORES

Outra vítima (esta carta não foi publicada, mandei no dia 15/07/09)
Escrevi indignada com o desfecho do juri (18.05.2009) em que o acusado de assassinar (a sangue frio) o meu sobrinho, foi considerado inocente, beneficiado por - conceito de legítima defesa. Em seu depoimento o próprio acusado confessa "atirei duas vezes e depois mais quatro" (atirei duas vezes: legítima defesa - mais quatro: é execução).
A minha indignação e de pessoas que ali estavam, é porque, já no ano de 2009 no terceiro milênio, é inconcebível que um jovem faça o que entende ser justiça, pelas próprias mãos. A maioria dos jovens, que não tem como certo a punição por atos como esse, recebem o recado: "continuem a acertar contas a bala como se fazia no velho oeste".
A execução fria, covarde, premeditada e pior contra alguém que nem foi o causador do problema, chama mais uma vez a atenção da sociedade para esse tipo de ação. O tiro dado na cabeça de Felipe Borges Feitosa, de 16 anos, que neste momento aguarda seu futuro em uma cama de UTI do Hospital Neurológico, já com confirmação de perda encefálica, no mínimo tem que nos levar a pensar se esse é um modelo de atitude que queremos para a nossa sociedade, que de tantas formas se moderniza, mas continua convivendo com barbaridades como essa. Trocas de tiros causado por acidente de trânsito, acertos de contas como esse citado e o uso de arma de fogo para solucionar problemas entre partes, tem sido a maior causa de óbitos entre jovens, não só em Goiás, mas em todo o Brasil.
A legislação brasileira hoje deixa brexas para diversas interpretações e dá ao advogado esperto e bom orador margem para distorcer a realidade e livrar um réu assassino da punição necessária. Quem paga? A sociedade desprotegida.
Maria Dulce Loyola Teixeira
Administradora

De longe foi a expressão mais comentada da semana
Enxurrada

Duas vezes na segunda-feira escutei o mais novo termo do idioma, “obrigada eu”. Ao agradecer a revista comprada em uma banca, a vendedora disse: “Obrigada eu”. Levei um susto, mas pensei ser alguém que não aprendeu português corretamente. Mas, ao sair de um banco, o gerente disse, também: “Obrigado eu”.
Pensei: será que estão modernizando o português e eu não sei?
Fiquei mais assustada quando vi que estão ensinando esta forma de agradecimento. E, assim, vão mudando o que já existe e é correto, por algo inventado e incorreto, como o caso do gerundismo “vamos estar corrigindo”. A coluna é um excelente caminho para melhorar e corrigir a forma de se expressar em português.
Maria Dulce Loyola Teixeira –
O Popular 20 de abril de 2009 - Magazine -

Estranha absolvição
Recentemente, um advogado de Goiânia deu assistência jurídica gratuita a um pai de família, preso por ter matado um tatu para alimentar a sua família. Atrasado e analfabeto, ele não sabia que era crime matar animais silvestres. Ficou preso por seis meses. No dia 18, com a assistência de renomados advogados, foi absolvido o réu que confessou ter assassinado com seis tiros um jovem estudante de direito, há sete anos.
O réu, inteligente e conhecedor das leis, comprou uma arma para se defender de umas “porradas”. Desculpem, mas foi a palavra usada pela defesa para definir os socos da vítima. Era uma terça-feira, quando o réu e seus amigos, inclusive uma testemunha da defesa, foram para um bar, às 15 horas, para beber. No início da noite, trocaram de bar e continuaram bebendo. No terceiro bar, onde ocorreu o crime, o réu ficou sentado em uma mesa na calçada. Algumas horas depois, viu a vítima chegando, mas não saiu dali e nem se protegeu, permaneceu sentado em sua mesa esperando para poder agir.
Ele declarou ao juiz que, depois de ser agredido, caiu e quando se levantou já estava com a arma na mão, atirando na vítima. Confessou ter dado dois tiros seguidos, a vítima caiu e ele deu mais quatro tiros. Os advogados da defesa repetiram várias vezes que os tiros foram “no sentido ascendente”, só se “esqueceram” de dizer que o tiro dado na cabeça da vítima foi em sentido retilíneo, posição de cima para baixo, portanto, a vítima estava estendida no chão e não representava perigo algum.
Neste dia, a vítima estava em aula quando recebeu um telefonema avisando-a que o réu a esperava em um certo bar e estava armado. Desarmado, foi encontrar o réu e cobrar mais uma vez uma dívida que ele se negava pagar. Com raiva, acertou-lhe um soco. A Justiça declarou inocente o réu, considerando legítima defesa da honra por ter sido agredido com dois socos. E a vítima é culpada por ter usado as suas próprias mãos que não mataram e sequer feriram gravemente o réu?
Esta absolvição transformou o réu em vítima da Justiça. Ele nunca saberá que lei é para ser obedecida. Muitas famílias se sentem dilaceradas pelas injustiças. Não se revoltam porque a justiça divina não abandona os justos.
MARIA DULCE LOYOLA TEIXEIRASetor Oeste – Goiânia
O Popular 30 de Junho de 2009 - Cartas dos Leitores

Resultado de julgamentoManifesto meu apoio às palavras da leitora Maria Dulce Loyola Teixeira, publicada terça-feira, e, ao mesmo tempo, faço uma indagação: que justiça é essa que absolve uma pessoa que confessa ter cometido crime bárbaro sob a alegação de legítima defesa (seis tiros...!!)? Atenção julgadores.
LINDA BITTENCOURT Centro – Goiânia
5 de julho de 2009 - cartas dos leitores

Crimes e absolvição
Em referência à carta da leitora Maria Dulce Loyola Teixeira, publicada terça-feira, venho externar minha solidariedade em relação às suas palavras quanto a essa estranha e repugnante absolvição de um réu que executou, impiedosamente com seis tiros, uma vítima desarmada e sua conhecida.
Solidariedade porque eu, na qualidade de mãe de um rapaz de 26 anos, professor de inglês, inicialmente ferido com um tiro na perna e depois assassinado pelas costas em um posto de gasolina na Praça Cívica, conheço a dor de perder covardemente um ente querido, que gozava de saúde e juventude, por motivo fútil, e assistir pasma à absolvição do réu.
Meu filho foi morto após uma discussão banal, estava desarmado e o réu foi absolvido por “legítima defesa”, em um processo classificado como homicídio simples. Como se vê, os casos são semelhantes e os resultados são idênticos. Talvez fossem condenados se houvessem sido flagrados com ave em gaiola ou cortando uma árvore.
Não que eu seja a favor de crimes contra a natureza, mas como classificar crimes contra a vida humana? Banais? Passíveis de punição? Condena-se o morto e sua família, afinal, ofender com palavras ou “se defender de umas porradas”(sic) justificam o covarde assassinato de alguém e o sofrimento de uma família inteira que passará o resto de seus dias inconformada com a morte e com a injustiça sofridas? Lamentável. Até quando?
SÔNIA REGINA DE FREITASSetor Sul – Goiânia
O Popular - 3 de julho - Cartas dos Leitores

Poluição visual
As autoridades goianas deveriam proibir e retirar os imensos cartazes espalhados indiscriminadamente por todos os pontos da cidade, atrapalhando a boa visualização de placas de sinalização de trânsito, de orientação de ruas, enfim uma grande poluição visual. Em qualquer rua, avenida ou estrada, lá estão eles poluindo.
No Canadá, as faixas de propaganda são pequenas e colocadas com estacas em lugares permitidos. Ao serem retirados não estragam e nem deixam lixo pela cidade. Quando Nion Albernaz era prefeito, foram proibidos faixas e cartazes amarrados em árvores e postes. Ultimamente, estão espalhadas pela cidade faixas homenageando ou destacando atos desta gestão, utilizando-se de uma prática em desuso.
É demorado conscientizar a população de que é preciso ter hábitos modernos.
MARIA DULCE LOYOLA TEIXEIRASetor Oeste – Goiânia
O POPULAR 7 DE JULHO DE 2009 CARTAS DOS LEITORES

Poluição visual
Muito oportuna a carta da leitora Maria Dulce, publicada neste espaço, sobre a poluição visual em Goiânia. Contou sobre o Canadá, onde, segundo ela, “as faixas de propaganda são pequenas e colocadas com estacas em lugares permitidos”. Em 2010 haverá eleições no Brasil, quando se repetirá a bagunça, a anarquia e consequentemente a imundície gerada pela propaganda política afixada em outdoors, muros, postes de luz, além da distribuição de santinhos e a poluição sonora dos abomináveis carros de som.
Mais uma vez, o Canadá serve como exemplo. Estive em Montreal, entre setembro e outubro do ano passado, período que coincidiu com a campanha eleitoral para as importantes eleições parlamentares daquele país. A única propaganda que se via nas ruas era composta de pequenas placas padronizadas de 100 x 60 cm que mostravam o rosto do candidato e traziam algumas informações como seu nome e partido.
As placas estavam afixadas de forma também padronizada em locais pré-estabelecidos. Carros de som? Não num país civilizado.
MARCELO MELGAÇOJardim Goiás – Goiânia
O POPULAR 10 DE JULHO DE 2009 CARTAS DO LEITOR

Barulho na missa
Assisti à missa de domingo, 10 horas, da Paróquia Sagrada Família, para verificar, não como autoridade, mas como uma pessoa que consegue perceber, se o nível de barulho está abusivo, conforme descreve o leitor Celino Souza, da Vila Canaã, no dia 14.
Constatei que o padre Luiz é um grande benfeitor para as famílias ali presentes. Consegue fazer com que todos participem da celebração familiar; os jovens fazem encenações sobre o Evangelho do dia para as crianças. Todos se sentem importantes, sentem a ação de Deus no lugar. Lá estavam desde bebês no colo dos pais até senhores e senhoras idosos, que se deslocaram de seus bairros para ter o privilégio de ali estar.
Isso se repete na Igreja da Medalha Milagrosa, onde padre Luiz celebra a missa das 17 horas. Não existem exageros, mas a união das pessoas ali presentes. Para acomodar tanta gente, usa-se o lado de fora da igreja, pois mesmo em reforma, com pouco conforto, todos vão e ali permanecem, buscando o conforto para a alma – e o encontram nas palavras sábias do sermão do padre Luiz.
Em toda polêmica, os dois lados devem ser analisados e respeitados. Todo cidadão tem direitos assegurados por lei, assim como esta fiscaliza as instituições. Há muitos anos, a paróquia recebe seus fiéis todos os dias. Por que será que não se importam com o barulho abusivo? É porque não é. Analisando o fato, concluí que se tantos fiéis continuam a frequentar a paróquia, é porque estão de acordo com ela.
Padre Luiz se dedica a várias instituições de apoio à comunidade, a Chácara de Recuperação Masculina Luz que Liberta, Casa da Mãe de Deus, Casa do Bom Samaritano, Casa Pobre de Deus, Creche Coruja, e comanda a Rádio Luz da Vida. A sociedade está carente de bons ensinamentos. Uma Igreja coesa só traz benefícios para a comunidade. A religião dá limites ao ser humano.
Críticas devem ser feitas, mas com muita cautela. Quem critica deve apresentar soluções para substituir o que está sendo criticado.
Será que esta crítica ajuda a melhorar os benefícios da comunidade da Vila Canaã? Ajudará as pessoas carentes e as famílias que têm filhos drogados? Ajudará os doentes? Ajudará famílias desestruturadas? A família bem estruturada é a base de uma sociedade sadia.
MARIA DULCE LOYOLA TEIXEIRA
Goiânia - GO
O Popular - Cartas dos Leitores - 30 de abril de 2009

Jaime Câmara
Seu Jaime foi um destemido empreendedor. Falar de um personagem histórico e dinâmico, que não mediu esforços ao sair do Rio Grande do Norte – naquela época viajar era uma aventura difícil e cheia de surpresas – para ser um desbravador em Goiás, é como falar da própria história do desenvolvimento goiano.
A antiga capital era acanhada, pequena, talvez pouco mais que a sua cidade natal, mas ele veio para ser empreendedor e foi um dos maiores. Graças à sua audácia, hoje Goiás e também o Estado do Tocantins possuem um dos melhores complexos de rádio, jornal e televisão do País.
Com a sua natural e imensa generosidade, foi, também, um pioneiro na área de filantropia. Além do Instituto dos Cegos, idealizou uma Fundação. Não pôde concretizá-la em vida, mas sua família a instituiu, realizando seu desejo.
Goiás foi beneficiado pela vinda deste valoroso homem, que modernizou o Estado, colocando-o na mesma categoria de grandes centros.
MARIA DULCE LOYOLA TEIXEIRA
Setor Oeste – Goiânia
Publicado em 19 de julho de 2009

quinta-feira, 9 de julho de 2009

NOSSO NETO É UM VARÃOZINHO

O tempo passa, o tempo voa...
Mas a vida é sempre muito boa...
É muito boa porque você Rafael nasceu para nós no momento especial de paixão, de vontade de agarrar o mundo inteiro, de vencer os obstáculos, num momento de amor muito intenso. De um amor cultivado durante seis anos, sonhado, desfeito, refeito e assumido para durar.
E aqui estamos nós, 36 anos passados, firmes, lembrando daquele início inusitado com o seu nascimento rápido e inesperado, mas infinitamente esperado por nós. Foi de repente, um mês e vinte e sete dias após nosso casamento. Sua mãe e seu pai totalmente inexperientes, não imaginaram o risco que você corria. Mas você queria vir, de qualquer maneira, ficar conosco. Eu com 21 anos, seu pai com 26 não tinhamos idéia dos riscos que você corria. Eu, nem sabia que poderia perder um nenem porque meu útero ainda não era suficientemente maduro para lhe receber. Mas, você se agarrou ali dentro e ressistiu por seis meses e três semanas, e, quando achou que estava pronto quiz logo saber como era o mundo aqui fora. Curioso demais... Nasceu, pequeno, pouco peso, foi preciso lhe deixar uns dias no hospital para alcançar o peso de bebê normal. Quando o trouxe para casa você ainda não tinha alcançado o peso, mas era esperto e valente, foi uma bênção de Deus a sua vinda. Você foi um pequeno guerreiro, que superou as diversas crises que sua mãe passou na gravidez e depois que nasceu lutou bravamente para bater os recordes dos recém nascidos normais, rapidamente atingiu o peso necessário e daí em diante foi moleza, bateu os recordes sendo um bebê lindo. Tornou-se nosso herói, lindo, esperto, a alegria de nossa vida. Cresceu normalmente, como toda criança feliz.
Dizem que não existe coincidência, existe providência Divina. Deus "botou reparo" na garra de vocês e decidiu que um nasceu para o outro. É, a sua estória Tatiana, contada pela Lourdinha sua mãe, muito se assemelha a do Rafael. Depois de duas meninas, sua mãe engravidara pela terceira vez, só que desta vez teve que enfrentar uma gravidez de risco, que carecia de muito cuidado para que criança e mãe permanecessem bem. Ela, com fé em Deus, assumiu e ressistiu a todas as dificuldades, sentada em uma cadeira de balanço, local que mais lhe assegurava o conforto para ficar de repouso, esperou a sua vinda com muito amor. Você, como o Rafael se agarrou lá dentro da barriga da Lourdinha até achar que estava pronta para nascer e, atrevidamente, antes do tempo, ainda só com oito meses, decidiu que era a hora de vir ver o mundo aqui fora e dar um descanso para a sua mamãe. Nasceu, pequenina, mas destemida, corajosamente enfrentou a tudo que poderia lhe prejudicar, vencendo dia a dia, amparada por sua dedicadíssima mãe, a batalha que lhe havia sido imposta. Venceu com garra, tornando-se a alegria de suas irmãs e de seus pais.
Essa garra, esse instinto de querer sempre vencer qualquer obstáculo, de querer dar alegria aos que os rodeiam, de ser uma luz no meio de nós, os fazem pessoas queridas de Deus. Ele nos deu de presente duas pessoas especiais, corajosas, lutadoras desde os primeiros instantes de concebidos.
Só pode vir de duas almas como vocês um ser especial também, com saúde e abençoado por Deus. Um filho de Deus perfeito que nos dará muita alegria. Despertou em nós, Bira e Maria Dulce, tamanha felicidade que a espera será longa, mas por favor serzinho do vovô e das vovós anciosos por lhe conhecer, não precisa se antecipar como seu papai e sua mamãe, pode ficar aconchegado aí dentro da barriguinha de sua mamãe que nós todos estaremos lhe esperando no tempo certo e no dia certo. Não se antecipe, aguarde a sua hora. Deus o abençoe e lhe traga cheio de saúde para nós. O seu pai Rafael e a sua mãe Tatiana são duas pessoas lindas. Têm um coração imenso de amor para lhe dar. São carinhosos, atenciosos e prestativos. Você terá um lar perfeito.
Tatiana e Rafael Deus os abençoe e nós os abençoamos e agradecemos o nosso primeiro netinho, um varão que será chamado de Sabedoria, Inteligência, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade, Amor de Carvalho Teixeira.
Amém!
Bira e Maria Dulce

MISSA DAS SETE NA CATEDRAL

Lucia, Telca, Regina, Telma, Maria Dulce e Tereza





Arlete, Regina, Eliane, Katia, Maria Dulce, Julia, Jane, Carmen Lucia, Yvonete.



Paulo, Ubiratan e Junior


Goiânia, tinha pouco mais de trezentos mil habitantes quando me tornei uma jovem, morando na jovem Capital, ansiosa por conhecer o mundo, por falar línguas, saber e saber muito.
O ensino nas escolas era muito bom, tinha qualidade, os professores tinham conhecimento profundo da matéria que lecionavam e mais, tinham orgulho da profissão de mestre. Eram cultos, sabiam ensinar.
As mocinhas estudavam em colégios de religiosos - católicos - no Colégio Assunção, hoje não existe mais, em seu lugar funciona a Saneago, lá perto do Estádio Serra Dourada que naquela época não existia. No Instituto Maria Auxiliadora, instituição que ainda existe no mesmo lugar, na Praça do Cruzeiro, era, à época, quase a última construção do Setor Sul, a rua 85 não era asfaltada e a Praça do Cruzeiro não era edificada. Tinha ainda o Externato São José, recém mudado para o Setor Oeste, o Colégio Santo Agostinho no Bairro Popular e o mais antigo estabelecimento de ensino religioso para mulheres, o Colégio Santa Clara, em Campinas.
Depois de formar no "Ginásio" a grande maioria das mocinhas iam fazer o curso Normal, só ministrado no Assunção ou no Instituto de Educação - colégio estadual.
As mais "corajosas" e quando os pais permitiam, iam para o Liceu de Goiânia, que para entrar era necessário prestar o teste de admissão, quase um pré-vestibular. A maior parte das mulheres, fazia o Clássico, curso de 3 anos se preparando para as Faculdades ligadas a Recursos Humanos como Direito, letras, sociologia, etc. Uma minoria fazia o temido Científico, preparatório para área de exatas e bio-médica como - Engenharia, Arquitetura, Farmácia, Medicina e outras. Este foi o curso que escolhi, Científico para Engenharia - a Faculdade de Arquitetura era a minha escolha para o curso superior. Na minha sala tinham 5 mulheres e 35 homens - nós éramos tidas como bichos estranhos no ninho e se fosse bonita, era mais estranho ainda, porque as moças se casavam cedo, pouco depois de terminar o Ginásio ou o Normal, entre 16 e 20 anos. Curso Superior não era a meta de todas as moças, podiam até sonhar em se formarem, mas muitas queriam mesmo era casar e ter sua família. As moças que iniciavam um curso superior, pretendiam que entendessem que não era só o casamento que as interessava, para elas estudar era muito importante, tanto quando casar e formar família. Talvez fosse mesmo o desejo delas, mas lá pelo segundo ano da Faculdade, apaixonadas, rendiam ao casamento. Foi assim comigo e com várias outras amigas. Entretanto, as mulheres desta geração abriram vários caminhos para as mulheres de hoje. A grande maioria se formou, algumas já eram casadas, com filhos e outras bem mais velhas se organizaram com a família e voltaram à faculdade para se formaram, tornando-se excelentes profissionais.
Em Goiânia não tinha muito o que fazer. À noite então, pouquíssimos bares, boate tinha uma que moça de "boa família" podia ir uma vez ou outra, senão ficava "falada" isto é, pessoa muito exposta, comum em festas - era puro preconceito dos antigos - O que a juventude goiana tinha era uma diversão ingênua e barata, não existia consumismo em bares e restaurantes, mesmo porque não existiam. As lojas boas que vendiam roupas "de marca" também não havia. A calça Jeans só tinha quem podia encomendadar a parentes e aos amigos que fossem aos Estados Unidos ou a Manaus, que era Zona Franca, isto é, podia vender produtos importados. Era comum as pessoas viajarem para fazer compras em Manaus. De uma maneira geral as nossas roupas eram feitas por boas costureiras - as calças compridas, os vestidos e inclusive o famoso biquine. Só quem ia para São Paulo e Rio de Janeiro podia comprar algumas peças de roupa e sapatos por lá, era o sucesso. Em Goiânia roupa de marca era coisa caríssima, tinha algumas poucas "Boutiques" que as vendiam, como a Pequetita, Martha, D. Vera, Elza e para os "playboys" ( moços in da época) tinha a loja do Lino e o Seu Gabriel. Ah meu Deus, era muito simples...
No sábado, após as aulas, as meninas desciam a pé, do colégio Auxiliadora para lanchar no "Lanche Alkar", na Avenida Tocantins com a Rua Três. O lanche era muito básico, tinha de novidade um Cachorro quente especial, a salsicha era assada na máquina importada e montada no balcão da vitrine, ficava ali rodando e rodando até ficar tostada. Era servido demtro do pão acompanhado com o novo molho de tomate "ketchup e a mostarda", era o máximo, delicioso. Tinha, também, o antigo "Mixto quente", sanduíche de queijo e presunto tostado com muita manteiga na chapa. Para acompanhar a gente pedia UMA, sim uma, garrafinha pequena de guaraná ou coca-cola. Para o final, o sorvete. Sorvete da Kibon, servido em taças com cobertura de caramelo ou chocolate e castanha de caju moída. Para os gulosos o "sunday Banana Split" um arranjado de três bolas de sovete de creme, com bananas cortadas em rodelas, cobertos com xarope de milho e castanhas de caju moídas, servido em uma vasilha tipo canonhinha.
Ficar ali no Lanche era coisa rápida, era só o tempo de comer e já estávamos prontos para ir embora, coisa de meia hora, porque à tarde tinha o programa de ir ao Clube.
Lá pelas duas horas da tarde, quem era sócio, ia para o Country, encontrar os amigos e ficava até o anoitecer. Era um Clube família, todos se conheciam, tipo "confiável" para as moças irem.
O domingo era uma rotina, pela manhã todos se encontravam em algum Clube - Country, Jaó, Oásis ou Jóquei. Esporte era uma coisa praticada sem compromisso, todos podiam jogar, até porque era uma maneira de paquerar, também.
A maioria de meus amigos e eu frequentávamos o Country Clube. Uma turma jogava volei, duplas se formavam para jogar frescobol e tenis e os homens gostavam muito do futebal. Mas, o melhor era tomar sol e ficar em volta da piscina de cima - na verdade a do meio - nesta época só existiam três piscinas, a de criança, a do meio (a nossa) e a do chafariz - acabada de ser construída, mas tinha muita criança brincando. Na antiga piscina, sob a sombra do coqueiro grande, que ficava ao lado da caixa de som, estava o nosso lugar predileto, quem chegava primeiro, pegava algumas cadeiras agrupava e guardava o lugar para os retardatários - era a "turma do coqueiro", que por muitos anos se reuniu ali, mesmo depois de casados e com filhos, até que a idade foi chegando, alguns se mudaram de Goiânia e a "turma" deixou o espaço para outros mais jovens e mais assíduos que nós.
Não era uma maneira muito educada de separar a turma, erámos meios "metidos a besta", mesmo porque o Clube era de todos, na verdade existia uma "tolerância" a este nosso hábito por sermos talvez, os sócios mais antigos, mas que era uma "chatura", confesso que era.
As moças iam almoçar em casa, lá pelas duas da tarde. Era assim, para que tivessem tempo de lavar e arrumar o cabelão compridos até a cintura e ir impecável assistir à missa das sete na Catedral Metropolitana. Todos iam, jovens de todos os setores se deslocavam para a Catedral. Sei lá se para assistir à missa mesmo, ou só para paquerar. A verdade era que a Igreja ficava lotada, com pessoas até do lado de fora. Era assim, todos os domingos. Uma Paquera Santa?
Acabada a Missa, os zeladores da Igreja, imediatamente, apagavam as luzes e a moçada atravessava a rua e se reunia na porta da minha casa, em frente à Igreja, na rua dez com a vinte. Sentados na mureta que cercava o jardim, os jovens conversavam, paqueravam e decidiam o que fazer. Sempre se decidia por ir dançar na casa de quem tivesse um bom som e bons discos. As casas eram perto uma das outras e nós íamos andando para a casa escolhida. A turma era animada, dançar era a melhor opção, paqueras ficavam radiantes diante da possibilidade de abraçar a sua paixão. Era fechar a semana fazendo o que havia de melhor, dançar coladinho, sentindo o cheiro da paquera. Era sempre assim, domingo, após a missa das sete, encontro dançante na casa de uma das meninas. Sem nada, sem salgadinho ou refrigerante, era só para dançar. Tirando a bossa nova, só tocava música estrangeira, de preferência os Beatles, Bee Gees, Rolling Stones, tocava muita música italiana, francesa, americana, são músicas de qualidade que tocam até hoje. Eram românticas, boas para dançar. Os meninos e as meninas treinavam durante a semana para dançar em grupos de cinco ou seis o Hully Gully e o Twist, tudo sincronizado, igualzinho, não se errava um passo. Eram poucas horas de diversão, das oito às onze, mas o suficiente para gerar uma alegria que permanecia sendo assunto por toda a semana. No máximo às onze horas terminava. As meninas iam para casa e eles tinham o privilégio de poder ficar até mais tarde e ir aonde quisessem...
Aqui encerra a primeira parte destes textos "jovens" goianos da década de 60. Quem quiser cooperar sinta-se à vontade, para mandar contribuição para o blog, os próximos assuntos: Rua Tocantins, as corridas de carro, as primeiras boates e bares. Histórias de um povo pacato - mas valente - história de uma Goiânia sem violência, com poucos lugares de lazer para os jovens. O que mais se fazia era ler, encontrar-se nas casas de amigos para escutar boa música e para bater papo (conversar).
Engraçado que a música sertaneja não fazia o menor sucesso entre os jovens desta geração, e muito pouco da música nacional, a turma "elitista" só escutava do Brasil a bossa nova.



Adorei seu texto sobre a missa das 7. Era exatamente igual sua descrição....que saudades!!!!!!!!!!! bjos regina

Sonia Agel comentou seu status:

"Maria Dulce, entrei no seu blog e fiquei encantada. Você me surpreende cada vez mais, sempre para melhor. Uma pessoa linda,inteligente, competente e sensível. Parabéns."